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Sim, Hugo Almeida teve de jogar à baliza: “Foi uma risota”

O internacional português Hugo Almeida protagonizou um momento caricato ao defender a baliza do AEK de Atenas na segunda-mão das meias finais da Taça da Grécia frente ao Olympiacos. À Tribuna Expresso, o avançado falou da sensação de assumir a baliza nos momentos finais do jogo, além de nos ter falado sobre os países por onde passou - uns 'milhentos' -, de um eventual regresso a Portugal, do campeonato português e da mágoa que tem por não ter ganho a Taça UEFA pelo FC Porto

Patrícia Gouveia

Foto DR

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O AEK assegurou a presença na final da Taça da Grécia. Que significado tem?
Tem um significado muito grande. Primeiro, estou muito contente por termos conseguido estar na final e ainda estarmos na corrida de um dos objetivos que foram propostos para a equipa. E, segundo, tem um significado muito importante porque em todos os países em que joguei, consegui chegar à final de todas as taças dos países. É um feito histórico. Duvido que haja muitos jogadores que tenham conseguido.

Terminaste o jogo contra o Olympiacos a defender a baliza do AEK. Como é que isso foi decidido?
Foi uma situação em que o nosso guarda-redes foi expulso quando o jogo estava prestes a terminar e então ofereci-me para ir à baliza, porque sabia que íamos precisar, para os últimos minutos, da defesa e do meio-campo. O mais óbvio era um jogador da frente ir à baliza, assumindo a responsabilidade. Os que estavam na frente comigo eram muito mais baixos do que eu. E como mais velho e mais experiente, assumi a responsabilidade.

Qual foi a sensação de ser guarda-redes?
Foi estranha, sem dúvida. Mas por outro lado foi também engraçado porque ganhámos, claro.

O que te disseram os colegas no final?
Começamo-nos todos a rir da situação. Foi uma risota por causa disso.

Epsilon

Já passaste por vários países. Excluíndo Portugal, qual o país com que mais te identificas?
Penso que com a Alemanha. Fui muito feliz na Alemanha. Felizmente, deixei sempre a minha marca em quase todos os países onde passei. Tanto a Alemanha como a Turquia foram dois países que me marcaram bastante, onde fui muito acarinhado e onde fiz muito da minha carreira. Também na Grécia está a correr-me tudo bem e estou super feliz aqui.

Para quem não conhece, qual é a realidade do AEK enquanto clube?
O AEK é um clube grande, é um clube histórico, onde lutamos sempre para tentarmos ser campeões. É um clube muito grande aqui na Grécia.

O povo grego é um povo quente e que recebe bem. Sentiste isso?
Sim, sem dúvida alguma. É um povo muito parecido com o nosso. São mais amigos, mais comunicadores, mais alegres e recebem bem as pessoas.

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Tens quatro golos esta época. As lesões foram um problema?
Foram. As lesões não nos deixam fazer o máximo e o melhor que queremos fazer, mas faz parte do futebol.

O futuro passa pela Grécia?
Sim, tenho mais um ano de contrato. Sinto-me bastante bem aqui, por isso não vejo-me a passar para outro lado, mas o futebol é muito imprevisível.

Qual foi o clube que mais te marcou?
Acho que todos eles me marcaram bastante. O FC Porto marcou-me a nível de títulos, a nível de crescimento. O Werder Bremen fez-me mais jogador, aprendi outra cultura, outra visão do futebol noutro país. Na Turquia vi o fanatismo e a loucura das pessoas e o quanto vivem o futebol. Não gostei muito foi da experiencia que tive na Rússia.

Porquê?
É um país mais frio. Há um pouco de corrupção. Aqui na Grécia só tenho pena das lesões porque não consegui dar mais, mas vamos ver nesta reta final.

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Ponderas um regresso a Portugal?
Não... Ponderei este ano, antes de assinar pelo AEK. Ponderei mesmo ficar por Portugal, mas certas portas foram fechadas e então não me vejo a voltar para Portugal.

