Tribuna Expresso

Perfil

Entrevistas Tribuna

Hugo Almeida: “Os turcos são completamente loucos”

Jogou durante quatro épocas no Besiktas e não mais voltou a jogar num ambiente assim. Hugo Almeida e os outros portugueses eram vistos como “uns deuses” em Istambul e o avançado, que hoje está no AEK de Atenas, aconselha o Benfica a ter um bom resultado já na Luz (19h45, RTP1): “Não esperem facilidades quando forem à Turquia”

Diogo Pombo

Hugo Almeida jogou no Besiktas entre 2010/11 e 2013/14

MUSTAFA OZER/Getty

Partilhar

O Besiktas foi o clube mais louco onde jogaste?
Sem dúvida alguma. Até agora, em termos de ambiente, não apanhei igual. Pelo que falam e pela pequena demonstração do que já vi aqui [em Atenas], também fica perto do ambiente de Istambul.

Como é o estádio do Besiktas em dia de jogo?
No novo estádio não sei. No antigo, era um ambiente de loucos. O som era ensurdecedor e tornava-se bastante difícil para as equipas que iam lá jogar.

Um jogador sente isso muito, acusa a pressão?
Com certeza. Para quem joga a favor é sempre bom, dá sempre mais uma motivação extra. Mas nem sempre é fácil para quem joga contra.

Mas vocês não se conseguem desligar do que vos rodeia?
Não é difícil. Mas em ambientes que sejam assim, frenéticos, já se torna mais complicado. Há várias alturas em que o jogo está parado, aí é impossível ficar indiferente ao que está a acontecer à volta.

Entre o antigo estádio do Besiktas e o atual Estádio da Luz, ambos cheios de gente, qual dava para arrepiar mais?
Hum, não dá para comparar, dá para imaginar. Não tive o prazer de conhecer o novo estádio, mas, pelo que vejo…

Não é o novo. Estava a falar do antigo.
Ah. Bom… Penso que o do Benfica leva mais gente, mas os adeptos não são tão loucos, tão doentes pelo futebol. O povo português não é tão alucinado pelo futebol como são as pessoas do Besiktas. E isso faz diferença.

Conseguias andar descansado na rua em Istambul?
Por vezes era um bocadinho impossível, sobretudo se fossemos a zonas onde estivesse mais gente.

Os turcos chateavam-te muito?
Não era a questão de serem chatos. Viam-nos quase como uns deuses. Eles adoravam-nos e era bastante complicado, por vezes, andar pela rua descansado.

Chegaste a ter o Quaresma de um lado e o Simão Saborsa do outro, a passaram-te bolas.
E por trás o Manel [Fernandes].

Martin Rose/Getty

Exato. Assim tinhas a vida mais facilitada, não?
Sim, claro. Hoje em dia os avançados têm a vida muito beneficiada pelo facto de o Ricardo lá estar. Ele sabe servir muito bem o avançado. Sempre me entrosei e dei bem com ele ao longo dos anos em que jogámos juntos. Já nos conhecíamos bem.

Era a pessoa com quem te davas melhor?
Sim, com ele e com o Manel.

E o Guti?
Também o apanhei. Já estava numa parte mais descendente da carreira, mas tinha um toque de bola fora do normal e uma visão de jogo muito boa. Mas, infelizmente, não conseguimos ser campeões, que era o objetivo que tanto desejávamos.

Na altura, chegaram a ser treinados pelo Carlos Carvalhal e ainda havia mais alguns jogadores portugueses [Bebé e Júlio Alves]. Havia muita galhofa?
Nem por isso. Alguns já eram casados, outros tinham namorada, a partir daí cada um tinha a sua vida. Às vezes íamos jantar juntos, mas nada de mais.

Ainda acompanhas o Besiktas?
Sim. É uma equipa que foi campeã e está muito moralizada. Fizeram várias contratações, estão com uma boa equipa, não vai ser nada fácil para o Benfica, apesar de eles também terem uma boa equipa. Já se conhecem há muito tempo.

O melhor é o Benfica ganhar já na Luz para não depender do resultado em Istambul, certo?
Isso sem dúvida. Não esperem facilidades quando forem à Turquia, porque não vão existir. Nesse ponto, os turcos são completamente loucos.