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Vuelta: Como a chegada a Los Machucos machucou a liderança de Froome

Britânico sofreu muito na última contagem de montanha da 17.ª etapa e perdeu mais de 40 segundos para Nibali. Contador deu show mas não conseguiu alcançar Stefan Denifl, em fuga desde o quilómetro 10 e só parou na meta, de braços no ar

Lídia Paralta Gomes

Chris Froome em dificuldades, escoltado pelo colega Mikel Nieve até à meta em Los Machucos

JOSE JORDAN/Getty

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As rampas de quase 30% de inclinação na última contagem de montanha do dia e as apertadas contas na geral deixavam a certeza que a 17.ª etapa da Vuelta traria muitos ataques e ainda mais espectáculo.

E assim aconteceu, para mal dos pecados de Chris Froome, que cedeu logo no início do terrível Los Machucos face aos fortes ataques de Alberto Contador e Vincenzo Nibali. O britânico conservou a camisola vermelha, mas perdeu mais de 42 segundos para o italiano da Bahrain, que fica assim a pouco mais de um minuto da liderança, numa semana em que ainda há muita montanha para subir.

Na última dificuldade do dia, que coincidia com a meta, Contador foi o grande herói, ao cavalgar sozinho montanha acima, à procura não só de cortar tempo na geral mas também de uma vitória em etapa naquela que é a sua última competição antes de abandonar o ciclismo.

E só não conseguiu porque houve um herói ainda maior: Stefan Denifl, austríaco da Aqua Blue Sport, escapado desde o quilómetro 10 e único resistente de uma fuga de seis homens, que chegou a ter 9 minutos de vantagem para o pelotão. Contra todas as expectativas, Denifl aguentou-se na temíveis rampas de Los Machucos e deixou Contador a 28 segundos.

Stefan Denifl ofereceu à Aqua Blue Sport, equipa fundada este ano, a primeira vitória em grandes voltas

Stefan Denifl ofereceu à Aqua Blue Sport, equipa fundada este ano, a primeira vitória em grandes voltas

JOSE JORDAN/Getty

Foi não só a vitória mais importante da carreira do austríaco de 29 anos como também o mais importante triunfo da história da Aqua Blue Sport, equipa irlandesa fundada apenas este ano e que até agora tinha sido notícia por motivos mais chatos: na semana passada perdeu o seu autocarro após um fogo posto, estando agora a utilizar o autocarro da equipa portuguesa LA Alumínios-Metalusa-Blackjack, que rapidamente se prontificou a ajudar.

Froome vulnerável

A quebra de Chris Froome deixa tudo ainda mais em aberto até domingo, dia em que o pelotão chega a Madrid. Os dois próximos dias serão relativamente tranquilos, mas na etapa de sábado, com chegada ao infernal Alto de l’Angliru - mais de 12 quilómetros com rampas que chegam aos 24% de inclinação - o britânico será atacado por todos os lados. Se voltar a mostrar as fragilidades desta quarta-feira, arrisca-se a perder novamente a Vuelta, ele que já foi 2.º em três ocasiões.

Haverá, portanto, emoção e espectáculo até ao fim - algo de que a Volta a França não se pode gabar muito.

Quanto aos portugueses, o melhor na chegada a Los Machucos foi Rui Costa (Team UAE Emirates), 68.º a cortar a meta, já a 12,22 minutos de Denifl.

Classificação geral após a 17.ª etapa:

1. Chris Froome (Sky), 67:44:03 horas
2. Vincenzo Nibali (Bahrain), a 1:16 m
3. Wilco Kelderman (Team Sunweb), a 2:13 m
4. Ilnur Zakarin (Katusha), a 2:25 m
5. Alberto Contador (Trek), a 3:34 m
6. Miguel Angel Lopez (Astana), a 4:39 m
7. Michael Woods (Cannondale), a 6:33 m
8. Wout Poels (Sky), a 6:40 m
9. Fabio Aru (Astana), a 6:45 m
10. David de la Cruz (Quick Step) a 10.10 m

(...)

40. Rui Costa (UAE Emirates), a 1:34.55 h
44. Nelson Oliveira (Movistar), a 1:38.17 h
49. Ricardo Vilela (Manzana Postobon), a 1:59.38 h
134. Rafael Reis (Caja Rural), a 3:41:12 h