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Ele vai jogar contra o Éder daqui a pouco e espera levar a camisola dele para casa

O defesa Afonso Figueiredo, do Rennes, falou à Tribuna Expresso sobre a mudança para França depois de ter jogado no Boavista, sobre o campeonato português e sobre o jogo onde vai reencontrar o herói nacional, Éder. É às 19h

Patrícia Gouveia

Afonso Figueredo, no Estádio do Bessa, quando o Boavista defrontou o Benfica na época passada.

FRANCISCO LEONG

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Durante três épocas, Afonso Figueiredo vestiu a camisola axadrezada do Boavista até ao ano passado, altura em que rumou ao Rennes de França. Hoje a camisola que veste é vermelha, mas as saudades do branco e preto ficaram para sempre, garante.

O jogador português de 24 anos falou à Tribuna Expresso a horas de defrontar o Lille de Ederzito, e revelou que vai tentar a sorte de conseguir trocar de camisola com o homem que deu o Campeonato Europeu a Portugal. Quanto ao futuro, fica a expectativa de ter mais oportunidades de jogar e evoluir ainda mais no Rennes.

Tiveste dificuldades em mudar-te para França?
Não foi logo tudo fácil, fácil. Não percebia bem a língua ao início, tinha essas complicações com a barreira linguística. Mas a partir do momento em que comecei a conseguir falar e a compreender, foi tudo muito fácil.

Já falas como um nativo?
(Risos) Não, não. Já percebo quase tudo, mas falar... vou-me desenrascando.

E a vida por terras francesas, agrada-te?
Sim, mas claro que nunca é como estamos habituados no nosso país. Mas temos uma excelente vida aqui. A qualidade de vida é boa, é alta, vive-se bem aqui. Mas Portugal é Portugal.

Ficam as saudades, não é?
Isso, muitas.

Como é o teu dia-a-dia por aí?
Estou numa cidade muito tranquila, com um tempo muito parecido a Inglaterra. A única coisa que sinto um pouco de falta - e que há em Portugal - é o sol, mas para treinar não há melhor tempo do que o que faz aqui porque o céu está, geralmente, sempre nublado. Treinamos de manhã e depois temos a tarde para descansar. Muitas vezes também temos actividades para estar com os adeptos, fazem muitas ações para estar com as pessoas que gostam do clube e acho que é algo muito positivo.

Afonso Figueiredo posa para a foto oficial do Rennes FC em Setembro de 2016.

Afonso Figueiredo posa para a foto oficial do Rennes FC em Setembro de 2016.

DAMIEN MEYER

A adaptação ao clube e ao campeonato francês foi difícil?
Foi. Admito que no início foi um pouco mais difícil do que eu esperava porque é um futebol diferente, também tive um treinador diferente. Foi tudo completamente diferente e ter que me adaptar a tudo foi difícil. Mas tem corrido bem. Não está a correr tão bem como eu esperava porque não joguei tanto como queria, mas em termos de evolução tem corrido bem.

Depois de um período mais complicado, tens sido opção mais regular. Mais feliz com esta fase?
Claro que sim, é sempre bom quando o nosso trabalho é recompensado e agora, felizmente mais para o final, as coisas têm corrido melhor. Sempre que fui chamado, estive bem, acho que correspondi bem às minhas oportunidades.

Em algum momento o treinador te deu algum tipo de explicação para o facto de não apostar em ti?
Não é que haja muito uma explicação. Na opinião do treinador o meu concorrente, o Ludovic Baal, está a realizar uma excelente época e é assim que ele justifica a minha falta de oportunidade e eu tenho de respeitar. Nós dependemos sempre dos treinadores para jogar e se o treinador neste momento confia mais noutro jogador do que em mim, só me cabe trabalhar para ser uma opção mais regular. A explicação é essa.

