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Paulo Gonçalves, assessor do departamento jurídico do Benfica, detido pela PJ

Assessor do departamento jurídico do Benfica é um dos homens-fortes da direção de Luís Filipe Vieira. Operação 'e-toupeira' deteve também um técnico informático suspeito de aceder a informações confidenciais

Hugo Franco, Pedro Candeias e Rui Gustavo

Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves, presidente e assessor jurídico do Benfica, têm sido visados nas últimas semanas

JOSÉ COELHO / LUSA

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Paulo Gonçalves foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de corrupção. Ao total, foram detidas duas pessoas na denominada operação 'e-toupeira' pela prática dos crimes de "corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal", informa a PJ em comunicado revelado esta manhã, poucas horas depois de ser noticiada esta operação policial.

O assessor jurídico do clube encarnado é suspeito de ter subornado dois funcionários judiciais, também constituídos arguidos, bem como um técnico de informática, igualmente detido no âmbito desta operação.

Estes três funcionários terão alegadamente vendido informações que se encontravam em segredo de justiça ao dirigente encarnado. A PJ tem fortes suspeitas de que acederam à rede informática Citius de forma ilegal para passar dados sobre investigações em curso relacionadas com o clube, entre elas os denominados casos dos e-mails e dos vouchers.

Segundo o Expresso apurou, o homem detido faz parte das equipas locais que dá apoio aos tribunais.

De acordo com a PJ, na investigação, iniciada há quase meio ano, averigua-se o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários.

Uma fonte da PJ revelou que os funcionários judiciais terão ligações a um instituto que gere os meios da Justiça. A SIC Notícias avança que também há um agente de futebol constituído arguido.

A operação envolveu cerca de 50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público. Foram realizadas trinta buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que "levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios", diz a PJ em comunicado.

A operação está a ser realizada pela Unidade Nacional Contra a Corrupção (UNCC) da Judiciária, que tem em mãos este e outros dossiers relacionados com o Benfica. Estarão a ser realizadas buscas no escritório de Paulo Gonçalves na SAD da Luz.

A investigação ainda não está fechada e de acordo com a PJ "prossegue com vista à continuação de recolha de prova e ao apuramento dos benefícios ilegítimos obtidos".

Paulo Gonçalves e o técnico informático vão ser sujeitos ao primeiro interrogatório judicial, que segundo a "Sábado" deverá ser realizado esta quarta-feira.

Nas últimas horas, o Expresso tem tentado falar com o departamento de comunicação dos encarnados mas até ao momento não foi possível obter qualquer reação a esta operação 'e-toupeira'.

Entretanto o clube emitiu um comunicado em que se diz disposto a colaborar com as autoridades nesta investigação.

As buscas da operação Lex

No último dia 30 de janeiro foram realizadas buscas nas instalações do clube que não se limitaram ao âmbito da Operação Lex, caso que investiga uma alegada teia de favores entre o juiz desembargador Rui Rangel e elementos da estrutura diretiva encarnada, como o presidente Luís Filipe Vieira e o vice Fernando Tavares, todos constituídos arguidos no processo.

Essa operação policial da UNCC da PJ deveu-se ao denominado caso dos e-mails, no qual Paulo Gonçalves é aliás arguido. Um segundo grupo de investigadores do crime económico entrou discretamente nas instalações do clube apenas para analisar provas relacionadas com este último dossier, naquela manhã de terça-feira de janeiro.

Recorde-se que o Ministério Público juntou os inquéritos dos emails e dos vouchers do Benfica num só processo.

O caso dos e-mails foi espoletado após as denúncias feitas pelo diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, sobre uma alegada rede de influência do Benfica sobre figuras da arbitragem e da Liga de Clubes.

Entretanto Francisco J. Marques já reagiu na sua conta do Twitter com esta frase: "A revolução começou há uns meses. Sem medo, pela verdade."

(Em atualização)