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Em defesa de um futebol politeísta

Bruno Vieira Amaral escreve sobre o homem que fez “com que as proezas de Messi e Ronaldo parecessem arcaicas”. “Não me interpretem mal. Continuam a ser fabulosas, mas também são como os filmes clássicos: já as vimos tantas vezes que não nos importamos de adormecer a meio”. Por isso, em dia de Roma-Liverpool, “apetece festejar com Salah e entronizá-lo”

Bruno Vieira Amaral

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Por volta das 21h30 de terça-feira da semana passada, Mohamed Salah, jogador egípcio do Liverpool, tornou-se o melhor jogador de futebol do mundo. Na primeira mão da meia-final da Champions, disputada em Anfield, tinha acabado de marcar dois golos e de fazer duas assistências na vitória da sua equipa contra a Roma e isso bastou. Porquê?

Não só pelo resultado de hóquei em patins, o jogo teve um sabor antiquado, de outras eras, do hino da eurovisão antes dos jogos, da voz do Rui Tovar, quando a taça das orelhas grandes podia ser conquistada por clubes tão excêntricos como o Nottingham Forest, o Hamburgo ou o Steaua de Bucareste. Na última vez que os caminhos da Roma e do Liverpool se tinham cruzado na Europa do futebol, precisamente numa final da então Taça dos Campeões Europeus, Manuel Galrinho Bento era titular da seleção nacional, Eriksson era um jovem mago sueco a despertar o Benfica de uma longa letargia europeia e o mítico Zé Beto atacava bandeirinhas com bandeirolas. Ver os dois clubes em confronto nas meias-finais foi como assistir à reposição de um velho clássico, agora restaurado. Cores mais berrantes em HD, o som do Kop em surround, os dentes branqueados de Klopp devidamente realçados e a inalterável paixão dos adeptos de dois clubes verdadeiramente populares.

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