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Tour: O espetáculo segue dentro de momentos. O que há para ver?

O pelotão emagreceu. Froome ficou sem Thomas. O Tour ficou sem Porte, mas ganhou Aru e Bardet. E Uran e Martin. Quintana e Contador é que parece que já lá não chegam. Até aos Campos Elísios ainda há muito para trepar. E para ver. Saiba o quê.

FILIPA SILVA

Chris Graythen

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Chris Froome está de amarelo há quatro etapas, mas manter a liderança não têm sido favas contadas. O britânico, chefe de fila da Sky, ainda não claudicou – apesar de não ter sido melhor que Aru em La Planches des Belles Filles – mas passou o caos de Chambéry na liderança, e teve de suar muito para o fazer.

Perdeu Geraint Thomas, que era só o segundo da geral, e ainda há muito Tour para fazer, mas também é verdade que perdeu um dos principais adversários: Richie Porte (BMC). O australiano sofreu uma queda grave, partiu a clavícula, mas diz que já se sente melhor. Melhor e até “com sorte” depois de ter visto as imagens da sua queda de domingo na descida do Mont du Chat.

Ao fim de nove etapas também já é possível perceber quem vem na roda de Froome e quem parece estar a descolar do pelotão da frente. Nesta altura, é Fábio Aru (Astana) e Romain Bardet (AG2R) os que parecem em melhores condições de contestar o “tri” de Froome.

JEFF PACHOUD/GETTY IMAGES

Aru parece o mais irreverente até aqui. Deixou Froome para trás rumo à vitória em La Planche des Belles Filles e voltou a desafiar o líder na subida ao Mont du Chat, quando Froome dava sinal de precisar de trocar de bicicleta. No final, nem um nem outro deram nota de ter reparado no que ali se passou. O duelo segue no asfalto.

Bardet diz que nunca se sentiu tão bem ao fim da primeira semana, mas pede prudência. Ainda há muita Volta para fazer e Froome continua a ser quem vai na frente, além de que o britânico partirá sempre em vantagem para o contra-relógio que fechará as contas da geral, na penúltima etapa. Resta-lhe a confiança que a equipa tem transmitido. A AG2R tem estado à altura do seu líder.

Rigoberto Uran, com uma fantástica vitória em Chambery, fecha o grupo dos que têm menos de um minuto de desvantagem para Froome. O ciclista da Cannondale tem fama de relaxado, mas esse pode bem ser o seu grande trunfo.

Quintana perdeu mais de um minuto na etapa 9 do Tour.

Quintana perdeu mais de um minuto na etapa 9 do Tour.

Chris Graythen

No capítulo dos menos convincentes, há que integrar Nairo Quintana que já leva mais de 2 minutos de desvantagem. O colombiano assume que já está feliz por prosseguir em prova e ainda fala no pódio, mas as suas hipóteses, tendo em conta o seu poder de ataque neste momento, parecem curtas.

E se Quintana está mal, Contador está pior. A etapa 9 arrumou com as aspirações do espanhol, que tem agora mais de 5 minutos para Chris Froome. Terá sido o adeus de Contador aos títulos no Tour?

Pelo demonstrado até aqui, Fulgasang, Daniel Martin e Simon Yates, respetivamente 5º, 6º e 7º classificados, são homens para dar trabalho ao líder e aos que já se sintam com um pé no pódio.

Dois dias flat antes de voltar à montanha

Depois deste dia de desacanso, será interessante ver como reagem os corredores. Uns gostam mais do que outros de parar, muito embora este domingo, depois de três contagens especiais, não houvesse resistente do pelotão que não usasse o Twitter a dar graças pelo dia seguinte ser de paragem.

Para se ter uma ideia dos danos causados pela etapa 9, até lá tinham saído do Tour cinco corredores, um dos quais por expulsão. A etapa 9 sozinha provocou 13 saídas de prova. Cinco desistiram, sete não chegaram dentro do limite do tempo – entre os quais o campeão francês e vencedor da quarta etapa Arnaud Démare (FDJ) – e um acabou por anunciar a saída esta segunda-feira: Rafal Majka.

Do que falta ver, é de marcar no calendário a etapa 12, na próxima quinta-feira, a ligar Pau a Peyragudes. É a etapa mais longa nos Pirinéus – mais de 210 quilómetros - e tem uma contagem especial em Port de Balés (11,5 Km a 7,7%).

A 19 de julho, o pelotão chega ao maciço dos Alpes, na punúltima oportunidade para aqueles que têm na montanha um terreno de ataque. A jornada entre La Mure e Serre-Chevalier tem duas contagens especiais: o Col de la Croix de Fer, um clássico, e o Col du Galibier, de volta ao fim de seis anos, o ponto mais alto do Tour deste ano, a 2.642 metros de altitude.

A última etapa de montanha do Tour faz-se entre Briançon e o Izoard. Um dos três finais em subida este ano e que é também uma novidade. Até ao mítico Izoard são 14,1 Km a 7,3% e os últimos 10 quilómetros são com uma pendente média de 9%. Cansado? Pois claro. É a 20 de julho.

O contra-relógio de sábado, 22, que parte e chega ao Velodrómo de Marselha, será decisivo mas o essencial já se terá percebido.

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