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Caldeira vence à milésima, Alarcon mantém a amarela e Edgar Pinto volta a cair numa etapa muito confusa no final

Samuel Caldeira venceu ao sprint em Castelo Branco por uns magros 10 milésimos de segundo. Etapa muito marcada pelo calor acabou mal para muitos corredores que se viram envolvidos em quedas já bem perto da meta. Edgar Pinto, Rui Vinhas e João Benta foram alguns dos lesados.

FILIPA SILVA

Samuel Caldeira ganhou por milésimos de segundo a 2ª etapa da Volta a Portugal.

79ª Volta a Portugal em Bicicleta

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O sprinter de serviço da W52-FC Porto, Samuel Caldeira, foi o grande vencedor da segunda etapa da 79ª Volta a Portugal, que este domingo ligou Reguengos de Monsaraz a Castelo Branco.

Foi a primeira vitória do português na prova, motivo que levou o corredor às lágrimas já depois de ultrapassada a meta. Mas foi preciso o photo finish para validar a vitória de Caldeira sobre Antonio Parrinello (GM Europa) por uns escassos 10 milésimos de segundo.

O final da etapa ficou marcado por uma enorme confusão nos três quilómetros finais. Depois de apanhado o último resistente de uma fuga que durou desde os primeiros quilómetros, o pelotão lançou-se para uma previsível chegada ao sprint.

O problema foram as quedas. A primeira a envolver o vencedor do ano passado, Rui Vinhas da W52-FC Porto, o seu colega de equipa Ricardo Mestre e também João Benta da RP-Boavista.

Mas a mais grave aconteceu depois, com Edgar Pinto (LA-Metalusa), com um passado marcado por várias quedas e fraturas, a não fugir a novo azar. Também alguns corredores da Efapel foram envolvidos, como Henrique Casimiro e Rafael Silva.

As quedas provocaram cortes no pelotão que chegou com pouco mais de uma dezena de elementos à meta. Entre eles, o camisola amarela Raul Alarcon que foi até quem lançou o sprint de Caldeira.

Mantém-se, assim, o espanhol de amarelo. Resta saber como fica afetada a classificação geral.

À hora de fecho deste artigo, as contas estavam ainda a ser feitas pelo colégio de comissários da prova. O facto das quedas mencionadas terem ocorrido dentro dos últimos três quilómetros, tendo afetado alguns dos candidatos à geral, pode levar a que se decida manter a classificação da amarela tal qual estava à saída de Reguengos de Monsaraz.

Certo é para já que Alarcon volta a sair amanhã de amarelo e que mantém a camisola dos pontos, a qual será de novo transportada por Samuel Caldeira, segundo na classificação.

Oscar Rodriguez (Euskadi) mantém a camisola da juventude, ao passo que Roy Goldstein, que andou quase toda a etapa em fuga, assume a camisola azul, da montanha, por troca com César Fonte (LA Metalusa).

A etapa deste domingo, a mais longa do calendário da 79ª Volta a Portugal, ficou marcada pelas temperaturas muito altas - a superar os 40 graus na fase final. Uma fuga de 10 ciclistas, aos 9 quilómetros, durou até à entrada de Castelo Branco, onde o último resistente, Travis Samuel, foi apanhado.

A fuga chegou a ter mais de 5 minutos de vantagem para o pelotão, tendo João Matias (LA Metalusa) como virtual camisola amarela durante boa parte da etapa. A equipa do camisola amarela, a W52-FC Porto, foi quem mais teve de lutar pela anulação da fuga, mas foi a Armée de Terre, no último quarto da etapa, a dar o impulso que faltava para alcançar os fugitivos.

Para esta segunda-feira, a caravana da Volta segue para o Norte do país. A terceira etapa vai ligar Figueira de Castelo Rodrigo a Bragança, num percurso sinuoso de 162,7 quilómetros, e mais difícil face ao das duas primeiras etapas.

A maior dificuldade do dia surgirá aos 80 quilómetros de prova, com a escalada à Serra de Bornes, uma contagem de segunda categoria, isto já depois de duas contagens de terceira categoria aos 29 quilómetros em Vila Nova de Foz Côa e aos 46 em Torre de Moncorvo.