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Se o dia de Van Garderen foi para esquecer, o de Contador serve para nos lembrar a falta que ele vai fazer. Mas quem ganhou foi Markzynski

Tomasz Marczynski (Lotto-Soudal) foi o vencedor do dia em que o norte-americano Tejay Van Garederen sofreu duas quedas e um furo e em que Alberto Contador vestiu a pele de agitador na última subida da jornada. Froome está sólido, Vilela esteve em bom plano e José Gonçalves está fora.

FILIPA SILVA

Markzynski venceu a sexta etapa da Volta a Espanha

JAIME REINA

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Não houve lugar para o aborrecimento na sexta etapa da Volta a Espanha, apesar dos mais de 200 quilómetros que o pelotão teve de percorrer entre Vila-real e Sagunt. No final, Tomasz Marczynski, da Lotto-Soudal, foi o homem do dia.

O polaco discutiu a vitória da etapa ao sprint com o compatriota Pawel Poljanski (Bora) e o espanhol Enric Mas (Quick-step), num trio que se formou na subida ao Puerto de Garbí, o momento mais animado da etapa desta quinta-feira.

Foi aí, nessa segunda categoria – quinta e última subida da jornada -, que se estilhaçou a grande fuga do dia, uma fuga que se formou ao quilómetro 40 e que chegou a ter 37 corredores. Entre eles, Luís Leon Sanchez, que tinha pouco mais de 3 minutos para o líder, além de boas hipóteses de discutir a etapa, o que deixou a Sky em sentido, a manter as devidas distâncias.

Mas não foi a Sky quem verdadeiramente mudou o sentido da corrida. Foi, sim, Alberto Contador. O espanhol da Trek já ontem tinha dado nota de ter colocado para trás o mau-estar que o limitou nos Pirinéus e hoje voltou a vestir a pele de agitador da corrida.

Contador sacudiu e Froome seguiu na roda. Além do britânico, mantiveram-se à “tona” Tejay Van Garderen (BMC), Jan Polanc (UAE Emirates) e Carlos Betancur (Movistar). Desta vez, Esteban Chaves não conseguiu responder e o colombiano da Orica ainda não tinha falhado uma chamada. Ficou para trás, como Nibali e Aru.

Enquanto lá à frente Markzynski e Mas se chegavam à frente da corrida, Contador ia causando estragos entre os favoritos. À cena de ação somou-se uma de drama com o norte americano Tejay Van Garderen (BMC) como protagonista. Ele que estava a dar nota de estar em condições de defender a segunda posição da geral, desequilibrou-se e caiu. Betancurt não evitou o choque. Ficaram ambos para trás.

Contador, Froome e companhia passaram o Puerto de Garbí com cerca de 20 segundos de vantagem para Chaves, Aru e Nibali, mas na longa descida que se seguiu, os dois grupos haviam de se voltar a juntar e foi aumentando à medida que se reuniam despojos da fuga do dia.

Mas antes que isso acontecesse ficou a ideia de que Froome podia ter hoje conquistado tempo precioso para a geral. Tivesse ele ajudado mais Alberto Contador. Se não o fez por estratégia ou incapacidade, é assunto que fica por esclarecer.

É já o segundo dia em que Contador puxa pelo camisola vermelha.

É já o segundo dia em que Contador puxa pelo camisola vermelha.

JAIME REINA

De todo o modo, o líder da Sky terminou o dia de vermelho e sem dar sinais de fraqueza.

Atrás de si está agora Esteban Chaves (Orica), a 11 segundos. Tejay Van Garderen, que furou a cinco quilómetros da meta e voltou a cair na estrada nos últimos três quilómetros, desceu para a quarta posição. Dentro do azar, valeu-lhe que a segunda queda do dia se tenha dado nos últimos três quilómetros o que fez com que perdesse 17 segundos e não os 46 que o relógio da meta registou.

Nicolas Roche, da BMC, fecha agora o pódio da geral. David de la Cruz (Quick-step) também perdeu tempo. O espanhol também caiu na subida ao Garbí e deu o seu melhor para minimizar perdas até ao final.

As contas continuam com margens apertadas no top-10: apenas 1’26 separa o líder do 10º classificado.

Entre os portugueses, destaque para a grande etapa de Ricardo Vilela (Manzana Postobon). O português integrou a fuga do dia e logrou chegar no grupo de Chris Froome. Subiu para o 37º posto da geral. Rui Costa (UAE Emirates) continua a ser o melhor, na 18º posição (a 2’52 da liderança) e Rafael Reis (Caja Rural) voltou a perder muito tempo. Já José Gonçalves (Katusha), que ontem tinha sido o último da etapa, desistiu da prova, depois de ter sido vítima de uma queda.

Esta sexta-feira, a etapa faz-se entre Llíria e Cuenca e é novamente longa, a mais longa da Volta a Espanha deste ano com 205,2 quilómetros. É mais uma etapa de média montanha, com três contagens de terceira categoria. A última é a que deverá provocar mais estragos, não só pela subida mas também pelo piso empedrado e por estar a pouco mais de 10 quilómetros do final.

Classificação geral no final da 6ª etapa
1. Chris Froome (Sky) com 22h54’38
2. Esteban Chaves (Orica) a 11’’
3. Nicolas Roche (BMC) a 13’’
4. Tejay Van Garderen (BMC) a 27’’
5. Vincenzo Nibali ((Bahrain) a 36’’
6. David de la Cruz (Quick-step) a 40’
7. Fabio Aru (Astana) a 49’’
8. Adam Yates (Orica) a 50’’
9. Michael Woods (Cannondale) 1’13
10. Simon Yates (Orica) a 1’26’’

...
18. Rui Costa (UAE Emirates) a 2’52
21. Nélson Oliveira (Movistar) a 3’02
37. Ricardo Vilela (Manzana) a 12’25
184. Rafael Reis (Caja Rural) a 01h03’12