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A vacina para uma semana horribilis na Luz

Dentro de campo, houve boas notícias para o Benfica: vitória sobre o Aves (2-0) e maior pressão sobre o líder FC Porto, que só joga domingo

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CARLOS COSTA

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Por mais ou menos benfiquista que um adepto seja, é impossível fingir que esta não foi uma semana horribilis na Luz, entre detenções, buscas e acusações. Nem Rui Vitória conseguiu fugir ao tema na conferência de imprensa de antevisão do Benfica-Aves, garantindo que a equipa estava "vacinada" para "estas situações" de "ebulição" do futebol português.

E a verdade é que a "vacina" do Benfica, atualmente, é mesmo ter a bola a rolar dentro de campo (porque fora dele...), onde a equipa atravessa o melhor período da época, com seis vitórias consecutivas: ao Rio Ave (5-1), ao Portimonense (3-1), ao Boavista (4-0), ao Paços de Ferreira (3-1), ao Marítimo (5-0) e, esta noite, ao Aves (2-0).

É certo que o Benfica não fez mais do que a sua obrigação: na Luz, contra o 13º classificado, tinha de ganhar para continuar a pressionar o FC Porto, que é líder com 67 pontos, mais cinco do que os benfiquistas, ou melhor, mais dois, já que os portistas só cumprem a 26ª jornada no domingo, em Paços de Ferreira (20h15, SportTV1).

Mesmo assim, o Benfica teve de suar para ultrapassar a equipa de José Mota, bem fechada num bloco intenso que, de vez em quando, ainda parecia que ia testar Bruno Varela, porque os benfiquistas perdiam a bola e demoravam muito a impedir a contra-ataque adversário - Bruno Braga, por exemplo, assustou num remate de longe.

A diferença estava no meio-campo, onde o substituto de Pizzi - de fora por acumulação de amarelos -, João Carvalho, não esteve particularmente feliz, ao lado de Zivkovic e Fejsa. Tanto defensivamente como ofensivamente, a 1ª parte benfiquista foi pobre, o ritmo de jogo foi baixo e as oportunidades de golo escassearam - Rafa teve uma, num lance individual, mas a mais flagrante até foi do Aves, com Jardel a desviar uma bola para o poste, mas o lance acabou por ser invalidado por fora-de-jogo.

CARLOS COSTA

Só na 2ª parte o Benfica pareceu determinado a desempatar o jogo, aumentando a pressão sobre o adversário e o número de bolas perto da baliza do Aves. O primeiro sinal foi de Zivkovic, que apareceu sozinho na área adversária mas rematou ao lado. Depois, já com Jiménez em campo, por troca com João Carvalho, e o regresso ao "antigo" 4-4-2, o Benfica criou ainda mais perigo.

Jiménez ofereceu o golo a André Almeida, mas o lateral não conseguiu ultrapassar Adriano Facchini. Contudo, pouco depois, aos 72', o guarda-redes defendeu para a frente um remate exterior de Fejsa e a bola sobrou para Cervi, na área. O extremo serviu Jonas e o brasileiro só teve de encostar para reforçar a liderança da tabela dos melhores marcadores, com 30 golos (Bas Dost, do Sporting, tem 20).

Ainda antes do golo, o Aves teve a sua melhor oportunidade na 2ª parte, quando Paulo Machado, num contra-ataque, apareceu sozinho à entrada da área, mas acabou por rematar por cima.

A partir daí, com o Aves a falhar e o Benfica a marcar, só deu Benfica, até porque o 2-0 apareceu logo depois, aos 75', e matou o jogo. Num canto, Jiménez atirou para golo, Facchini defendeu, mas Rúben Dias estava no sítio certo, na hora certa, para fazer o seu terceiro golo da época - e o segundo da noite.

O Benfica mantém, assim, a pressão sobre o líder FC Porto, quando faltam oito jogos para o final do campeonato, para tentar o 'penta'... e evitar que uma semana horribilis se torne num annus horribilis.