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Ricardo Araújo Pereira responde a acusações de Francisco J. Marques: “É público que eu nunca recebi a chamada 'cartilha'”

O diretor de comunicação do FC Porto insinuou que Ricardo Araújo Pereira poderia fazer parte dos "cartilheiros" do Benfica, mas o escritor nega e explica porquê

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O escritor Ricardo Araújo Pereira é sócio do Benfica

MIGUEL A. LOPES/GETTY

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Terça-feira à noite, no Porto Canal, Francisco J. Marques divulgou uma conversa dos emails do Benfica na qual Ricardo Costa - assessor jurídico “clandestino” do Benfica, de acordo com o dirigente portista - pede a Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, o contacto de Ricardo Araújo Pereira no sentido de o aconselhar num diferendo que este mantinha com Miguel Sousa Tavares através das suas crónicas num diário desportivo.

Segundo Francisco J. Marques, Ricardo Araújo Pereira foi abordado e aceitou que o seu contacto fosse partilhado, o que o levou a concluir o seguinte: “Ricardo Araújo Pereira acaba por cair no âmbito dos cartilheiros. No ‘Governo Sombra’ pode, se quiser, esclarecer se é verdade que recebeu informações de Ricardo Costa através de Paulo Gonçalves e do Benfica. Até ele se deixou envolver nesta massificação das ideias e na máquina de propaganda do Benfica”.

Esta quarta-feira, o escritor benfiquista respondeu à acusação, negando fazer parte da chamada "cartilha" do Benfica. "É público que nunca recebi a chamada 'cartilha', um documento semanal redigido por alguém do Benfica com informações e opiniões dirigidas a comentadores e jornalistas sobre o que deve ser a comunicação oficial do clube. O Francisco J. Marques sabe muito bem disso porque a lista de destinatários foi divulgada por ele - e eu não consto nela", disse, numa declaração enviada à revista "Sábado".

"Também é público que, precisamente por me afastar várias vezes das orientações dessa cartilha, tenho suportado insinuações azedas (e algumas até falsas) vindas de elementos próximos da direcção do meu próprio clube. Agora, as insinuações vêm de elementos próximos da direcção do Porto. Só me falta o Sporting para fazer bingo", acrescentou Ricardo Araújo Pereira.

A declaração de Ricardo Araújo Pereira, na íntegra

"Todos os factos que o Francisco J. Marques relata são verdadeiros; todas as insinuações que faz são deturpações fáceis de desmentir. Vejamos: de facto, em 2010, o director de marketing do Benfica enviou-me um e-mail a perguntar se podia dar o meu endereço electrónico a um amigo do assessor jurídico do Benfica. De facto, eu respondi: "Claro, abraço."

De facto, o amigo do assessor jurídico, que viria a enviar-me um mail a 14 de Outubro de 2010, queria transmitir-me ideias sobre incoerências do Miguel Sousa Tavares (um tema em relação ao qual tenho uma conhecida predilecção). Estes são os factos, e são verdadeiros.

As insinuações, se bem as percebi, são: que eu faço parte do grupo dos chamados "cartilheiros"; que eu conhecia a identidade do amigo do assessor jurídico; que a crónica que eu escrevi n' A Bola após esta troca de e-mails era baseada, influenciada ou estimulada pelas "informações" dadas por esse amigo.

Primeiro, é público que eu nunca recebi a chamada "cartilha", um documento semanal redigido por alguém do Benfica com informações e opiniões dirigidas a comentadores e jornalistas sobre o que deve ser a comunicação oficial do clube. O Francisco J. Marques sabe muito bem disso porque a lista de destinatários foi divulgada por ele - e eu não consto nela.

E também é público que, precisamente por me afastar várias vezes das orientações dessa cartilha, tenho suportado insinuações azedas (e algumas até falsas) vindas de elementos próximos da direcção do meu próprio clube. Agora, as insinuações vêm de elementos próximos da direcção do Porto. Só me falta o Sporting para fazer bingo.

Segundo, o amigo do assessor jurídico escreveu-me a partir do endereço "Regresso ao Passado" e não se identificou. As incoerências que ele apontava ao MST tinham a ver com tramitações legais da justiça desportiva, tema que reputo de chato como o catano. Sou um grande apreciador das incoerências de MST, sobre as quais escrevo com entusiasmo desde 2003. Admiro sobretudo a sua capacidade de confundir ou inventar episódios históricos, as opiniões baseadas em factos inexistentes e as bizarrias ortográficas.

As imprecisões referidas pelo anónimo que me contactou referiam-se a um texto de MST publicado a 28 de Setembro de 2010. A minha crónica debruça-se sobre o texto que MST publicou a 12 de Outubro, no qual faz uma divertida confusão entre a constituição americana e a declaração de independência.

Terceiro, a crónica que eu escrevi n'A Bola também é pública e o "cariz muito jurídico" que o Francisco J. Marques encontra nela fica, por isso, à consideração de todos. Forneci à Sábado o tal e-mail anónimo que recebi, pelo que será fácil confrontar as "informações" nele contidas com essa ou qualquer outra crónica que eu alguma vez tenha escrito. Fica o desafio."