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Karoglan: “Antigamente quem marcava ao Benfica era um herói”

Quem viu futebol nos anos 90 de certeza que nunca mais esqueceu um dos grandes avançados que passou pelo campeonato português: Mladen Karoglan, ex-bracarense que se lembra bem da sensação de marcar ao Benfica - e esta noite há Benfica-Braga (20h, BTV1)

Mariana Cabral

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Mladen Karoglan (à direita) jogou no Sporting de Braga entre 1993/94 e 1998/99, época em que se reformou

Arquivo Visão

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Falamos em português?
Claro, estou velhote mas ainda sei. Se não perceber, eu digo-te.

O que andas a fazer agora?
Agora sou olheiro, vou vendo muitos jogos aqui em Zagreb e pela Croácia. E tenho um filho que vai ser jogador, han? Ele pode ir para Portugal, tem muita qualidade.

Não me digas que é avançado.
É igual [a mim], é avançado. Joga na 2ª divisão, tem 19 anos. Mas tem de ser melhor do que o pai.

Dás-lhe conselhos para marcar mais?
Ele ainda tem de conhecer mais coisas, ser mais formado, não é assim que se diz? Mas tem caraterísticas.

Está com uma boa idade para vir para Portugal.
Agora um jogador com 25 anos já é velho [risos]. Imagina eu que fui para Portugal com 26 ou 27, já estava acabado. Hoje mudou muito.

Lionel Messi? Não: Mladen Karoglan

Lionel Messi? Não: Mladen Karoglan

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Se jogasses hoje era tudo diferente?
Não percebi.

Se fosses jogador hoje em dia, achas que seria tudo muito diferente na tua carreira?
Ah, tudo, tudo, claro. E digo-te que 30 anos é a melhor idade para jogar, é quando percebes melhor as coisas. Mas agora qualquer jogador já é jogador em jovem. Football is business, é vender, vender. É outro tempo, pá. Se sabes jogar hoje, estás safo para a vida. Agora até na China... Todo o mundo quer jogadores.

Quanto vieste ganhar para o Chaves?
Ah, achas que me lembro disso? Isso é do antigamente, o que passou passou. Já não tenho idade para me lembrar [risos].

E de marcar ao Benfica, lembras-te?
Disso lembro-me bem, sim, gostava muito de jogar contra o Benfica, o melhor clube de Portugal. Davámos tudo para ganhar aqueles jogos, eram grandes momentos. Antigamente quem marcava ao Benfica era um herói. Agora é tudo diferente, não é? Mas o Braga também é melhor hoje, é uma boa equipa, grande.

E quando é que marcaste ao Benfica então?
Olha, foi na meia-final da Taça, dois golos, há um vídeo na internet, vai ver.

Já vi, um de livre e outro de cabeça.
Foi uma grande alegria, uma festa. O estádio estava cheio, muita gente a festejar, foi um dia para não esquecer. E o Benfica era muito forte, não era fácil marcar ao Preud'homme. Eles tinham grandes nomes, não me lembro se nessa altura ainda estava o Caniggia também. Mas era desses jogos que eu gostava mais.

A final da Taça é que não correu tão bem.
Foi contra o Porto e o árbitro foi amigo do Porto [risos]. Mas eles também eram mais fortes, tinham grandes jogadores, mereceram ganhar. Lembro-me que foi uma festa muito bonita.

Já voltaste lá depois disso.
Voltei a Portugal no ano passado, o Braga convidou-me para ver a final da Taça contra o Sporting. Mas vejo tudo na televisão. Gosto muito de Portugal e nunca vou esquecer as gentes de Braga, tenho muitos amigos. Braga é como se fosse a minha terra e Portugal também. Gosto muito de ver aqui os portugueses na Croácia, antes estava o Tonel, o Eduardo... Agora é só o Paulo Machado, é bom jogador e boa gente. Hoje em dia é tudo perto, não é como antigamente.

Quando te mudaste para Portugal era mais complicado.
Claro, mas foi melhorando porque foi na altura que começaram os telemóveis [risos]. Há muito tempo. Também gostei muito de Chaves.

Sabias que o Chaves está de volta à 1ª divisão?
Sabia, sabia, e a vender bilhetes por 80 mil euros, não é?

80 euros. Estás bem informado.
Isso. 80 euros é muito para ver um jogo, nem acreditava quando li. Como digo, aqui estamos todos sempre informados, vemos os jogos na televisão e tudo.

E os clubes aqui também andam informados sobre os jovens croatas.
Pois é, viste o Kalaica? Acho que ainda não jogou mas é bom central, é meu amigo. Agora há muitos croatas em Portugal e portugueses na Croácia. Mesmo em turismo, vejo aqui muitos portugueses.

Reconhecem-te?
Já me reconheceram, sim. Mas só os velhotes [risos]. Os novos já não sabem quem sou.