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Há lodo na Sky

No Dia da França ganhou um francês, mas foi de novo a Sky a dar que falar. Afinal, Landa está com Froome? E Froome está com Landa? E a equipa está com quem? No dia em que Contador e Quintana voltaram a dar um ar da sua graça, fica a segurança de que o Tour vive um admirável mundo novo de incerteza.

FILIPA SILVA

JEFF PACHOUD

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A polémica leva 24 horas e está para durar. Nos metros finais da chegada a Peyragudes, Landa deixou o líder da equipa - e da Volta até essa altura - a definhar na pendente e foi à procura de uma bonificação na etapa.

À chegada ao autocarro, Nicolas Portal, questionou o espanhol. Mais tarde, o diretor desportivo da Sky garantiu que não tinha repreendido Landa e Landa sentiu-se à vontade para brincar com o assunto no Twitter, colocando uma foto em que simula uma reunião de equipa de contornos mais dramáticos.

À partida de Saint-Girons, esta sexta-feira, não se fala de outra coisa. E apesar da etapa ser curta - a mais curta extraindo os contra-relógios - os 100 quilómetros até Foix foram suficientes para apimentar o romance.

Logo no ataque à primeira das três contagens de montanha do dia, Landa deixou o pelotão e fugiu na roda de Contador. De orgulho ferido pelos mais de sete minutos que leva de desvantagem na geral, o “pistoleiro” parecia determinado a fazer boa figura hoje. O compatriota Landa foi na conversa e os dois fizeram 3º e 4º na primeira contagem.

Daí passaram para a frente da corrida, que não mais abandonaram, tendo Quintana e Barguil alcançado os dois já no topo do Mur de Péguères, a terceira e última montanha do dia.

Landa chegou a ser camisola amarela virtual da corrida, conseguindo com Contador mais de 2’40 de vantagem. Froome é que não pareceu muito disposto a dar a mão ao colega de equipa.

Quando chegaram as pendentes mais exigentes do dia, aquelas em que a bicicleta de Froome tem “atascado”, desta vez o britânico quis mostrar força. Nos últimos quilómetros da subida ao Péguères, com o grupo da frente a 2’30 de distância, o camisola 1 atacou um par de vezes. A descer fez o mesmo.

É certo que Uran, Bardet e Martin também fizeram as suas tentativas, mas foram as de Froome que mais encurtaram distâncias para a frente. E lá à frente, o melhor classificado da geral era Landa e se a ascensão do espanhol na geral parecia inevitável, Froome ajudou a minimizá-la.

Certo é que Landa sai de Foix com o quinto lugar da classificação, a apenas 1’09 do líder Aru. Fica a sensação de que algo vai mal no reino da Sky.

A ajudar à intriga, o facto de Mikel Landa ter dado a entender no Giro que viria ao Tour quando preferia correr a Vuelta e o facto do basco estar em final de contrato com a Sky, não faltando quem assuma vontade de o ir buscar. Lembrança de Froome-Wiggins 2012? Para já, a comparação é exagerada porque não há, como nessa altura houve, uma "guerra" declarada. Mas fica o convite a seguir os próximos episódios.

Este homem é uma montanha

Da etapa 13 da Volta à França fica, claro está, Warren Barguil. O “rei” da montanha foi o primeiro a cortar a meta em Foix e logo no Dia Nacional de França - foi o quarto francês a vencer uma etapa este ano.

Barguil com Quintana na roda em mais uma escalada do Tour.

Barguil com Quintana na roda em mais uma escalada do Tour.

Chris Graythen

O que o corredor da Sunweb tem conseguido neste Tour é uma montanha em si. Barguil anda quase sempre em fuga, em busca de todos os pontos que pode somar para defender a mítica camisola das bolas vermelhas. Esta sexta-feira, foi segundo em Latrape, terceiro no Col d’Agnés e primeiro no Mur de Péguères, além de primeiro na meta. Já no domingo tinha sido o melhor no Grand Colombier e no Mont du Chat.

É mais uma certeza de uma jovem geração francesa, onde se juntam Romain Bardet, Arnaud Démare ou Lilian Calmejane só para citar vencedores de etapa desta edição do Tour.

Aru de amarelo mas sem Fulgsang

Aru vestiu de amarelo pelo segundo dia consecutivo e não cedeu em nenhum momento da etapa - uma etapa muito viva como se estava à espera.

Mas se essa é a boa notícia, há outros aspetos menos positivos: o primeiro é que o líder da geral não tem equipa para o acompanhar na montanha - as dores derrotaram Fulgsang, que desistiu a meio da etapa de hoje; a segunda é que o Tour deste ano está tão em aberto que há muita gente a acreditar. Os cinco primeiros da geral têm pouco mais de um minuto a distanciá-los. Defender a amarela nessas condições não é tarefa fácil.

Este sábado, a Volta vai continuar pelos Pirinéus mas num grau de dificuldade muito inferior ao experimentado nestes dias. O pelotão andará a baixa altitude em boa parte da etapa e vai encontrar no último terço duas contagens de terceira categoria. Uma chegada em fuga é o cenário mais provável.

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