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Diogo Faro

A Segurança Social, o tajin marroquino, o Miguel Ângelo dos Delfins e as versões dos plágios de Tony Carreira (Portugal, por Diogo Faro)

O humorista tem uma vantagem sobre os demais: esteve em Moscovo a ver o Portugal-Marrocos. Portanto, o que escreve, baseia-se na experiência de ver a seleção in loco

Diogo Faro

Stu Forster/REMOTE

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Rui Patrício

Lembram-se de quando a vossa mãe batia à porta do vosso quarto insistentemente, e até tinha razão para isso, mas vocês arranjam todas as maneiras possíveis para ela não entrar? Podia ser um alfinete na fechadura ou a cómoda na porta, mas bem que podia tentar que não entrava. O Patrício foi isto. Pelo que jogaram, Marrocos merecia lá entrar, mas o mimado do Patrício não deixou.

Pepe

Foi como uma ex-namorada que nos aparece à frente sem estarmos à espera. Teve lances que nos fizeram chorar, mas o que guardamos no coração são as coisas boas e não sofremos nenhum golo muito por causa dele. Embora nem Maomé saiba como.

Fonte

Foi igual ao Pepe. Só que pior. É mais ou menos como as versões que o Tony Carreira faz dos originais que plagiou.

Cedric

Ocupou aquela lateral como eu ocupo o andar de baixo do Lux às 7 da manhã. Eu até estou lá, mas se alguém passa por,mim, não dou muito bem conta.

Raphaël

Já vos tinha dito que toda a nossa defesa andou a tremer o tempo? Já, já. Só que foi com metáforas. Mas já que o Raphael esteve como os outros (custa mais a perceber o motivo da actuação deles os quatro do que ainda haver reality shows na TVI), fica este parágrafo para que isso fique bem claro.

William

Hoje tive a sorte de ir ver o jogo ao estádio, em Moscovo. O grau de segurança é tão alto para entrar e sair do estádio que tenho a certeza estou muito mais cansado do que ele.

João Moutinho

Moutinho, desculpa-me, mas vou usar a tua função de meio-campo para fazer aqui um ponto de meia-crónica. Como equipa, isto foi bastante preocupante. Portugal jogou exatamente como a Segurança Social que tem. É tudo atabalhoado e às vezes cheira a...

João Mário

Não deixou aquela impressão que toda a gente tem dele - que é muito simpático - por mãos alheias e cumpriu. Mal atacou os marroquinos para eles não se sentirem mal.

Bernardo Silva

Se no jogo passado me pareceu estranho que o nosso betinho estivesse a jogar tanto à bola de chuteiras, em vez de estar de Paez numa esplanada e gin na mão. Hoje foi exactamente o contrário. Aquele pé esquerdo continua a ter sido esculpido por Miguel Ângelo. Mas hoje não foi o italiano - foi o dos Delfins.

Guedes

Eu gosto do miúdo, não me interpretem mal. Mas aquele "sai da frente, Guedes" imortalizado há anos pelo Hélio do Imaginário ao mesmo tempo que dava um daqueles espalhanços que dão sentido à existência do YouTube, nunca se tinha aplicado tão bem ao desempenho do puto pela nossa Selecção.

Ronaldo

A primeira coisa que tenho a dizer que é que tirei uma foto com a Georgina. O que é que isto interessa para a crónica? Absolutamente nada. Tirando a minha excitação de, aquando do golo do nosso pai de família (e bem sabemos como pode ser pai de tanta gente que nem fazemos ideia), tê-lo dedicado a uma das pessoas que mais perto de mim estava na bancada. De resto, foi ao campo dizer que não lhe apetecia jogar muito hoje. Mas que enquanto melhor do mundo, lá resolveu isto para não termos que ser campeões mundiais só com empates.

Gelson e Bruno Fernandes

Dois jogadores incríveis e de uma qualidade técnica que parece a mais pura água da nascente. Só que neste caso foi como atirar essa água para um caldo verde. A ideia era tornar melhor, mas acabou tudo dissolvido na batata e os fios de couve galega continuaram ali a boiar contra o tajin marroquino sem saber o que fazer. Sim, percebo de cozinha.

Adrien Silva

Foi como naquelas noites em que estou com um engate com quem os preliminares são uma perda de tempo porque toda a gente já sabe o que vai ser melhor. Devia ter entrado logo de início.