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Jonas vale metade do Benfica e mais de metade do campeonato

O Benfica ganhou ao Moreirense (2-0, golos de Pizzi e Jonas) e deu continuidade à exibição que fizera contra o Sporting. O 4x3x3 com Grimaldo, Krovinovic e Cervi é o ponto de apoio para esta equipa de Rui Vitória. Jonas chegou ao 20.º golo da época e há muitos clubes que gostariam de ter este registo à 17.ª jornada

Pedro Candeias

MANUEL ARA\303\232JO

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Não sei quem disse isto - presumo que alguém interessante e formidável, ou, então, toda a gente - que o futebol é um jogo relativamente simples porque a sua génese é a rabia . E nada bate em simplicidade um joguinho de três tipos dispostos num triângulo a passar uma bola entre eles enquanto um quarto tipo tenta desesperadamente recuperá-la.

Daí a pomposa expressão técnica que conhecemos por triangulações.

Ora, uma equipa, ou melhor, uma boa equipa é aquela que se desloca numa justaposição de triangulações e esta definição angular tem uma justificação geométrica: dois triângulos retângulo formam um rectângulo, e um campo de futebol parte-se em três retângulos, o da defesa, o do meio-campo e o do ataque. E a melhor forma de estas três áreas andarem ligadas é - adivinhou - através das triangulações.

Corta para Benfica.

Desde que Rui Vitória trocou o 4x4x2 pelo 4x3x3, o que se vê são triângulos, sobretudo à esquerda, e tudo parece mais costurado e menos remendado, porque, vá, o sistema facilita a coisa. Grimaldo mais Krovinovic mais Cervi trocam a bola e de posição, e é por aí que o Benfica vai subindo e descendo no terreno como se tivessem um elástico preso a cada um dos seus tornozelos. Foi assim contra o Sporting, na Luz, e em Moreira de Cónegos, ainda há pouco, este trio começou por desmontar diligentemente a estratégia do Moreirense que se apresentou subido, confiante e otimista.

Provavelmente, demasiado otimista.

É que Sérgio Vieira esqueceu-se que uma ideia só é boa se for útil, depois possível e concretizável, e por fim consistente.

O Moreirense atingiu os dois primeiros itens mas falhou nos últimos dois, e então, aproveitando a inconsistência do adversário a ocupar os espaços, o Benfica chegou ao 1-0 quando ao trio atrás referido se juntou Jonas que cruzou para o golo de Pizzi.

MANUEL ARA\303\232JO

Durante a primeira parte, e resumindo, o Benfica foi bastante superior e só não chegou ao intervalo a ganhar por mais porque há um novo mandamento a acompanhar a equipa da Luz: por cada um que marcares, desperdiçarás cinco.

Bom, cinco ocasiões talvez seja um exagero, mas estão a perceber onde quero chegar: Jonas falhou dois golos, Pizzi outro e Cervi também.

No início da segunda-parte, o jogo nivelou um bocadinho e eu encontro uma explicação racional para isso: o lesionado Samaris não reentrou e Keaton Parks foi ocupar o lugar de trinco, atrás de Pizzi e Krovinovic. À falta de melhor metáfora, até atinar com as marcações e o posicionamento, o americano foi um um jogador de damas a jogar xadrez: não percebeu patavina do que andou a fazer e esse estado semi-ausente durou dez minutos.

E enquanto Parks reaprendia este novo desporto chamado futebol de onze, o Moreirense tentou aproveitar o buraco à frente da defesa e não fosse a defesa de Bruno Varela e provavelmente estaríamos a ter outra conversa. Porquê?

Porque o rácio oportunidades/golo está com uns valores estranhos lá para as bandas da Luz; é um facto, basta puxar o filme da SportTV atrás e conferir os dois falhanços de Jonas na cara de Jonathan.

Felizmente para os benfiquistas, por ter afastado qualquer mau olhado ou eventual azelhice, Jonas fez o 2-0 após cruzamento do talentoso João Carvalho (entrou para o lugar de Salvio) e engordou um mito geracional que ele anda alimentar desde que aqui chegou: o brasileiro é o melhor avançado do Benfica desde que comecei a ver bola nos anos 90.

Este ano, Jonas já leva 20 golos no campeonato; ou seja, metade dos golos do Benfica são dele. À hora que escrevo, e com alguns jogos por disputar, o brasileiro tem mais do que Vitória de Setúbal, Estoril, Paços de Ferreira, Feirense, Desportivo das Aves, Moreirense, Belenenses, Tondela, Boavista, Vitória de Guimarães e Marítimo. No total, 11 equipas.