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Como uma possível sanção de Froome pode valer-nos uma inédita medalha

Ciclista britânico, a braços com uma análise adversa a salbutamol que terá de justificar junto da UCI, foi 3.º classificado no contrarrelógio dos Mundiais de Bergen, na Noruega. E quem foi o 4.º? O português Nélson Oliveira

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JONATHAN NACKSTRAND/Getty

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Os próximos meses serão de luta para Chris Froome e não estamos a falar de subir a montanhas montado em duas rodas. Depois de ter sido “apanhado” num controlo adverso durante uma das etapas de montanha da Vuelta, competição que viria a ganhar, o ciclista britânico corre o risco de ser suspenso e de ver ser-lhe retirado o título, caso não consiga provar que o uso acima das regras de salbutamol, um broncodilatador presente nos inaladores usados pelos asmáticos, teve apenas efeitos terapêuticos.

Um controlo adverso é diferente de um controlo positivo, já que dá a oportunidade ao atleta de se defender perante a União Ciclista Internacional (UCI), mas os factos parecem ir contra o ciclista da Sky, que tinha o dobro das 1.000 nanogramas por mililitro de sangue legais, o que poderá ser considerado anabolizante.

E caso o ciclista nascido no Quénia há 32 anos seja condenado, isso poderá significar história para Portugal. Isto porque já depois da Vuelta e, portanto, depois do controlo adverso, Froome foi medalha de bronze no contrarrelógio dos Mundiais de Bergen, na Noruega. E quem ficou em 4.º lugar? O português Nélson Oliveira, que gastou apenas mais 7 segundos que o britânico. Seria uma medalha inédita para o nosso país, que nunca subiu ao pódio na prova de contrarrelógio. Rui Costa sagrou-se campeão mundial em 2013, mas na prova de estrada.

Em casos semelhantes ao de Froome, Alessandro Petacchi (1.360 ng/ml) foi suspenso por um ano, em 2007, e Diego Uissi (1.900 ng/ml), em 2014, por 9 meses. Por outro lado, Eric Berthou, em 2008 e Leonardo Piepoli, em 2007, foram absolvidos.

Em 1994, Miguel Indurain também teve um controlo adverso a salbutamol mas foi ilibado por razões médicas, as mesmas que Chris Froome vai alegar junto da UCI - o britânico assegura que piorou da asma durante a Vuelta e que apenas seguir as indicações dos médicos da Sky.