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Diogo Faro

O melhor guarda-redes do Mundial a ser filho, Fidel Escobar e outros nove jogadores que compõem o melhor 11 do Mundial, segundo Diogo Faro

O humorista Diogo Faro apresenta-nos o que considera ser o melhor 11 do Mundial 2018, não necessariamente a jogar futebol: "Para ir sair à noite dar aquele pézinho de samba ou forró? Marcelo. Para ir a um concerto da Anitta rebolar gostoso até ao chão? Marcelo. Basicamente, para tudo o que fosse pagode, escolhia o Marcelo"

Diogo Faro

Este é Fidel Escobar, do Panamá

Michael Regan - FIFA

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KASPER SCHMEICHEL

Primeiro que tudo, é filho do pai. Certo, somos todos filhos de algum pai, mas o dele é o Peter Schmeichel. Aquele armário de três metros de envergadura que veio ser campeão no Sporting e que, naquele último jogo contra o Salgueiros, recebeu a bola no peito, virou-se de costas para o meio-campo e “mandou” aquele pontapé de bicicleta que vem primeiro que o do Ronaldo ou do Ibrahimovic. Pelo menos, no meu coração. A defender também esteve muito bem, quer durante o jogo corrido, quer a defender penáltis à moda do pai. Portanto é isso, essencialmente é o melhor guarda-redes do Mundial a ser filho.

MARCELO

É o defesa mais divertido que conheço (talvez até o jogador mais divertido a jogar atualmente). Se eu pudesse escolher qualquer jogador do mundo à casa do qual ir a um churrasco? Marcelo. Para ir à praia beber um chôpinho e jogar um dois pa’ dois? Marcelo. Para ir sair à noite dar aquele pézinho de samba ou forró? Marcelo. Para ir a um concerto da Anitta rebolar gostoso até ao chão? Marcelo. Basicamente, para tudo o que fosse pagode, escolhia o Marcelo, o jogar bem à bola é bónus.

FIDEL ESCOBAR

Tenho de começar já por vos confessar: nunca o vi jogar na vida. Nada, nem um minuto que seja. Mas o que importa é o nome dele… o NOME DELE, SENHORES! Consegue ter nome de ditador (ai, que se os comunistas lêem isto aparecem-me já aqui à porta com foices e martelos para me fazerem a folha) e de traficante ao mesmo tempo. Se o Fidel Castro e o Pablo Escobar se fundissem na mesma pessoa era de esperar que, por exemplo, fosse alguém que distribuía a droga equitativamente por toda a gente, mas claro que era em forma de senhas e muito pouco para tudo o que era plebeu. Já para si e para os amigos, era até à overdose. Melhor nome de defesa (de jogador, mesmo) do Mundial.

VIDA

O defesa croata tem um nome irónico, quando associado à cara que apresenta ao mundo. Aquele semblante transmite tudo menos vida, precisamente. Cara pálida, olhos vazios que nem um robalo grelhado, cabelo rapado de lado e rabo de cavalo, num estilo capilar que já no tempo da URSS não se usava. Vida? Pouca. Acho até que é uma espécie de Dementor, aquele ser do Harry Potter desprovido de qualquer tipo de sentimentos e que sugava a felicidade de qualquer pessoa com que me cruzasse. Acho que é por isso que acaba por ser bom defesa, os avançados têm medo de ficar automaticamente tristes e nem se aproximam muito dele. Melhor defesa do Mundial a ser assustador.

JOHN STONES

Gosto dele porque me dá ideia que não sabe muito bem como é que foi parar a jogador da bola. A vida até lhe tem corrido bem profissionalmente mas, tanto pelo nome como pelo aspecto, acho mesmo que foi encontrado num pub de Londres todo bêbado a dar biqueiros ao balcão porque não lhe serviam mais pints. Um olheiro viu-o e pensou “this bloody drunk is a son of bitch who can kick some ass, he ca be our defender”. E assim foi. Agora distribui fruta por pernas alheias e é pago para isso, com dinheiro que depois pode ir gastar todo nos pubs.

