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Rui Vitória quer 11 Eusébios com "o coração a bombar e a cabeça a pensar"

O treinador do Benfica, fiel a si próprio, compareceu à conferência de imprensa de antevisão ao clássico com frases e analogias, até pegar no exemplo de Eusébio para explicar como gostaria de ver a equipa a jogar contra o FC Porto - equipa em que ainda não sabe se Jonas poderá estar

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MÁRIO CRUZ/LUSA

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Será decisivo ou não?

“Temos a noção clara que é um jogo importante para as duas equipas. Não coloco um caráter decisivo, porque nunca sabemos qual será o jogo decisivo. No final do campeonato, se calhar, vamos olhar para trás e dizer qual foi. Agora não, ainda faltam jogos e disputa de pontos. É um jogo importante, sim, mas não decisivo.

Jonas e a semana de incerteza com o melhor jogador

“Vai estar convocado e colocam-se três cenários. Se fosse hoje, possivelmente não jogaria; sendo amanhã, poderá jogar a tempo inteiro; começar no banco e depois entrar; ou não jogar de todo.”

O nosso trabalho acaba por ser tão inclusive que não estar um jogador, ou outro… Não é por aí que vamos arranjar um drama. É uma oportunidade para outro jogador trabalhar essa posição. Se o Jonas não estiver é mau para toda a gente, fundamentalmente para o espetáculo, mas não vamos estar a lamentar isso em demasia.”

A preparação para o jogo

“O que fizemos foi rotinas muito idênticas ao que tem sido o nosso trabalho. Vimos de uma série de semanas com sucesso e tratámos de todos os pormenores importantes: como o FC Porto vai atacar e defender, os jogadores importantes, preparámos isso tudo. Tratámos o adversário como um adversário difícil.

“Não senti necessidade de fazer alguma coisa de especial. Estes jogadores têm sabido sempre o que é necessário fazer perante estes adversários, nestes contextos. É preciso de cabeça e coração, é preciso ter as medidas certas nestes pratos - ter o coração a bombar e a cabeça a pensar.”

A tática e e intensidade

“Um dos requisitos para amanhã é a intensidade. Vai ser intenso do ponto de vista físico e mental, as duas equipas vão querer ganhar e prevejo essa intensidade.

Depois, a concentração, a forma como disputamos cada lance, a individualidade a prevalecer, as equipas a anularem-se mutuamente.. É isso que prevejo para o jogo. A equipa que estiver mais lúcida, tranquila e que esteja mais confortável naquilo que quer para o jogo, vai ganhar.

Temos noção que vamos defrontar uma boa equipa e ter um adversário difícil. É uma rivalidade que cresce com o apito do árbitro e estamos preparados para ela.”

Sérgio Conceição disse que o clássico nada decida

“Digo isso permanentemente. Este campeonato tem sido rico por isto, vai ser disputado até ao limite. É um jogo importante, evidentemente, mas não tem um caráter decisivo porque haverá mais quatro jornadas pela frente. Quem pensa que, ganhando o jogo, isto fica resolvido, está no caminho errado. Vai ser até ao limite.”

O foco do jogador aumenta naturalmente na sua tarefa. As equipas sabem que têm de condicionar a outra equipa e tentar atenuá-las. Não gosto de utilizar a palavra ‘guerra’, mas será um combate por cada palmo de terreno.

Há duas formas distintas de jogar, vamos tentar pôr a nossa e o FC Porto a deles em campo. Depois, este sentimento de segurança que é fundamental ter - ir para o jogo com a noção do trabalho e das conquistas recentes. Temos uma equipa experimentada neste tipo de envolvimentos e faz parte da nossa vida viver estes jogos com intensidade.”

Ganhar ou não perder?

“Não olho para nenhum jogo com essas contas. È para jogar com alegria, quando éramos crianças gostávamos de ir para um jogo e ganhá-lo. Temos noção que teremos um adversário com qualidade e virtudes que queremos controlar, mas a ideia é sempre ir à procura da vitória de forma lógica. Acredito sempre que posso ganhar e amanhã também.”

O que diria o Rui Vitória de há uns meses?

“O Rui do passado o que diria ao do presente é ‘foste sempre o mesmo Rui’. Sempre acreditei e acredito porque sei onde estou, sei a massa adepta que temos, sei da qualidade que exista aqui e da experiência. É evidente que, muitas vezes, perdes o primeiro assalto e ganhas o combate no final, na maratona às vezes começas atrás e acabas à frente. Com a experiência que tenho, sei disso.

Ainda temos pela frente adversários difíceis, mas nada muda em relação ao que era e ao que sou agora. Ainda falta viver muito campeonato."

Mais uma analogia, esta com Eusébio

“Aqui há dias estava a ver na televisão um jogo em que, há uns anos, o Benfica jogou com a camisola do Eusébio.

Amanhã temos que ser 11 jogadores que possam vestir a camisola do Eusébio e transmitam o que o Eusébio transmitia: convicção, raça, personalidade, qualidade e convicção naquilo que fazia. Para já, porque o adversário é bom e porque é um exemplo claro do que temos de fazer amanhã.”