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Tour: Démare foi “herói” e Sagan o “vilão” num final dramático que levou Cavendish ao hospital

Cavendish acabou a etapa no hospital depois de uma queda a escassos metros da meta, a que não foi alheia a trajetória de Sagan para ganhar posição no sprint. Arnaud Démare foi o grande vencedor do dia

FILIPA SILVA

LIONEL BONAVENTURE

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O campeão francês, Arnaud Démare (FDJ), foi o vencedor da quarta etapa do Tour 2017, conquistando o seu primeiro triunfo na prova. Há largos anos que a França não reclamava uma vitória num final ao sprint.

Mas a etapa que ligou Mondorf-les-Bains, no Luxemburgo, a Vittel, na França, fica marcada por uma queda muito violenta de Mark Cavendish (Dimension Data), a escassos metros do final, quando os corredores seguiam a mais de 60 quilómetros/hora.

Peter Sagan procurou chegar à dianteira do sprint cruzando caminho da esquerda para a direita e acabou por “entalar” Cavendish que não conseguiu evitar as placas publicitárias, foi projetado, caiu ao chão e ainda foi atropelado por outro corredor.

De acordo com informações da equipa, cavendish foi para o hospital para avaliar a sua condição de saúde. Mazelas no corpo, e muito provavelmente na mão e no ombro são seguras.

Sagan, mal cortou a meta, foi ter com a comitiva da Dimension Data para pedir desculpa pelo sucedido. Aos jornalistas garantiu que não houve no gesto qualquer intencionalidade. “Não sabia que o Mark estava a entrar pela direita, foi tudo muito rápido e não tive tempo de reagir. Não é bom cair assim”, declarou.

As imagens parecem mostrar que o eslovaco, vencedor da etapa de ontem, usou o braço direito para ganhar posição e pode ter sido esse gesto a determinar a queda de Cavendish. Se assim o entender o colégio de juízes, pode mesmo ser afastado da competição.

Até que haja decisão, temos o segundo posto do dia com Peter Sagan e o terceiro para Alexander Kristoff.

Cavendish ainda cortou a meta em cima da bicicleta.

Cavendish ainda cortou a meta em cima da bicicleta.

Chris Graythen

Do aborrecimento ao estremecimento

A etapa 4 do Tour foi bastante tranquila, tão flat quanto a paisagem que a dominou. Van Keirsbulck (Wanty – Groupe Gobert) foi o homem em evidência ao longo da etapa numa fuga a solo que durou 190 quilómetros, até ter sido alcançado a pouco mais de 15 quilómetros da meta. Ficou com o prémio da combatividade.

Até ao final, o pelotão acelerou e com o estreitamento da estrada as equipas dos principais favoritos estavam com dificuldades em colocar os seus corredores na frente. Na aproximação à meta, as retas deram lugar a curvas com consequências a cerca de 2 quilómetros de chegada, numa primeira queda a envolver vários corredores.

A mais arrepiante estava guardada para o fim, quando a escassas centenas da meta Cavendish acabou envolvido numa queda aparatosa cujas consequências estão ainda por conhecer.

Na geral, Geraint Thomas (Sky) manteve a amarela, mas vê Peter Sagan a subir ao segundo posto, colocando-se a 7 segundos do líder. Froome segue na mesma, mas um posto abaixo: é terceiro com 12 segundos de desvantagem para o colega de equipa.

Nas camisolas, mudança na dos pontos que passa de Sagan para Arnaud Démare, vencedor da etapa de hoje.

Amanhã, quarta-feira, disputa-se o primeiro grande teste do Tour numa entapa entre Vittel e Las Planches des Belles Filles. Os últimos 60 quilómetros são os mais duros já experimentados pelas pernas dos corredores até aqui, envolvendo uma subida de terceira categoria e uma de primeira categoria instalada na meta. A última pendente antes da meta chega aos 20% de inclinação. É a hora dos candidatos à vitória na geral dizerem “presente”.