Houve contactos com Benfica e Sporting?
Não interessa falar disso.

Em relação ao campeonato português, continuas a acompanhar o FC Porto?
Sempre, sempre. O FC Porto e o futebol português.

E o que tens achado desta época em Portugal?
Esta parte final está um pouco negra. É muito mau para o futebol português estas guerras, estas batalhas, estas coisas entre clubes e adeptos. É bastante mau. Mas o campeonato em si está engraçado. O FC Porto lá vai deixando escapar as oportunidades que tem, mas vai ser um campeonato até ao fim.

Os dragões poderão ainda chegar ao titulo?
Penso que sim, Há quatro jogos por se jogar e há três pontos de diferença. O Benfica ainda vai jogar fora e ainda recebe equipas difíceis. Pode ser que o FC Porto chegue ao título, no futebol nunca se sabe.

Ainda pensas naquele golo que marcaste ao Inter com a camisola do Porto?
Não, não penso. Foi uma coisa que passou. Foi um golo muito bonito que fiz. Há que recordar, isso sem dúvida alguma. Há coisas boas que levo do futebol, mas não penso muito nesse golo. Passou é passado e há que pensar no presente e no futuro.

Foste lá formado, como o André Silva. Como avançado 'da casa', que conselhos darias a André Silva?
Não daria conselho nenhum. Acho que ele teve as oportunidades que muitos gostavam de ter, até que eu gostava de ter na altura - e que ele as tem neste momento. É um excelente avançado. Fico feliz pelo FC Porto ter apostado nele, fico feliz pelo futebol português - em termos dos grandes –, por apostarem nos jovens, porque temos jovens de muita qualidade e muitas das vezes temos de sair do nosso país para sermos reconhecidos no futebol e para mostrarmos o nosso valor. E o André está a mostrar o seu valor no Porto e é uma peça muito importante no clube.

E a seleção nacional? Triste por não vir a ser opção?
Claro que fico triste. Mas a vida é assim. Há ciclos que se abrem e outros que se fecham. Nunca fechei o ciclo da seleção nacional e também nunca ninguém me disse que o ciclo da seleção estava fechado para mim. É lógico que fico triste por não representar o meu país, mas tenho muito orgulho nos anos em que o fiz.

Achas que Cristiano Ronaldo pode estar no bom caminho de ganhar mais uma Bola de Ouro?
Com certeza. O Ronaldo é uma máquina. É um jogador de outro nível, de outro mundo, de outra qualidade. Agora tem-se visto que tem parado mais, tem ficado uns jogos de fora. Acho que é importante para um jogador como o Cristiano descansar um pouco também. E sim, sem dúvida alguma, é o melhor do mundo. É um craque dentro e fora de campo. O que se pode dizer mais do Ronaldo? (risos)

Martin Rose

A Naval atravessa um momento complicado - vai para os distritais. Como craque da terra (Figueira da Foz), qual é o sentimento uma vez que chegaste a lá jogar?
É um sentimento de desilusão, fico muito triste pelo clube estar a passar este período muito mau. Passar ao lado do estádio e ver o estádio abandonado, tudo muito feio, o campo completamente cheio de ervas daninhas... É uma desilusão para mim ver o clube que tantas alegrias deu, até chegou à primeira divisão... e agora dá este tombo tão grande.

O que ainda te falta ganhar?
Neste momento ambiciono ganhar a Taça da Grécia e começar a trabalhar bem para o próximo ano tentarmos ganhar o campeonato que o AEK anda à procura há alguns anos.

E o que é que faltou ganhar?
Faltou-me ganhar, sem dúvida, a Taça UEFA quando tive a oportunidade de a ganhar e a Intercontinental que não tive o prazer de ter sido convocado quando o FC Porto ganhou.

Fica essa mágoa?
Sim, fica um pouco sempre essa mágoa, mas tenho uma carreira recheada e sinto-me muito lisonjeado por isso.

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