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Diogo Faro

Quando vierem 476 iranianos a correr com a bola, Diogo Faro recomenda que gritemos: "Ó PEPE ANDA CÁ SALVAR ISTO, POR FAVOR!"

Diogo Faro, entre tanta e tanta coisa que correu mal a Portugal no jogo com o Irão, viu William com "tanta vontade de correr como de o Trump não separar famílias mexicanas na fronteira". Ou João Mário a falhar um remate para uma baliza despida de guarda-redes, que foi "tão desenquadrado que deve ter entrado num vórtice do tempo e ido parar à URSS"

Diogo Faro

Elsa - FIFA

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Rui Patrício

Como é seu apanágio, apresentou-se com um corte de cabelo mais aprumado do que qualquer aristocrata da época do Eça de Queirós. Estou desconfiado que um destes jogos ainda nos surge no relvado de cartola e relógio de bolso. Só não acredito nisso com muita força por causa do pormenor contrastante: as luvas à Trumps. Aquele brilhante tipo bola de espelhos, quase em lantejoulas, é provavelmente uma homenagem à Gay Parade que houve há dias em Lisboa. Fica-lhe bem o gesto.

Ah, sobre o jogo? O Irão até atacou com vontade, mas ele não teve que fazer praticamente nada, tirando aquele vez que defendeu com a testa a canela de um iraniano, e penálti que lhe enfiaram na gaveta.

Cédric

Foi o banquinho que qualquer anão precisa de usar para subir para o autocarro, a bengala que qualquer velhota já não dispensa, o Carlos Silva que é vida para qualquer Sócrates desta vida. Não que o Quaresma seja anão, velho ou corrupto, mas o Cédric, entre qualidade a defender e a atacar, foi grande parte do jogo enorme do Quaresma.

Esteve mal no lance que deu origem ao penálti (ahahah, penálti!) do Irão. Tanto fez de apoio o jogo todo que, no caso, também fez. Claro que o árbitro podia ter marcado falta, mas deve ter achado que o Cédric estava a ser tão boa pessoa em dar o ombro e a cara ao cotovelo do outro que era chato estar a estragar o momento.

Pepe

O Pepe é aquela pessoa que todos queremos chamar numa situação de aperto. Pode ser na escola, do tipo “olha que se me bates vou dizer ao Pepe!”, ou “Socorro, a minha cozinha pegou fogo, alguém que ligue ao Pepe”, ou até mesmo “vêm aqui 476 iranianos a correr com bola para nos marcar golo, Ó PEPE ANDA CÁ SALVAR ISTO, POR FAVOR!”. E ele salva-nos. Para os mais crentes, não acho descabido que comecem a dizer “Graças a Pepe” ou “Por amor de Pepe!”.

José Fonte

Como o Irão entrou a meio-gás no jogo, começou a dar uma de avançado e foi avistado mais vezes na grande área adversária nos primeiros 20 minutos do que a coerência e bom senso do Bruno de Carvalho nos últimos 6 meses. Apesar da vontade, não é lá muito talentoso a atacar. Destaque para aquele remate que era para ser à meia-volta mas foi à Chapitô. Não teve jeito nenhum.

Já a defender, é bom tendo em conta que não temos dois Pepes.

Raphaël Guerreiro

O Raphaël dá-me ideia que é aquele menino da turma mais recatado, sossegadinho, fala pouco com os coleguinhas, não dá trabalho nenhum aos professores. Mas depois surpreende. Anda ali discreto em campo, mas corre que se desunha, raça a defender, ataca com vontade, faz cruzamentos certinhos para o André Silva ficar a ver sem fazer coisa, tudo bem bom.

William

Ficamos sempre a achar que o William tem tanta vontade de correr como de o Trump não separar famílias mexicanas na fronteira. Mas na verdade ele não precisa de querer, pode só continuar a ser um atrasado mental que envergonha o mundo. Já no caso do William, também não precisa porque parece que está sempre onde tem de estar com o seu bigodinho. Quando não lhe apetece correr com a bola – quase sempre – faz passes longos que podiam ser de Lisboa a Almada e acertar, de propósito, na cara do Cristo Rei.

Adrien Silva

Não consigo ver o Adrien jogar em lado nenhum – e isto inclui campeonato inglês, Selecção, futsal, com os filhos nas insta stories lá no quintal dele, PlayStation, chinquilho ou mikado, sem ficar logo cheio de saudades de quando ele enchia o meio-campo do Sporting. Alguém investigue o homem que ter quatro ou cinco pulmões não é normal. Para me deixar ainda mais com aquele agri-doce de não o ter no Sporting mas gostar tanto dele, uma singela assistência de calcanhar para o momento épico do Quaresma.

João Mário

É sempre muito bem-educado a jogar. Não tem medo de nenhum adversário, mas parece que é sempre muito delicado com eles. Finta-os e passa por eles como quem diz “não te queria deixar aí para trás pregado ao chão, mas é trabalho, não é nada pessoal, desculpa”. Logo no início, com a graciosidade de uma imperatriz russa, fez um passe de calcanhar no ar para o Ronaldo que me faria pagar bilhete para ver aquele movimento num bailado. Pena aquele remate com a baliza aberta que foi tão desenquadrado que deve ter entrado num vórtice do tempo e ido parar à URSS.

Na segunda parte andou mais apagado, também se cansa mais por andar sempre a pedir desculpa aos outros, e teve de ser substituído

Ricardo Quaresma

O Quaresma devia ser estar emoldurado em todas as casas portuguesas como outrora esteve "O Menino da Lágrima". Têm os dois a tal lágrima, precisamente, embora a do Quaresma seja tatuada, têm um ar normalmente de cãozinho abandonado que só apetece adoptar, e são reconfortantes, lembram sempre casa.

Andou o jogo todo a fazer gato-sapato daquela defesa, a tratar aquele defesa esquerdo como se de um pedaço de falafel estragado se tratasse. Já sabemos que o nosso Cigano d’Oiro tem poucas maneiras no que diz respeito a tratar mal os adversários. Até que se lembra de usar aquele pé direito que já veio meio metido para dentro de nascença – um pé “da feira”, diriam os mais preconceituosos – e marcou um golo mais bonito do qualquer filme que se possa encontrar num DVD pirata vendido da feira – continuariam os mais preconceituosos. Mas a magia do Quaresma é tanta que nem o pessoal do PNR consegue ficar indiferente.

Cristiano Ronaldo

Peço desculpa a todos os portugueses pelo desempenho do Ronaldo neste jogo. Aparecer com aquela barbicha de cabra dos montes, mal tocar na bola, falhar um penálti e ainda arriscar a expulsão com aquela cotovelada (sim, era para vermelho, não sejam faciososos)… Enfim, eu sei bem onde é que ele tinha a cabeça. Na foto que eu tirei com a Georgina no último jogo e que gerou um “zumzum” mundial, por claramente se notar que ela ficou toda doida com este pedacinho de céu que sou eu.

Por isso, pelo desculpa e prometo que não se volta a repetir para o rapaz andar concentrado.

João Moutinho, Bernardo Silva e Gonçalo Guedes

Já não fizeram grande coisa para além de estorvar um bocado os jogadores do Irão que andaram para ali loucos a tentar ganhar o jogo no final do jogo (tive uma pequena arritmia naquele último remate deles).

António Tadeia

Uma pequena nota para aquele que é o Pedro Chagas Freitas do comentário futebolístico. A única coisa pior que eu ter amigos que fizeram piadas como “Eles ainda Irão marcar golo!” (ahahah que pagode!), só mesmo as constatações do óbvio do Sr. Digo Nada e Também Coisa Nenhuma.