Tribuna Expresso

Perfil

Entrevistas Tribuna

Dez minutos surreais com Formoso: “Você está a dar-me uma tanga...”

Antes do Braga-Benfica deste domingo (20h15, Sport TV1), quisemos entrevistar António Formoso, que passou duas épocas nos minhotos e esteve quase para ir jogar pelos encarnados. Foram uns instantes de conversa em que o ex-jogador não gostou de ser tratado pelo primeiro nome

Diogo Pombo

D.R.

Partilhar

Olá António. É o Diogo, jornalista do Expresso. Como está?
Está tudo bem, obrigado.

Olhe, nos treinos do Boavista, quando lá estava, quem batia melhor livres: o Formoso ou o Timofte?
Claro que era o Timofte.

Mas costumava dividir a responsabilidade com ele?
Não, nem me atrevia a isso.

Porquê?
Porque ele era melhor do que eu.

Dava-lhe gozo vê-lo a bater os livres?
Claro.

Treinavam muito?
Hein?

Praticavam muito os livres?
Sim, no final dos treinos.

E o Sanchéz, já lá estava nessa altura?
Não, não joguei na altura dele.

Ok. Recuando um pouco, tem aquelas duas épocas no Braga em que dá mais nas vistas. Como é que eram os tempos lá nessa altura?
Eram bons tempos.

E o balneário?
Era bom.

Quem eram as personagens, os jogadores mais brincalhões, lembra-se?
[Demora algum tempo a responder] Pá, era o Gamboa, que era divertido. O Jordão…

Dava-se melhor com quem?
Sempre me dei bem com toda a gente.

Mas não havia jogadores de quem era mais próximo?
Eu dava-me bem com toda a gente. O meu amigo era o Gamboa, que vínhamos os dois da Póvoa, portanto.

Pronto. E chega a marcar algum golo ao Benfica, enquanto está no Braga?
Ao Benfica não.

Mas faz um golo de livre ao Sporting.
E fiz ao FC Porto, na Super Taça.

De livre, também?
Não, não, não.

De bola corrida, ok. E há uma época, que acho que é a sua última no Braga, em que tem três treinadores: o Manuel Cajuda, o Vítor Oliveira e o António Oliveira, não foi?
Não, o António Oliveira não. Foi o Cajuda, o Vítor Oliveira e o Carlos Manuel.

Qual dos três gostou mais?
Foram os três bons treinadores. Tirando o Carlos Manuel, que neste momento não está a treinar, o Vítor Oliveira está a treinar e o Cajuda está na China, penso eu.

Não se lembra de nenhuma história engraçada com algum deles?
Não, já passou muito tempo, já são 20 anos. Não me lembro.

E o Karoglan, dava-se bem com ele?
Sempre me dei. Já lhe disse que me dei bem com toda a gente.

Eu sei, António, mas estou-lhe a fazer perguntas para ver se conversamos um bocadinho.
Você em vez de me chamar Formoso, chama-me António, isso aí… Está a entender? Você quer fazer uma entrevista ao Formoso ou ao António? Eu sempre fui conhecido por Formoso.

Ao Formoso, claro. Mas eu chamo-lhe António porque é o seu primeiro nome.
Você... acho que me está a dar uma tanga do c******.

Estou a dar uma tanga porquê?
Penso eu, não sei.

Olhe, eu sou jornalista, não lhe estou a dar tanga nenhuma, estou a fazer o meu trabalho.
Pois, não sei.

Por que pensa isso?
Não sei, pela maneira como está a falar, não sei. Acho isto muito estranho, mas pronto. Vamos continuar.

Olhe, Formoso, é que já lhe fiz várias perguntas e responde-me sempre com poucas palavras. Por isso é que estou a tentar puxar por si.
Mas eu falo aquilo que tenho de falar. Não vou estar a falar de coisas que não tenho de falar, está a entender? Sempre me dei bem com toda a gente, portanto não vou estar a dizer que estou mal com o A ou com o B. Não interessa. O que interessa é que me dei bem com toda a gente.

Não é isso que eu quero. Estou-lhe só a dar perguntas e tópicos para ver se conseguimos ter uma conversa em que as respostas não sejam duas ou três palavras, percebe? O objetivo é que isto dê algo para as pessoas lerem.
[Formoso fica em silêncio.]

Está a perceber?
Estou a ouvir, estou.

Então pronto, continuando. Depois do Braga…
Sabe porquê? Estou a achar estranho, porquê você quer falar do Braga e não do Boavista, não é? Não quer falar do jogo do Benfica com o Braga? Você vem-me falar do Timofte do Boavista, que não tem uma coisa a ver com a outra.

Eu sei e percebo isso. Mas era um dado curioso, o facto de ter jogado com ele, e que tinha curiosidade em saber.
Pois, mas eu tenho que dizer a verdade. Você que é jornalista se calhar ainda conhece melhor do que eu, sabe muito bem quem é o Timofte. Para mim foi um orgulho jogar com ele. Só isso. Nem me comparo a ele porque não há comparações. Está a entender?

Ok. Pronto, a seguir ao Braga, houve hipótese de o Formoso ir para o Benfica, certo?
Sim, sim.

Como é que isso aconteceu?
Aconteceu que eles falaram comigo. Aconteceu que o António Simões veio ter comigo aqui à Póvoa, num jogo em que o Benfica ia jogar ao Bessa. Eles ligaram para mim e vieram ter comigo aqui à Póvoa. Estavam hospedados no Porto, combinaram comigo e vieram ter comigo aqui à Póvoa. E falaram que estavam interessados em mim.

E qual foi a sua reação?
Ó, a minha reação… Eles sabiam que o meu empresário era o Manuel Barbosa, ele sabia disso. Só que o Benfica, na altura, não negociava com o Manuel Barbosa.

Sabendo isso, o que decidiu fazer?
Tentámos chegar a um acordo, a uma possibilidade de ir para o Benfica. Qual foi essa possibilidade? Eu rescindir com o Manuel Barbosa.

Foi o que fez?
Foi, sim.

Mas acabou por não ir para o Benfica.
Não deu em nada.

Porquê?
Os dois clubes não chegaram a acordo, foi isso.

Essa não ida para o Benfica custou-lhe? Ficou a pensar muito tempo nisso?
Se você tem uma proposta de um clube como Benfica, do FC Porto ou do Sporting, é evidente que qualquer um gostava de jogar. É evidente que começas a pensar. Se calhar prejudicou-me, não vou dizer que não. Mas pronto.

E não ficou no Braga porquê?
Fui para o Boavista.

Porquê?
Porque o Boavista me quis. Eu fui para lá e joguei a Liga dos Campeões.

No início daquela fase do Boavista europeu e em vias de ser campeão nacional.
Então, o Boavista quis-me, rescindi com o Braga, onde tinha mais dois anos, e fui para o Boavista.

Ok, pronto. Não lhe roubo mais tempo.
‘Tá, obrigado. Um abraço.