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Verpakovskis, o mito da Letónia: “Será talvez o maior jogo em que estes jogadores já estiveram”

Ele é um tipo importante no futebol da Letónia. Até há meses era o avançado que, em 2004, foi a estrela da equipa que esteve no Euro 2004. Mas ainda é o homem que, em 104 jogos pela seleção, marcou 29 golos, um recorde. Maris Verpakovskis é hoje presidente do primeiro clube onde jogou no seu país e “uma espécie de diretor desportivo” da seleção que, no domingo (19h45), defronta Portugal

Diogo Pombo

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NICOLAS ASFOURI

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O que estás à espera deste jogo?
Hum, é “o que esperamos”, claro. Vai ser um jogo muito duro, mas, de qualquer forma, acho que vai ser interessante para os rapazes. Não é todos os dias que podes chegar contra os campeões europeus. Para nós, e para os jogadores, vai ser um bom teste, para vermos se conseguem fazer alguma coisa e, de facto, o que fazem a este nível. Sabemos o quão forte é Portugal, sobretudo em casa, mas não temos medo. Estamos entusiasmados e ansiosos para descobrir o que se vai passar no jogo.

É a segunda vez que a Letónia joga contra Portugal depois da equipa estar na final de um Europeu. Foi há 12 anos, ainda jogavas.
Yeah, correto. Bom, lembro-me que perdemos e não tivemos assim tantas oportunidades para ganhar o jogo ou, sequer, empatá-lo. Portugal era uma equipa de qualidade. A Letónia tem sempre dificuldades quando joga contra equipas técnicas. Temos melhores resultados contra quem jogue um futebol mais físico. Seleções como Espanha, Portugal ou Holanda causam-nos sempre problemas. Entendemos que isto é um problema nosso, mas é algo difícil de mudar.

Como foi na altura?
Vocês tinham uma boa equipa. O Cristiano já jogava, era jovem, mas já era uma estrela. Será interessante para os nossos rapazes jogarem contra ele. É um dos melhores, ou talvez o melhor, jogador do mundo. Para os nossos jogadores é uma oportunidade muito boa.

Eras avançado e tiveste que lidar com o Ricardo Carvalho e o Jorge Andrade, os defesas centrais.
Lembro-me bem, foi muito difícil jogar contra eles. Mas, sabes, Portugal controlou a bola durante grande parte do tempo e eu, como era avançado, tinha a vida mais difícil. Passei o tempo a correr e a esperar pela bola, não lhe tocámos muito. Tentava criar pressão aos defesas. Nem tive oportunidade de pegar na bola, correr com ela e ver quão bons realmente eles eram. Não tive hipótese de os tentar driblar, acho eu.

Mas fizeste-o mais em 2004, quando a Letónia jogou no Europeu em Portugal, certo?
Sim, aí desfrutei. Ainda hoje esse é o maior feito do futebol letão. Foi o maior sucesso que tivemos. Temos boas memórias de Portugal, gostámos muito dessa prova. Sobretudo eu, que marquei um golo na fase de grupos, contra a República Checa. E ainda empatámos com a Alemanha, foi bom. Ainda hoje recordamos esse Campeonato da Europa, as pessoas falam nisso a toda a hora. Gostávamos de repetir este sucesso, mas temos pena de o termos vindo a conseguir. Queremos voltar a ter uma equipa na fase final de um Europeu ou de um Mundial.

ARIS MESSINIS

Os jogadores letões ainda ficam nervosos por jogarem contra seleções como a portuguesa?
Hum, [suspira]... Acho que sim, claro, porque a nossa geração de jogadores mudou completamente. Eles precisam de voltar a passar por isto, ter estas experiências para ganharem confiança. Este será talvez o maior jogo em que estes jogadores já estiveram. Claro que isto é bom para o futuro.

Tens falado muito com eles e dado alguns conselhos?
Sim, estou no staff da seleção nacional. Estou aqui em Portugal, quase como um diretor desportivo. Claro que falo com eles todos os dias, eles veem-me e perguntam como é jogar a este nível e o que podem fazer. Até os treinadores lhes estavam a mostrar como jogámos contra Portugal, em 2004, e frente a outras equipas fortes. Não temos que ter medo.

O que lhes disseste?
Nada de especial. Disse que os portugueses são um pouco mais rápidos e técnicos, claro, mas, de qualquer forma, eles são apenas jogadores. Não há que ter medo. Temos de ter confiança no campo e jogar o nosso jogo. Se antes do jogo já pensarmos que o perdemos, é melhor nem sequer ir para o campo.

Estás com 37 anos. Sentes que ainda podias lá estar e jogar?
Não, não, para mim já chega. Quando terminas fica muito difícil voltar. Tinhas que voltar a ser profissional e treinar todos os dias. Com esta idade, se páras um bocadinho, não é possível voltar. Se tivesse 25 anos e parasse durante uns seis meses, ok, não haveria problema. Mas agora não, eu sinto isso. Acabei a carreira há três meses e não há hipótese.

A tua presença daria jeito: és o melhor marcador na história da Letónia, com 29 golos em 104 jogos.
Sim, mas estou a apreciar o meu novo papel.

Que é?
Sou presidente de um clube de futebol na Letónia, o Liepaja, o meu primeiro clube. Consigo ainda estar no futebol, que é a minha vida. Nem sinto falta de marcar golos, estou a gostar de poder ensinar alguém cuja função seja marcá-los. Gosto de ver como depois, no campo, os jogadores fazem as coisas sobre as quais conversámos. Aprecio esta sensação.

Os jogadores veem-te como um ídolo?
Esta pergunta não é para mim, tens de perguntar a outras pessoas. Não gosto de falar sobre quem eu sou ou como me sinto.