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Largas lutas têm cem anos e 29 segundos bastam para Jiménez dar cabo delas

Em vésperas do Feirense completar um século de vida, a equipa da casa usou as suas armas (e as do seu campo) para tentar ganhar um presente frente ao Benfica. Só que o avançado mexicano não é de grandes festas: mal entrou, marcou. E ainda deu a assistência para o 2-0

Lídia Paralta Gomes

JJOSÉ COELHO/LUSA

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Este sábado era véspera de dia de festa em Santa Maria da Feira: daqui a um par de horas, o clube da terra completa 100 anos de existência. Santa Maria da Feira que, em termos de futebol, é aquilo que se chama uma “deslocação difícil”: os grandes nunca se sentiram particularmente à vontade para jogar bonito naquele relvado pesado, estreito, com as bancadas ali ao pé.

Eles, os jogadores do Feirense, são, como nos disse há dias Augusto Inácio, “jogadores à equipa do Norte”. Aguerridos, do campeonato do “antes quebrar que torcer”. Se uma bola está perto da sua baliza, essa bola é para limpar. Esta época, o Sporting só lá ganhou bem para lá dos 90’, com um penálti de Bas Dost. O FC Porto também só resolveu a questão nos últimos 15 minutos. Largas lutas (e por vezes inglórias) têm tido os cem anos do Feirense.

Ou seja, cada jogo em Santa Maria da Feira é uma batalha para ser ganha de mangas arregaçadas, com os 3 pontos na cabeça e sem olhar preceitos de beleza estética.

O Benfica estava, por isso, mais que avisado. E avisado também pelas chuvas fortes que têm assolado o Norte do país e que deixaram o relvado do Marcolino de Castro literalmente, e não apenas figurativamente, num campo de batalha.

E não foi, lá está, de forma bonita que o Benfica conseguiu vencer o Feirense por 2-0. Com Jonas em dia de desacerto, culpa de Caio Secco, dos buracos lamacentos à porta de ambas as balizas e, também, porque não, da desinspiração de quem não é obrigado a brilhar todos os dias, foi preciso esperar até meio da 2.ª parte para que a ratice de Jiménez desse cabo do aniversário do Feirense, que resistiu de forma estóica até à expulsão de Tiago Silva ainda antes do intervalo. Momento que, para lá de ter contribuído para virar o jogo, também motivou uma zaragata nas bancadas e uns petardos atirados ao campo por adeptos forasteiros.

Enfim, Portugal.

Zaragatas, petardos, as coisas que ainda acontecem nos estádios portugueses

Zaragatas, petardos, as coisas que ainda acontecem nos estádios portugueses

MIGUEL RIOPA/Getty

Isto, apenas 29 segundos após entrar. O Benfica até tinha subido o ritmo após uma 1.ª parte em que dominou, mas com poucas oportunidades (aos 33’, Rafa rematou ao poste), mas foi a perspicácia do mexicano que resolveu a luta. Aos 59 minutos, na conclusão de um contra-ataque dos encarnados, Jonas combinou com Jiménez e o ponta de lança aproveitou um corte atabalhoado de Luís Rocha para meter o pé e marcar.

O golo libertou o Benfica das amarras do campo e do Feirense. Jiménez quase marcava outra vez aos 67 minutos, num remate espontâneo que foi ao poste. Não marcando, o mexicano deu a marcar: aos 76' fez o passe acrobático no meio do duelo com a defensiva da casa, passe esse que isolou Rafa. O extremo português correu, contornou Caio Secco e rematou para a baliza. Um golo que Rafa bem procurou ao longo de todo o jogo. Às vezes parece que tem quase tudo, menos empatia com a baliza - esta noite foram duas bolas ao poste, a última já na reta final do jogo, aos 84 minutos.

Empatia para estas situações de desbloqueio parece ter Raul Jiménez, que joga pouco, mas vale muito em jogos como estes, em que são precisos "animais competitivos", como Rui Vitória chama agora aos seus jogadores. Nem todos foram, mas bastou Jiménez.