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Tour: O espetáculo vai terminar (bem que não queríamos). O que não pode perder até Paris

Quatro homens separados por 30 segundos. As longas subidas dos Alpes. A corrida contra o relógio em Marselha. Dias faltam só seis, mas motivos de interesse no que resta deste Tour são muitos mais.

FILIPA SILVA

JEFF PACHOUD

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O Tour vai entrar na terceira e última semana com tudo em aberto. Froome, Aru, Bardet e Uran chegam a esta fase separados por apenas 29 segundos. Parece pouco, muito pouco, mas cada segundo neste cenário é uma verdadeira montanha.

Chris Froome não está tão forte como nas edições anteriores. Sobretudo parece não estar inclinado para as pendentes mais agressivas. Tem a seu favor o facto de ser o melhor contra-relogista do grupo dos favoritos – e as contas deste tour fecham com um contra-relógio no sábado - e ter aquela que é de longe a melhor equipa do pelotão. Nisso a etapa deste domingo foi ilustrativa.

Froome voltou a ter problemas mecânicos – como já tinha acontecido em Chambéry – e foi o trabalho de equipa que lhe garantiu a manutenção da amarela: Kwiatowski deu-lhe a roda; Henao e Nieve rebocaram-no e Landa ficou para trás do grupo dos favoritos para terminar a missão de fazer reentrar o líder. Nenhum outro ciclista do pelotão goza de tamanho serviço de luxo.

Mikel Landa reconhece que Froome é o líder, mas a forma do espanhol tem dado que falar.

Mikel Landa reconhece que Froome é o líder, mas a forma do espanhol tem dado que falar.

Chris Graythen

Pelo contrário, Fabio Aru, que já andou de amarelo nesta volta e está a escassos 18 segundos do líder, está por conta própria. Depois das saídas de Dario Cataldo e Jakob Fulgsang na sequência de quedas, o líder da Astana ficou completamente isolado. E se na primeira semana o campeão italiano deu provas de ser quem estava mais à vontade na montanha, nos Pirinéus já ficaram mais dúvidas.

Romain Bardet, que fecha atualmente o pódio, nem quer ouvir falar do contra-relógio de sábado. O seu foco está onde o francês mais se evidencia. Ainda há duas etapas nos Alpes e Bardet promete encará-las como se de clássicas se tratassem. Joga em casa e tem uma equipa que fez um belo trabalho na segunda semana de Tour.

Rigoberto Uran é outro lone wolf, mas olhando ao perfil do colombiano isso nem parece problema. O mais relaxado do top quatro já mostrou nervos de aço e com margens tão curtas entre os favoritos, a paciência pode bem ser o fator mais decisivo.

Paciência, pernas e discernimento na tomada de decisões. A haver um “caldinho mágico” para o que falta de tour, dir-se-ia que estes serão os ingredientes mais importantes.

Vêm aí os Alpes

Daqui até sábado há três momentos-chave para os favoritos: as etapas de quarta e quinta-feira nos Alpes e o contra-relógio de sábado em Marselha.

Contando que Froome leva vantagem no contra-relógio, resta a quem sonha com a amarela dois dias para atacar.

Na quarta-feira, a não perder, uma etapa que inclui duas das subidas mais icónicas do Alpes: o Col de la Croix de Fer e o Galibier, seis anos depois da última passagem por aquele ponto que é este ano o mais alto do programa, a 2642 metros de altitude.

As duas distinguem-se do que o pelotão enfrentou até aqui pela grande extensão: 24 quilómetros no caso do Col de la Croix de Fer e 17,7 no caso do Galibier. A meta não está instalada na subida, mas a 21 quilómetros desta contagem especial. Até à chegada é quase sempre a descer.

Na quinta-feira, ainda a alta montanha e um dos três finais em subida do Tour deste ano. Fala-se numa paisagem de perder a respiração e, sobretudo para os corredores, não será para menos. Até ao Izoard são 14,1 Km a 7,3% de pendente média. Os últimos sete quilómetros são mesmo para doer.

E Marselha

No sábado, já se disse, os favoritos jogam a última cartada num contra-relógio de 22 quilómetros com partida e chegada marcadas ao Velodróme de Marselha. No interior do estádio são esperados 67 mil espectadores o que, a acontecer, fará dessa a maior assistência do Tour num só local.

Nota ainda para as classificações da montanha e dos pontos. Warren Barguil é o homem da icónica camisola das bolas vermelhas e se continuar como até aqui não vai ser difícil subir ao pódio em Paris com ela no corpo.

Barguil com Quintana na roda. O francês tem sido incansável na montanha.

Barguil com Quintana na roda. O francês tem sido incansável na montanha.

Chris Graythen

O corredor, que há três meses estava numa cama de hospital depois de uma queda grave no Tour da Romandia, está muito perto de garantir a camisola; Uma boa classificação em algumas das grandes subidas que ainda estão em jogo bastará.

Na verde, com as cinco vitórias de Kittel tudo parecia correr de feição ao alemão, mas Michael Matthews ainda não atirou a toalha ao chão e vendo as dificuldades que o corredor da Quickstep tem apresentado na montanha, parece que o australiano ainda tem chances.