Tribuna Expresso

Perfil

Entrevistas Tribuna

Courtney Conlogue, a comida indiana, o queijo, o vinho e o bife

Não sabíamos que a surfista americana, de 24 anos, ia acabar por vencer o Cascais Women's Pro, esta quinta-feira. Mas, pelo sim, pelo não, falámos com Courtney Conlogue antes da etapa portuguesa do circuito mundial arrancar, porque ela já tinha aqui ganhado no ano passado.

Diogo Pombo

Comentários

Poullenot/Aquashot

Partilhar

Veio mesmo a calhar. Courtney Conlogue, a surfista loira, americana e simpática que já o ano passado vencera a etapa do circuito mundial, em Cascais, voltou a ganhar. Ela era a segunda do ranking antes da competição arrancar e continua a sê-lo, porque foi à final com Tyler Wright, a australiana que, portanto, continua a liderar a corrida ao título.

Conseguimos falar com Courtney antes do Cascais Women's Pro começar, guardámos a entrevista na gaveta e fizemos figas. Correu bem, porque ela surfou mais e melhor esta quinta-feira e não deixou morrer a luta pela título - que agora se arrastará para França, onde a penúltima etapa do circuito se realizará entre 4 e 15 de outubro, em Hossegor. O que nos dá a sorte de podermos publicar uma conversa com ela que, agora, faz mais sentido.

Contente por estares em Portugal?
Sinto-me muito bem por estar de volta.

Mesmo?
O quê? Claro que sim! Gosto sempre de vir a Portugal, acho que já cá venho há seis ou sete anos seguidos, sempre que havia uma prova do QS [circuito de qualificação]. O clima lembra-me muito a Califórnia, é similar: temperatura quente e água fria. Adoro vir cá, as pessoas são incríveis, a comida é maravilhosa e as praias são bonitas. É tudo o que podia pedir.

A comida não te estraga a dieta?
Bem, até acho que a comida europeia é bastante saudável. Adoro a vossa cozinha. Claro que depende do que comes. A pastelaria, por exemplo, não faz muito bem. Mas basta comeres tudo com moderação. Acho importante que tentemos sempre aproveitar os sítios onde vamos e desfrutar do que têm para nos oferecer. Por isso tento apreciar o queijo e o vinho [ri-se]. Acho que continuo em forma depois de passar por Portugal, por isso não tem corrido mal. Adoro vir cá! Há um restaurante indiano em Cascais, por exemplo, que é incrível. Sei que não é português, mas a comida é sempre boa por cá. A Casa da Guia é um sítio ótimo também, têm lá um bife do qual gosto bastante.

Passando a comida. Sentes uma dose extra de responsabilidade por teres vencido a edição do ano passado, aqui em Cascais?
Nem por isso. Para ser sincera, nesta altura já não tenho nada a perder, só tenho coisas a ganhar. Já ganhei este evento algumas vezes, tanto no circuito mundial, como no de qualificação, por isso claro que gostava de ganhar outra vez. Mas estou a focar-me apenas em dar o melhor que tem e tentar competir ao máximo. Estamos a chegar ao fim da temporada e só quero poder proporcionar um bom espetáculo a quem estiver a olhar para o mar.

Pedro Mestre/WSL

Estás a lutar taco-a-taco com a Tyler Wright pelo título mundial. Como te tens dado com ela?
Acho que nos damos bem, para duas pessoas que estão a competir uma com a outra. Claro que é ela quem está na cadeira quente, eu estou apenas a tentar lutar pelo lugar onde ela está. A Tyler tem quatro vitórias [em etapas], eu tenho um [agora já são duas], mas ainda tenho uma hipótese. Enquanto puder saltar para essa cadeira vou continuar a lutar. Adorava ter um título mundial. Este ano, será difícil, mas só tenho coisas a ganhar.

E o que achas da Teresa Bonvalot?
[Risos] Acho-a incrível. Há bocado está à conversa com ela. Acho que a conhecia há quatro anos, quando a Teresa tinha apenas 12 anos, acho eu. Lembro-me que demos as duas uma entrevista, uma espécie de programa de comédia na televisão, aqui em Portugal, e foi muito divertido. Não a acho uma pessoa calada, mas é muito relaxada e tranquilo. O que é bom. Ela agora está no top-25 do QS, a trabalhar para subir na classificação, e tem sido fantástico vê-la crescer.

A Teresa é muito ambiciosa. Outro dia, quando a entrevistei, disse que quer ganhar mais títulos que o Kelly Slater.
Uau, isso é incrível. É bom conseguirmos estar focados nos nossos sonhos, porque isso faz com que trabalhemos mais para os alcançar. Se a Teresa trabalhar e se esforçar, não sou eu que vou dizer que isso não é possível. Acho que não há impossíveis para ninguém. Desejo-lhe sorte. É sempre cool ver pessoas sonhadoras.