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Vuelta: e tudo o vento condicionou… Etapa e liderança para a Quick-step

Etapa longa e plana marcada pelo nervosismo do pelotão. Yves Lampaert e a Quick-step são os grandes vencedores do dia. O belga sai de camisola vermelha amanhã, naquela que será a primeira etapa de alta montanha da Vuelta.

FILIPA SILVA

Yves Lampaert festeja a primeira vitória numa grande volta com o companheiro de equipa Matteo Trentin logo atrás.

JAIME REINA

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O pelotão saiu para a estrada avisado. A segunda etapa da Volta a Espanha, com mais de 200 quilómetros em terreno plano perto do mar, estava destinada a ter o vento como protagonista.

Alberto Contador advertia à partida que numa etapa destas se podia perder mais tempo do que na subida ao Angliru. Froome, por sua parte, mostrava-se convicto que o pelotão ia partir. Faltava saber onde e com que consequências.

A verdade é que, com muito esforço, o pelotão conseguiu manter-se compacto ao longo de praticamente toda a etapa e de uma forma até inusitada. Tirando um ou outro ataque dentro dos primeiros cinco quilómetros, não houve lugar a qualquer fuga.

A 30 quilómetros da meta, à chegada ao único sprint intermédio da etapa, a Quick-step dava os primeiros sinais de que queria ganhar este domingo. Matteo Trentin foi o primeiro a passar, mas era Daniel Oss da BMC que com o terceiro lugar e a respetiva bonificação do sprint, envergava a virtual camisola vermelha.

Daí até à meta o pelotão continuou a rolar a grande velocidade, tendo sido a Sky, com a ajuda do vento lateral, a conseguir produzir alguns cortes já dentro dos últimos 10 quilómetros.

Na aproximação à chegada, a Quick-step tomou a dianteira e foi já no último quilómetro que Yves Lampaert acreditou e saiu para à frente reclamar a sua primeira vitória numa grande volta. Não se ficou por aí. Conquistou ainda a camisola vermelha e a verde, com o companheiro de equipa, Trentin, a ficar na segunda posição da etapa e da geral, com um segundo a mais que o belga.

Nota para mais uma vitória da Quick-step que este ano não se tem fartado de festejar nas grandes voltas, somando a vitória de hoje a cinco vitórias no Giro e a outras tantas no Tour.

Quanto aos favoritos à vitória na classificação geral, a etapa de hoje não causou pânico, mas Chris Froome ainda apanhou um susto. A 65 quilómetros da meta, o líder da Sky teve de parar para mudar uma roda. A verdade é que daí não resultou qualquer perda porque, coincidência ou não, o pelotão abrandou nessa fase e o britânico reentrou sem problemas.

No final, e ainda no capítulo dos favoritos, destaque para Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) que ganhou 8 segundos a Chris Froome (Sky) e Esteban Chaves (Orica) que recuperou 3. Fabio Aru (Astana), Rafal Majka (Bora) e Rui Costa (UAE Emirates) chegaram com o mesmo tempo do britânico, isto é, a 8 segundos do vencedor da etapa.

Já Romain Bardet (AG2R) e Alberto Contador (Trek) voltaram a ser mais lentos. O espanhol precisou de mais 5 segundos do que Froome para cortar a meta. Está agora a 31 segundos do vencedor do Tour na geral, onde Froome é de momento nono classificado.

Nélson Oliveira continua a ser o melhor português na geral, com 41 segundos de atraso para o líder. Rui Costa está a 59 segundos de Lampaert. Segue-se Ricardo Vilela (1’10), José Gonçalves (2’23) e Rafael Reis (8’28).

Desta jornada tensa entre o pelotão, resultaram ainda os primeiros três abandonos da corrida, vitimas de quedas; e imagens que ajudam a contar a história da jornada, como este momento de neutralização da corrida para… deixar passar o comboio.

Ao terceiro dia, a montanha

E à terceira etapa, o pelotão muda de terreno e tem pela frente a primeira etapa de alta montanha. A caravana sai ainda de território francês, passa por Espanha e acaba em Andorra. Mais precisamente em Andorra La Vella.

Os corredores começam o dia a subir, logo para uma contagem de primeira categoria, instalada no Col de La Perche, e descem até ao quilómetro 99. Seguem-se duas contagens de montanha, nos últimos 50 quilómetros. Primeiro, nova contagem de primeira categoria, já em solo andorrano, no Coll de la Rabassa (13.3 km de subida a 6.8% de pendente média) e depois numa subida curta mas muito dura no alto de La Comella (4,3 Km a 8,6%).

A etapa não termina em alto, descendo de La Comella em direção a Andorra La Vella, sendo plano o último dos 158 quilómetros da etapa.