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António Salvador: “Assumo o sonho e acredito no Braga campeão nacional”

Há 14 anos ao leme do Sporting de Braga, António Salvador tem pela segunda vez oposição à boca das urnas, concorrência que atribui ao facto de ter transformado 'o quarto grande' português num clube apetecível. António Pedro Peixoto, ex-atleta, acredita ter argumentos para destronar o presidente de tiques absolutistas, nem sempre transparentes. O que dizem os candidatos na véspera de ir a votos

Isabel Paulo

António Salvador festejou com os jogadores a conquista da Taça de Portugal da época 2015/16

Miguel A. Lopes/Lusa

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Depois de 14 anos, o que ainda o faz concorrer à presidência do Sporting de Braga?
Acima de tudo, continuo a viver intensamente o dia a dia do clube, a sentir a confiança de quem trabalha comigo e a sentir a confiança dos nossos sócios. Mas sendo mais concreto, há dois grandes projetos que identifico neste próximo mandato e que reclamam continuidade. Um é o projeto desportivo, o projeto de um SC Braga que tem vincado o seu espaço entre a elite do futebol nacional e europeu e que quer chegar alguns passos à frente, sem esquecer que também está a crescer nas modalidades; outro é o projeto de infraestruturas, corporizado na Cidade Desportiva, uma obra pela qual esta Direção se bate há mais de uma década, que está em curso e que vamos concluir e deixar paga no próximo mandato, ficando o clube com um património que nunca teve, avaliado em cerca de € 60 milhões.

Foi reconduzido em fevereiro, por unanimidade, na liderança da SAD por mais 4 anos. Não faz mais sentido que fosse ao contrário, para evitar o risco de de uma liderança bicéfala?
O mandato da SAD tinha terminado em dezembro do ano passado e uma sociedade comercial como a do SC Braga, não pode estar em gestão corrente. Antes dessa eleição, convoquei todos os órgãos sociais para lhes transmitir que, caso não vencesse as eleições para o clube, colocaria imediatamente à disposição o meu cargo de presidente do Conselho de Administração da SAD.

É a segunda vez que tem um adversário na corrida. É um sinal de contestação à sua gerência ou o clube tornou-se apetecível?
O SC Braga é hoje um projeto desportivo e financeiro de máxima credibilidade, disso não há a menor dúvida. E, assim sendo, é óbvio que é apetecível. Basta ver que fechamos o último exercício sem qualquer passivo bancário e orgulhamo-nos também de sermos absolutamente cumpridores com as nossas obrigações. Não era assim quando cá chegamos, como todos sabem.

António Pedro Peixoto, conhecido dos bracarenses por Pli, defende maior transparência de gestão, que devia ser fiscalizada por uma auditoria externa de três em três anos. Diz que a transferência de Rafa não foi explicada, referindo que parte do encaixe da venda (€16 milhões) foi para um fundo. É verdade?
É lamentável que, tantos meses depois, estas insinuações possam ser feitas. E é lamentável porque o senhor Pli tinha duas formas de obter a informação que tanto reclama. Uma, a mais simples, era ter apresentado essa sua dúvida na Assembleia Geral de Associados de 26 de outubro, na qual esteve presente, não tendo feito qualquer intervenção. Outra, seria perguntar ao seu candidato a presidente do Conselho Fiscal, que no mesmo dia, mas horas antes, esteve na AG da SAD, levantou esse ponto e foi cabalmente esclarecido, conforme está em ata. Aliás, o esclarecimento foi tão rigoroso que José Luís Dias, hoje candidato da lista concorrente, aprovou as contas apresentadas com voto de louvor unânime.

O seu adversário afirma não saber quem detém as ações do capital social da SAD vendidas pela Câmara de Braga. É a Sundown Investments Limited, sociedade com sede em Londres? Quem são os acionistas?
A SAD do SC Braga é uma sociedade aberta. Vários acionistas, eu próprio, têm ao longo dos anos transacionado ações no mercado de capitais. Um investidor, no caso a Pershing Limited, que é uma das mais credíveis corretoras a nível mundial, adquiriu as ações que a Câmara Municipal de Braga colocou à venda. A Sundown Investments comunicou-nos, mais tarde, estar na posse dessas mesmas ações. Eu teria preferido que a Câmara de Braga pudesse doar as ações que detinha até o Sporting de Braga deter 50% do capital social, mas o presidente Ricardo Rio informou-nos que tal não era possível e que teria de colocar as ações no mercado. Foi o que aconteceu. E o mercado agiu, reconhecendo a credibilidade desta SAD.

Este ano a equipa ficou em 5º lugar, atrás do Guimarães, após ter conquistado a Taça há um ano, ter sido vice-campeão nacional e finalista da Liga Europa no início da década. Está em risco o estatuto de quarto grande português?
Todos sabemos que não. Não sou eu que o digo, é a perceção geral. Se há clube em Portugal que pode ameaçar Benfica, Porto e Sporting é o Sporting de Braga. E é o que vamos fazer, porque não será uma época menos conseguida a colocar em causa um ciclo e um projeto.

Após a conquista da Taça de Portugal há um ano, afirmou que a meta era o título nacional. Ser campeão é uma miragem?
Tanto não o é que já o disputamos no passado recente. O Braga tem hoje os alicerces para construir esse edifício. É o que estamos a fazer. Peça a peça. Pormenor a pormenor, porque sabemos que tudo tem de estar conjugado. Assumo essa ambição, não a prometo porque não posso prometer resultados, mas assumo esse sonho e acredito que um SC Braga sólido, que mantenha a sua estrutura e seja mais célere do que os outros grandes a identificar os alvos de qualidade, possa concretizá-lo.