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Operação Lex. “Honestidade”, “rigor”, “seriedade”. Vice-presidente do Benfica diz estar de “consciência absolutamente tranquila”

Depois de ter sido constituído arguido no caso Lex, Fernando Tavares utilizou o Facebook para dizer que a sua vida profissional "foi pautada pelo trabalho, pela honestidade, pelo rigor, pela seriedade, pela transparência e pela dedicação"

Cátia Leitão

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Fernando Tavares, vice-presidente dos encarnados, foi constituído arguido no processo Lex, juntamente com o presidente do clube. Numa nota no Facebook, o dirigente do Benfica diz estar de consciência absolutamente tranquila e acrescenta que toda a sua vida profissional "foi pautada pelo trabalho, pela honestidade, pelo rigor, pela seriedade, pela transparência e pela dedicação abnegada aos muitos projetos que abracei".

O vice-presidente do Benfica utilizou assim as redes sociais para esclarecer aqueles que o apoiam e que acreditam na sua inocência. Tavares diz ainda estar disponível "a fornecer toda a informação necessária a um cabal esclarecimento de toda a situação estando disponível para uma colaboração futura, como é meu dever, que ajude ao apuramento da verdade em função das investigações agora desenvolvidas e das questões que possam também eventualmente vir a ser suscitadas."

Além de apelar à sua inocência no caso e dizer que tem sido muito apoiado, Fernando Tavares diz ainda: "Confio na justiça onde terei oportunidade de esclarecer cabalmente tudo o que houver a esclarecer com vista ao apuramento da verdade."

Tavares tem a seu cargo as modalidades do Benfica e fez parte da lista candidata à presidência do clube que Rui Rangel, a figura central do caso, apresentou no ano de 2012.

A Operação Lex

A operação Lex investiga um suposto esquema dos juízes do Tribunal da Relação de Lisboa, que alegadamente eram pagos para favores as decisões para certas pessoas e empresas. A Procuradoria Geral da República, que foi quem confirmou a constituição de Luís Filipe Vieira e Fernando Tavares como arguidos, diz que este caso mexe com crimes de “corrupção e recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais, tráfico de influências e fraude fiscal”.

Neste momento há 12 arguidos no caso, cinco dos quais estão detidos entre eles o advogado José Santos Martins, o alegado testa de ferro do caso, e o filho deste, que seria o titular da conta onde era depositado o dinheiro que depois seguia para Rui Rangel. Bem como o oficial de justiça do Tribunal da Relação de Lisboa, Octávio Correia, que supostamente facilitava os acórdãos e Rita Figueira, mãe da filha mais nova de Rangel. Além dos dois dirigentes dos encarnados e de Rui Rangel, também a ex-mulher do juiz, Fátima Galante, e o advogado João Rodrigues, ex-dirigente da Federação Portuguesa de Futebol, fazem parte deste processo. Em liberdade está Bruna Garcia Amaral, a última namorada de Rangel, e Albertino Figueira, pai de Rita Figueira.

Onde é que entra o Benfica?

Até agora, o clube não foi diretamente envolvido nesta investigação, mas tanto a SAD dos encarnados como o gabinete de Fernando Tavares foram já alvo de buscas por estarem envolvidos os principais dirigentes dos encarnados bem como outros indivíduos ligados à gestão do clube. O advogado do Benfica esclareceu que as buscas apenas visaram documentos contabilísticos.

Esta operação surge a partir de uma certidão autónoma retirada do processo Rota do Atlântico, que investiga crimes de corrupção no comércio internacional, branqueamento de capitais, tráfico de influências. O principal arguido deste processo é também uma cara conhecida dos encarnados, o empresário José Veiga que foi diretor desportivo do Benfica até ao ano de 2007. Mas para além de Veiga, também Manuel Damásio - presidente do Benfica entre 1992 e 1997 - foi constituído arguido.