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Os anos da maturidade 
da centenária corsa rosa

Nibali e Quintana partem como favoritos para a edição 100 do Giro

Lídia Paralta Gomes

Vincenzo Nibali conquistou a camisola rosa em 2016. Em 2017 quer repetir o feito para homenagear Scarponi…

FOTO Stringer/ REUTERS

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Quando não és nem podes ser a Volta a França, só te resta ser diferente. E é por isso que a Volta a Itália é uma espécie de irmã mais nova e traquina do Tour, a maior mas também a mais conservadora das Grandes Voltas. Sem a atenção e o mediatismo da Grande Boucle, é no Giro que estão as ideias. Como aquela de fazer um contrarrelógio entre os canais de Veneza, em 1978, ou, mais recentemente, a de começar a prova em Belfast, a mais de 2500 quilómetros de Roma.

A última ideia fora da caixa da organização da corsa rosa, cuja 100ª edição arrancou ontem em Alghero (Córsega), foi criar o prémio de melhor ciclista em descida — ou seja, os mais rápidos a descer em etapas e troços selecionados ganhariam prémios monetários e uma classificação por pontos. No fundo, o prémio de melhor trepador, mas ao contrário.

O espetáculo estaria garantido. Acontece que subir uma montanha custa muito, mas não é nem de perto nem de longe tão perigoso quanto descê-la a alta velocidade. Por isso, as críticas foram mais do que muitas, até porque o pelotão ainda chorava a morte de Chad Young, jovem norte-americano que não resistiu aos ferimentos provocados por uma queda numa descida no Tour de Gila, na última semana. Rapidamente a ideia foi abandonada. Porque o Giro pode ser traquina, mas tem cada vez mais responsabilidades.

A Volta a Itália vive por estes anos de centenário a sua era de maturidade, depois de no fim do século passado e início deste ter sido uma espécie de feudo italiano, já que os melhores do mundo apontavam baterias exclusivamente à Volta a França. No entanto, nos últimos quatro anos a prova foi sempre ganha por ciclistas de topo: Vincenzo Nibali venceu em 2013 e 2016, Nairo Quintana em 2014, e Alberto Contador em 2015. Porque os melhores procuram os grandes feitos: Contador tentou em 2015 fazer a dobradinha Giro-Tour, algo que ninguém consegue desde 1998 (Marco Pantani). Em Itália as coisas correram bem, mas o espanhol falhou em França. Este ano, é a vez de Quintana tentar ganhar as duas provas. O colombiano é um dos favoritos, ao lado de Nibali, que venceu a última edição e tem toda a pressão para chegar no dia 28 a Milão com a camisola rosa. Porque é italiano, porque esta é a 100ª edição do Giro e porque quer honrar a memória do amigo Michele Scarponi, vencedor de 2011, que morreu atropelado há duas semanas, precisamente enquanto treinava para o Giro.

Rui Costa em estreia

Além de Quintana e Nibali, há mais uma mão cheia de ciclistas com pretensões no Giro. A começar pelo francês Thibaut Pinot, que abandonou o ‘seu’ Tour por um Giro que é mais aberto. Os holandeses Tom Dumoulin e Steven Kruijswijk surgem num segundo plano, ao lado da liderança repartida da poderosa Sky, que leva Mikel Landa e Geraint Thomas a Itália. 
O Giro do centenário marca também a estreia de Rui Costa na primeira das três Grandes Voltas. O português da Team UAE trocou o Tour pelo Giro, onde deverá estar na luta por etapas. José Mendes (Bora) e José Gonçalves (Katusha) completam o contingente nacional em prova.