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Jonas de duas caras vale empate tardio ao Benfica

Após ter falhado uma grande penalidade, brasileiro redimiu-se no último lance do jogo com um livre direto que valeu um 1-1 frente ao Belenenses, numa partida cujo marcador só se mexeu últimos dez minutos

Tiago Oliveira

Carlos Rodrigues

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"Não assino o empate", afirmou Silas com todas as letras na antevisão do jogo com o Benfica. E não é preciso um grande salto narrativo para dizer que o treinador terá mesmo muitas dificuldades em aceitar este. Quando Nathan, no seu primeiro jogo com a camisola do Belenenses, colocou a bola no fundo das redes aos 86 minutos, a vitória parecia encaminhada para os lados do Restelo. Mas nunca risquem logo da história o Benfica e Jonas. Porque o brasileiro mostrou que tem sempre a pistola pronta, seja em que minuto for, seja de que distância for. Ponto conquistado, dizem uns, perdido dirão outros, e empate a 1-1 no final.

Como todas as boas histórias, houve dois atos a suportarem o arco emocional. O primeiro, de erro. Jonas fez o que quase nunca fez ao minuto 73. Falhou da marca dos onze metros. Em situações destas é complicado apostar contra o artilheiro do campeonato, aqui a perseguir o nono jogo seguido a marcar. Claro que quem já tenho perdido uma ou outra matiné a ver um filme do faroeste sabe que um duelo nunca corre exatamente como se espera. E foi o que aqui aconteceu com o outro protagonista deste momento, Filipe Mendes. O guarda-redes dos azuis do Restelo não piscou os olhos e perante a arma carregada, antecipou o tiro e lançou-se para a defesa. Mas a história não fica por aqui. É ler para chegar ao segundo ato.

Antes, outros segundos. No seu segundo jogo como técnico principal na Primeira Liga, Jorge Manuel Rebelo Fernandes, vulgo Silas, dificilmente poderia ter pedido mais aos seus atletas. O novo treinador lançou uma equipa um pouco à imagem do que foi como jogador, a jogar desde o primeiro instante, passe o cliché, à equipa grande. Bola no pé, pressão alta, jogadores a trocarem de posição e futebol sempre apoiado. Conseguiram marcar o ritmo e dar uma imagem forte à imagem do discurso de Silas.

Já o Benfica chegava a Belém com três vitórias consecutivas no bolso e a viver o melhor momento da época. Melhoria a que não foi alheia a introdução de Krovinovic e à mudança para o 4-3-3. Após a lesão do croata, a grande incógnita era saber quem é que Rui Vitória ia escolher para o seu lugar. Calhou a vaga à prata da casa, aqui representada pelo médio João Carvalho. Que, tal como o resto da equipa, revelou grandes dificuldades na primeira parte.

O Belenenses entrou com tudo e logo a dar a entender que não ia ter medo de arriscar perante o adversário. O primeiro remate de perigo veio logo aos 3 minutos, por Chaby (bom jogo) e foi o aviso para o bom futebol da equipa da casa. Do outro lado, os encarnados entraram apáticos e tiveram dificuldades perante a estratégia dos azuis com muitas perdas de bola e praticamente sem criar perigo. Toada que se manteve sem grandes alterações (ou lances evidentes de golo) até final da primeira parte.

A viagem de ida e volta aos balneários trouxe um Benfica com outra vontade e três minutos as oportunidades foram em maior número do que nos anteriores 45 minutos, com Salvio e Jonas a testarem o guarda-redes. Sasso ainda assustou Bruno Varela, mas apesar de o Belenenses continuar a apostar na mesma estratégia, o Benfica tinha mais bola e outra imaginação. Cervi era a grande locomotiva encarnada e dos pés do pequeno argentino saíram os melhores lances dos visitantes, em busca do primeiro golo. Com a dupla de centrais do Belém, Sasso e Gonçalo Silva, quase sempre em destaque.

Jonas redentor

Claro que a história parecia seguir um caminho familiar quando Cervi é derrubado em falta na grande área (Bruno Paixão recorreu três vezes ao VAR e este foi um desses casos) e Jonas encaminhou-se para a marca dos onze metros. Se tem estado atento, já sabe que o final foi diferente do habitual. Com uma história a que falta o segundo capítulo.

Depois de Cervi ter falhado um golo isolado aos 77 minutos e Rui Vitória ter colocado a carne toda no assador, o Benfica parecia pronto para o derradeiro assalto ao Restelo. Ninguém informou Nathan, emprestado pelo Chelsea que anunciou com pompa e circunstância a sua chegada a Portugal. Passe de esquerda e, de fora da área, o brasileiro a rematar rente ao poste sem hipóteses para Varela. 1-0 aos 86 minutos e aparente balde de água fria nas aspirações encarnadas, naquele que foi o primeiro golo sofrido pelo Benfica no Restelo desde 2007.

O golo parecia ter derrotado animicamente as hostes da Luz e a procura do empate, como quase sempre nestas ocasiões, foi sempre mais com o coração do que com a cabeça enquanto a equipa do outro lado faz o que pode para segurar. Tudo parecia escrito só que, como avisei, ainda houve espaço para um segundo acto. Aqui de redenção.

Após uma falta uns bons metros fora da meia lua da grande-área, Jonas fez aquilo que geralmente só está ao alcance dos grandes jogadores. Pegou na bola, marcou um golo de bandeira aos 97 minutos, e não festejou. 1-1 quando já ninguém esperava naquele que é um resultado que parece não agradar a ninguém. Uns pelo que fizeram, outros pelo atraso que podem ganhar. Muitas incidências a marcarem mais um animado capítulo na luta pelo título. Palavra agora para FC Porto e Sporting.