O regresso a Portugal no mercado de Inverno foi uma possibilidade. Tens pena de não ter sido concretizado?
Por um lado, sim, porque ia voltar a Portugal para jogar, que era o que eu precisava; mas, por outro lado, não porque não considero que em Portugal as condições sejam iguais às que temos aqui em França. Houve também o problema dos salários, em que me dispus a baixar o salário para poder ir para Portugal, mas o Rennes não autorizou. E essa não autorização fez-me pensar que, para não aceitarem a minha saída, é porque ainda viriam coisas boas.

O defesa quando o Boavista recebeu o FC Porto em Janeiro de 2016.

O defesa quando o Boavista recebeu o FC Porto em Janeiro de 2016.

FRANCISCO LEONG

Mas achas que faltam oportunidades no campeonato português?
O que falta a Portugal é mais em termos económicos, em termos de condições de trabalho. Acho que - nos clubes por onde eu passei, pelo menos – faltam algum tipo de condições para fazer-nos crescer, e em França as condições são excelentes, temos imensos campos para treinar. Temos aqui condições que em Portugal acho que só existem nos clubes grandes e isso faz-nos pensar, porque o importante também é evoluir o mais possível e quanto mais condições de trabalho tivermos, melhor.

Foste titular no último jogo frente ao Nancy. O próximo é diante do Lille de Rony Lopes, Xeka e... Éder. Vai ser especial defrontar o herói nacional?
Claro que sim. Além de colega, é também amigo, porque felizmente tive a oportunidade de o conhecer em Braga. Quando estava na equipa B, ele estava na equipa principal. É um amigo e fico muito satisfeito por finalmente poder jogar contra ele novamente. Já tinha acontecido quando ele estava em Braga.

Vai haver troca de camisolas?
Se jogar vou tentar ficar com a camisola dele, mas não vai ser fácil porque aqui também há mais portugueses e, de certeza, que o Éder agora é um jogador muito mais requisitado. Mas fico feliz de o reencontrar.

Já falaste com ele depois do Euro?
Por acaso pensei que ele iria mudar um pouco. No caso no Éder não, mas acontece muito com vários jogadores quando as coisas correm bem e esquecem-se um pouco das pessoas que já conheciam. O Éder sempre manteve a postura dele, como sempre o conheci, muito humilde. Na altura da vitória do Euro mandei-lhe mensagem, dei-lhe os parabéns por tudo o que fez e disse-lhe que estava muito satisfeito porque ele merecia. Ele respondeu-me logo. Ele é um jogador que trabalha imenso, é uma pessoa fantástica e mereceu tudo o que aconteceu.

FRANCISCO LEONG

A nível pessoal, quais são os teus objetivos até ao final da época?
O meu objectivo é terminar da melhor forma possível. É fazer o máximo número de jogos até ao fim, aproveitar ao máximo as oportunidades que me derem e, mesmo que essas oportunidades não apareçam, posso dizer que estou muito satisfeito pelo que consegui crescer aqui. Mesmo não jogando, acho que cresci imenso como jogador. Senti-me muito melhor no último jogo que fiz, mesmo em termos físicos e já não jogava há muito tempo, ou seja, a minha capacidade física foi um pouco posta à prova e foi um teste bastante positivo.

Tens acompanhado o futebol português?
Sempre! A minha televisão está 24 horas ligada nos canais portugueses.

Quem te parece mais forte na corrida ao título?
Não consigo dizer bem porque o campeonato está muito equilibrado agora com esta luta gigante entre Benfica e FC Porto. Mas, na minha opinião, acho que vai cair para o lado do FC Porto.

E há saudades do Boavista?
Claro que sim! Muitas! É um clube que vou ter sempre saudades em qualquer sítio onde eu esteja, porque há clubes que nos marcam e sentimos sempre saudades dos sítios onde fomos bem tratados. Aqueles adeptos, aquele clube... Vai ser sempre um clube que nunca vou esquecer e vai estar sempre comigo.