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Volta a Espanha: Etapa ganha, vermelha reforçada, o dia foi de Chris Froome

Líder da Sky foi o vencedor da etapa deste domingo, uma etapa com final em alto em La Cumbre del Sol. Froome ganhou tempo a todos os concorrentes. Ricardo Vilela andou em fuga, mas o dia foi de perdas na geral para os portugueses. Segunda é dia de descanso.

FILIPA SILVA

Froome a transbordar de alegria no momento em que cortou a meta.

Vuelta 2017

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Chris Froome quer muito ser o terceiro homem da história a conseguir conquistar o Tour e a Vuelta no mesmo ano e este domingo deu mais um passo significativo nesse sentido.

O líder da Sky foi o vencedor da nona etapa da Volta a Espanha que partiu de Orihuela e terminou numa contagem de montanha de primeira categoria instalada em La Cumbre Del Sol.

Froome voltou a ser inteligente na gestão de esforço e consequente na hora do ataque. O britânico avançou já nos metros finais da etapa e chegou à meta sozinho. Seguido de perto de Esteban Chaves, é verdade, mas com a distância suficiente para conquistar segundos a toda a concorrência.

Chaves (Orica), segundo da etapa e da geral, foi o que menos perdeu: 8 segundos, já com as bonificações. Roche (BMC) e Nibali (Bahrain) perderam 24 segundos, Aru (Astana) 27, Van Garderen 29.

Michael Woods, da Cannondale, foi o único a ganhar tempo no top 10. Com a terceira posição alcançada na etapa, o canadiano subiu ao oitavo posto da geral.

Há um ano que Chris Froome não festejava a vitória de uma etapa. As últimas conquistadas pelo britânico foram justamente na Vuelta, do ano passado, na chegada a Peña Cabarga e no contra-relógio individual. Em La Cumbre Del Sol tinha sido segundo em 2015, atrás de Tom Dumolin. Este ano, e de acordo com as suas declarações no final da etapa, o corredor e a equipa viram e reviram vezes sem conta as imagens de 2015 para decidir quando lançar o ataque. Plano bem sucedido.

Com 36 segundos de vantagem para Esteban Chaves, já mais de 1 minuto para todos os que se seguem e com o contra-relógio individual ainda por realizar - será na etapa 16, na última semana de prova - as condições estão para já reunidas para que Froome festeje em Madrid a conquista da primeira Vuelta da carreira.

FILME DA ETAPA

Uma fuga de uma dezena de corredores saída do pelotão quando estavam percorridos cerca de 20 quilómetros andou adiantada na estrada até à primeira contagem de montanha do dia. Uma segunda categoria no Alto Puig de Llorença, por onde o pelotão voltaria a passar na subida final, a La Cumpre del Sol.

Seguraram-se na frente da corrida Tobias Ludvigsson (FDJ) e Marc Soler (Movistar). Ricardo Vilela (Manzana) e Lluis Mas (Caja Rural) seguiam na perseguição, mas haviam de ser absorvidos pelo pelotão. Foi já dentro dos sete quilómetros finais, que Marc Soler, o último resistente, foi apanhado.

Depois o protagonista foi Romain Bardet. O ciclista da AG2R, segundo do Tour deste ano, está a fazer uma Vuelta discreta e hoje quis mostrar-se naquele que é o seu terreno de eleição. Tentou uma, duas, três vezes, mas sem se conseguir aguentar à frente do pelotão. Richard Carapaz (Movistar) foi outro a tentar a sorte. As pendentes até La Cumbre del Sol chegam a passar os 20%.

Mikel Nieve, da Sky, ia fazendo um extraordinário trabalho a levar Froome na cabeça do grupo dos favoritos. Já no último quilómetro e com David De La Cruz a esboçar uma tentativa de ataque, Froome resolveu a equação: passou para a frente e seguiu isolado em direção à meta.

Só Esteban Chaves e Michael Woods mostraram pernas para tentar fazer a ponte. Chegaram perto, mas já não o suficiente para evitar a vitória do camisola vermelha. Alberto Contador chegou no grupo que se seguiu ao trio vencedor. Perdeu 22 segundos para a liderança, mas subiu à 13ª posição da geral.

Quanto aos portugueses, Nelson Oliveira (Movistar) que foi quinto na véspera, perdeu tempo este domingo e baixou para 19º da geral. Rui Costa (UAE Emirates) também perdeu tempo, e é agora 23º. Vilela, que esteve em fuga ao longo da etapa, também chegou com atraso à meta. Rafael Reis (Cajar Rural) foi, ainda assim, quem mais tempo perdeu este domingo: mais de 19 minutos.

Esta segunda-feira, cumpre-se o primeiro dia de descanso da Vuelta. Na terça-feira, a jornada faz-se ao longo de 164,8 quilómetros eminentemente planos até aos 40 quilómetros finais. Aí o pelotão vai encontrar uma contagem de 3ª categoria a caminho de uma 1ª categoria em Collado Bermejo, a que se segue uma longa descida até à meta instalada em Alhama de Murcia, junto às instalações da El Pozo, um dos patrocinadores da corrida.

Classificação geral no final da 9ª etapa

1. Chris Froome (Sky) com 36h33’16’’
2. Esteban Chaves (Orica) a 36’’
3. Nicolas Roche (BMC) a 1’05’’
4. Vincenzo Nibali ((Bahrain) a 1’17’’
5. Tejay Van Garderen (BMC) a 1’27’’
6. Fabio Aru (Astana) a 1’30’’
7. David de la Cruz (Quick-step) a 1’30’’
8. Michael Woods (Cannondale) 1’41’’
9. Adam Yates (Orica) a 1’55’’
10. Ilnur Zakarin (Katusha) a 2’15’’

19. Nélson Oliveira (Movistar) a 4’50’’
23. Rui Costa (UAE Emirates) a 6’27’’
57. Ricardo Vilela (Manzana) a 35’36’’
151. Rafael Reis (Caja Rural) a 1h31’44’’