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Luís Loureiro, o leão que depois foi peça de xadrez: “A mística ainda está lá”

Estava na Rússia quando surgiu o Sporting e, mais tarde, foi o Boavista a dar-lhe a hipótese de sair do Chipre. Luís Loureiro, hoje treinador do Sintrense, jogou nas equipas que se defrontam este sábado (18h15, Sport TV1), num de dois duelos desta jornada entre campeões nacionais: “É sempre muito difícil bater o Boavista no Bessa”

Diogo Pombo

NICOLAS ASFOURI

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Como foi parar ao Sporting?
Portanto, eu na altura estava no Dínamo de Moscovo, tinha ido para lá a meio da época na Rússia, ou seja, no início da temporada em Portugal. Surgiu a hipótese de jogar no Sporting, um grande, e naturalmente que não podia rejeitar essa possibilidade. Voltei.

Já estava farto de estar na Rússia?
Um dos motivos foi a adaptação, que estava a ser bastante difícil. O clima, a cultura, o país, tudo isso não ajudou.

E quando chegou ao Sporting, não se deslumbrou por chegar a uma equipa destas?
Não, não. A integração foi fácil e rápido. O treinador da altura, o Peseiro, também já me conhecia, tinha trabalhado com ele. Conhecia alguns jogadores também. Lá foi fácil.

Dava-se melhor com quem?
Dava-me bem com toda a gente. Não havia assim ninguém com quem possa dizer que não me desse bem.

O golo que marca no Sporting é logo num dérbi, contra o Benfica.
É verdade, e foi o único. Jogámos em casa e foi ótimo. Foi na ressaca de um canto, um pontapé à entrada da área.

Depois houve a troca de treinadores, chegou o Paulo Bento.
Já íamos com quatro ou cinco jornada, não consigo precisar. Obviamente que, até então, tinha sido aposta inicial. Depois, com o novo treinador, houve mudança de ideias e, a partir daí, não fui utilizado com a regularidade que gostava. Mas isso faz parte do futebol.

Como é que acabou no Boavista, uns anos depois?
Estava a jogar no Chipre, na altura, e coincidiu com o nascimento do meu filho. Queria regressar a Portugal e surgiu a hipótese do Boavista. No final da época, o clube, com aquela questão pública, desceu de divisão e, por isso, fiquei só até ao final da época.

Ainda apanhou o Jaime Pacheco. Ele ainda puxava por aquela cultura do Boavistão?
Claramente. O Jaime Pacheco, digamos, era uma das identidades do clube, pela sua forma de preparar as equipas e tudo mais. Ainda era um Boavista forte, na altura.

Inspira-se nele hoje em dia, por já ser treinador [Luís Loureiro está no Sintrense]?
A gente retira ensinamentos de todos. Costumo dizer que o treinador é um mero ladrão de ideias, tentamos sempre apanhar um bocadinho de cada um. E o mister Jaime Pacheco tinha coisas bastante positivas, por isso é que teve o sucesso que teve e levou o Boavista a ser campeão nacional.

Ainda fala com ele?
Se me cruzar com ele sim, mas não temos contacto.

Vocês cruzaram-se quando o Luís já não ia à seleção.
Aí já não. Deixei de ir, lá está, porque há muitos jogadores em Portugal, muita qualidade. Foi-me dada a oportunidade quando estava no Gil Vicente. Mas, na altura em que estava a ser convocado com alguma frequência, sofri uma lesão que me afastou do campo durante uns dois meses. Isso pode ter prejudicado um bocadinho. Mas, sobretudo, teve a ver com as ideias do treinador [era Luiz Felipe Scolari], que têm sempre de ser respeitadas.

Esses tempos foram os melhores que teve na carreira?
Tive bons momentos na seleção e no Gil, como em todos os clubes. Agora, se me perguntarem qual foi o ponto alto da carreira, claro que foi representar a seleção. Acho que é sempre, para qualquer jogador.

E o Boavista-Sporting deste sábado, o que acha que vem aí?
Fundamentalmente, acho que o Sporting tem uma margem de erro que é zero. Já está com alguns pontos para o objetivo que persegue, que é ser campeão. Tem de ganhar no Bessa. Claro que não é fácil, nunca o foi, e o Boavista, apesar de ter sido eliminado da Taça, está a fazer um campeonato positivo, tendo em conta as condicionantes.

Mas já não é o Boavista do seu tempo, ou de antes.
Toda a gente sabe que o Boavista atravessou aí uma fase negativa, com alguns problemas. Está a tentar-se “endireitar”. Mas não há dúvida que qualquer jogador que representa aquele clube sabe que a mística continua lá. Não quer dizer que seja o caso, mas, mesmo não havendo a qualidade dos anos dourados do Boavista, é sempre uma equipa muito difícil de bater no Bessa. Independentemente dos jogadores que lá estejam.