BERNARDO SILVA

Tenho que ser coerente com o que tenho escrito sobre o miúdo nas outras crónicas. Este miúdo tem uns pés que se fossem um restaurante ganhava uma estrela Michellin todos os anos, se fossem um edifício ganhavam o Pritzker, se fossem diplomatas ganhavam o Nobel da Paz, tal é a forma como trata a bola. E depois há toda a classe mental que nos apresenta. A única coisa de que tenho medo é que daqui a uns tempos o Francisco Geraldes também chegue à Seleção para jogar ao lado dele, e aí esquecem a bola a meio do jogo e ficam para ali a discutir Proust e Saramago.

MODRIC

Já foram à Croácia? Se não, deviam. Praias paradisíacas, monumentos por todo o lado, até lá filmaram grande parte de "Game of Thrones". País lindíssimo, de facto, ao contrário do Modric. Já com a bola nos pés, é uma mistura de Khaleesi, sem medo de ninguém, com o Tyrion, inteligente e estratégico, e ainda com a Arya Stark, ninguém sabe bem se é uma rapariga ou um rapazinho.

WILLIAM CARVALHO

Vejo-me obrigado a escolher o William para o melhor 11. Não só porque merece, mas também porque tenho sempre amigos a mandar vir com ele durante os jogos. E é extremamente injusto! Vocês sabiam que o William foi dos jogadores que mais quilómetros fez nestes jogos, por exemplo? Já repararam que ele está sempre no sítio onde tem de estar? Para os adversários, é como a polícia nos dias em que o amigo que levou o carro decidiu beber, bem esperam que não esteja lá, mas está sempre. E em cima disso tudo, tem um bigode irreprensível que vai deixar muitas saudades no Guilty, agora que vai embora de Lisboa.

NEYMAR E SUÁREZ

Não me consegui decidir, por mais que pensasse no caso. São os dois bons avançados, toda a gente sabe disse. Mas a minha indecisão prende-se com a arte de representar que está presente em ambos de forma tão intensa. Imaginem a Academia indecisa entre dar o Oscar de melhor actor ao Al Pacino ou ao Robert de Niro. É assim que me sinto. Qualquer um deles passa o jogo inteiro a pensar “Atirar-me para o chão ou não me atirar para o chão? Eis a questão” e escolhem sempre a primeira opção, claro, em gestos teatrais só ao nível dos melhores actores do mundo, ou do José Sócrates quando está a ser interrogado. Os melhores atores do Mundial, sem qualquer dúvida.

LUKAKU

Mede cinco por cinco, fala seis línguas – incluindo português (pus isto aqui porque muita gente fica muito contente sempre que um parafuso de uma porta que aparece três segundos num filme de Hollywood é feito em Paços de Ferreira) - e se vai embalado a correr, desconfio que até um Alfa Pendular se esforçava por se desviar do seu caminho. Marca golos de qualquer maneira, até porque é tão grande que é difícil a bola não lhe acertar mesmo quando não é suposto, e ainda tem uma inteligência futebolística muito acima de média. Quando ele passa por cima da bola para a deixar para um colega, no 3º golo contra o Japão, a FIFA devia lhe ter atribuído o golo.

RONALDO

Mesmo não tendo sido constante ao longo dos jogos, era injusto não incluir aqui o Ronaldo pelo que ele fez. Espetou três batatas à Espanha – ficando conhecido, pelo menos para mim, como a Ronaldo de Aljubarrota – e ainda marcou contra Marrocos. Lutou muito, correu muito, rematou muito, e isto tudo com aquela barbicha de cabra dos montes sem jeito nenhum. Defendo que tudo na vida é mais difícil se usarmos aquela pilosidade facial horrível dos anos nenhuns (porque na verdade nunca esteve na moda, nem nunca vai estar) conhecida como pêra. E ele provou que é tão bom que até assim conseguiu marcar.