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Porte teve queda brutal, Froome reforçou a amarela e Aru deu que falar. A etapa rainha do Tour teve sangue, muito suor e lágrimas

Richie Porte sofreu um despiste violento e abandonou o Tour. Froome foi sucessivamente atacado e teve de lutar muito para manter a amarela. Barguil ficou a milímetros da terceira vitória francesa do Tour e acabou a chorar. Ganhou Uran Rigoberto, agora quarto na geral. Contador e Quintana ficaram para trás.

JEFF PACHOUD

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Rigoberto Uran (Cannondale) venceu, este domingo, a etapa mais dura do Tour 2017. Uma etapa dramática, cheia de episódios que alimentarão conversas futuras.

Uran, que se estreou a ganhar no Tour, só soube da vitória quando se dirigia para a caravana da equipa. A disputa foi ao sprint e só o 'photo finish' permitiu perceber que a sua roda tinha cortado a meta primeiro do que a de Barguil (Sunweb).

O francês, que foi primeiro no topo do Grand Colombier e no Mont du Chat, duas das três contagens de categoria especial do dia, estava inconsolável no final. Ficou contudo com o prémio da combatividade e com a camisola da Montanha. A etapa escapou por milímetros.

Chris Froome (Sky) teve um dia muito difícil. Perdeu Geraint Thomas na descida do Col de la Biche (primeira contagem especial do dia). O primeiro camisola amarela deste Tour desistiu na sequência de uma queda.

Depois, já na subida ao Mont du Chat, com a meta ainda a 32 quilómetros de distância, o britânico levantou o braço, a sinalizar um problema mecânico e Fabio Aru (Astana) não hesitou: atacou o camisola amarela que ficou em apuros.

Quintana seguiu na roda do campeão italiano e ainda sairam Porte e Martin, mas o grupo hesitou em aproveitar o azar de Froome e o líder, com a ajuda da equipa, conseguiu recolar, para fastio de Aru.

Não há regra escrita que impeça ou condene o gesto de Fábio Aru. Greg Lemond, o histórico ciclista norte-americano que comenta o Tour para a Eurosport, não viu na atitude nada de criticável. A verdade é que os ciclistas fizeram um compasso de espera e Froome aproveitou para voltar a juntar-se ao mini-pelotão, com todos os rivais a bordo.

Contador foi o primeiro a ceder

Mas as dificuldades do líder não iam ficar por aqui. Os companheiros da Sky foram caindo uns atrás dos outros até que Froome ficou para tomar conta de si e da amarela que veste há quatro dias.

Fulgsang (Astana) decidiu atacar na subida do Chat, onde se deu bem no Dauphiné deste ano, e ganhou alguma vantagem. Na frente da corrida era Barguil quem já tinha deixado Gallopin para trás e seguia rumo ao topo da montanha.

Entre os favoritos, Contador, que teve uma queda na subida do Grand Colombier, foi o primeiro a ceder. Um pouco à frente, Richie Porte (BMC) e Fábio Aru (Astana) tentavam sair, mas Froome, mesmo que a custo, conseguiu sempre manter a sua roda alinhada com a dos adversários.

Foi a vez de Nairo Quintana ficar para trás (Movistar). Froome apanhou Fulgsang e o grupo seguiu com Porte, Bardet, Aru e Uran Rigoberto. Daniel Martin (Quick-step) também se juntou.

À passagem do Mont du Chat, Barguil levava só 10 segundos de vantagem. E vinha aí algo que os especialistas já tinha descrito como uma das maiores dificuldades do dia. Uma descida rápida, cheia de curvas e muito perigosa.

Queda brutal de Porte

É nessa descida que acontece outro dos momentos marcantes da etapa 9: na tentativa de cortar uma curva, Richie Porte acaba por sair para a berma e perde o controlo da bicicleta. O australiano foi projetado junto ao solo, no asfalto, até embater contra a encosta do outro lado da estrada. Ficou imóvel, foi de imediato assistido e levado de ambulância para o hospital. Ao varrer o chão, ainda levou consigo Daniel Martin, mas o irlandês voltou ao selim e seguiu caminho. Viria a cair uma segunda vez na descida, mas chegou ao final no grupo de Quintana.

O estado de Richie Porte ainda não é conhecido.

O estado de Richie Porte ainda não é conhecido.

PHILIPPE LOPEZ

Da BMC a notícia é a de que se aguarda um diagnostico clínico, mas é certo que um dos grandes favoritos à vitória final está fora do Tour 2017.

Na geral, houve muitas mexidas. Fábio Aru é agora segundo, a 18 segundos de Froome; Romain Bardet, que na descida descolou do grupo de favoritos e só foi apanhado a 2 quilómetros da meta, instalada na ‘casa’ da AG2R, é agora terceiro a 51 segundos.

Rigoberto Uran ascendeu ao quarto lugar e é o último com uma distância abaixo do minuto: 55 segundos. Daniel Martin é agora 6º e Nairo Quintana 8º. Com 2’13 de distância para Froome, o colombiano pode ter dito adeus à vitória.

Para Contador, só um milagre: o espanhol perdeu mais de quatro minutos na etapa e está agora a 5’15 da liderança.

O português Tiago Machado (Katusha) está na 57ª posição, a 47’32 da liderança.

Hora de descanso

Cumpridos nove dias de Tour, o pelotão tem ordem de descanso esta segunda-feira. Os corredores regressam na terça-feira para uma etapa que mais parece um passeio comparada com aquela que se desenhou para este domingo. Entre Périgueux e Bérgerac, há 178 quilómetros para fazer com apenas duas contagens de 4ª categoria pelo caminho. É esperada uma chegada ao sprint.