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“Vinha a falar com o Redondo depois de um treino e uma moça desmaiou quando o viu”

Queríamos falar com alguém que soubesse o que é jogar no Real Madrid, clube que pode, este sábado, ganhar a Liga dos Campeões pela 12ª vez. Ou que, pelo menos, soubesse o que é treinar com os melhores. Filipe Cândido contou-nos como foi conviver com tipos como Raúl, Fernando Redondo, Roberto Carlos, Davor Suker ou Predrag Mijatovic

Diogo Pombo

João Carlos Santos/Expresso

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Tenho de perguntar: como é que foi parar ao Real Madrid?
Como é que eu hei-de explicar… De alguma forma, foi tudo estranho, e novo, ao mesmo tempo. Não era usual, com a idade que tinha, 16 ou 17 anos, haver muitos exemplos em Portugal que tivessem passado por isto. Havia o João Pinto, que tinha ido para o Atlético de Madrid. Às vezes, costumo dizer que fui uma cobaia. Mas não é bem o nome certo...

Foi um pioneiro?
Exatamente. Digo isto porquê? Hoje em dia, os clubes vão muito mais facilmente buscar miúdos com 15 ou 16 anos, que nem conhecemos muito bem. Calculo que, na altura, tenha acontecido por observações que tenham feito no Sporting. Eu fazia muito golos. Eventualmente, foi por aí. Ou por alguns jogos que fiz na seleção sub-16, até cheguei a defrontar a Espanha naqueles torneios de Lisboa e do Algarve. O interesse deve ter surgido por aí.

E o negócio?
Naquela altura nem tínhamos contratos, não existiam. Falaram diretamente comigo e com o meu pai. Posteriormente, tivemos uma ligeira ajuda do Manuel Barbosa, que era empresário, porque já tinha uma relação próxima com o Real. Na altura, tinha feito aquele negócio com o Agostinho e o Edgar. Portanto, sabendo nós desta relação, acabámos por nos aproximar um bocadinho. Para um miúdo com 16 anos foi algo espetacular.

Deve ter sido uma experiência incrível.
Foi um ano maravilhoso.

Ter 16 anos e ir do Sporting para o Real Madrid, naquela altura. A maioria dos miúdos, desculpe-me a expressão, não se borraria de nervos com isto?
Sim, sim. Na altura fui para a equipa B, mas passei praticamente um mês a treinar com a equipa principal, liderada pelo Fabio Capello. Esse foi um dos marcos da minha passagem pelo Real - contactar com aquelas estrelas todas. Era o Suker, era o Mijatovic… Curiosamente, todos são campeões europeus no ano a seguir. Era o Raúl, que, na altura, era um dos melhores jogadores do mundo. Era o Redondo, era o Seedorf, era o Roberto Carlos. E ainda havia o Secretário, com quem hoje ainda tenho uma relação próxima.

E histórias com essa malta?
Sei lá. Tenho uma que me marca, que é a primeira vez que fui treinar com a equipa principal. Era algo com que sonhava, mas não acreditava que pudesse acontecer [ri-se]. O Vicente del Bosque era o diretor do futebol e veio-me solicitar para treinar com a equipa A, acho que tinha havido um problema com um jogador qualquer. Dei por mim e, em vez de treinar com os meus colegas habituais, estava a treinar com os craques. Confesso que senti alguma tremedeira no início. E, na altura, a cidade desportiva era aberta, deviam ser uns 5 euros a entrada, então quase todos os dias tínhamos três ou quatro mil pessoas a ver o treino. Recordo-me de entrar no mini-estádio onde treinava a equipa principal e de ver aquilo completamente cheio. A equipa B também tinha gente, mas não as bancadas completamente cheias. Todos os dias havia excursões. Era um mundo completamente à parte. Já vinha de um clube grande, mas, ao nível da formação… O Sporting tinha um campo pelado e um relvadozito, que nem podíamos utilizar. No Real Madrid tínhamos cinco campos com todas as condições e mais algumas. Nem se conseguia comparar.

Fora o Secretário, que era português, qual era o tipo mais porreiro da equipa principal?
O Roberto Carlos, sem dúvida. O espanhol não era muito difícil, mas o fator da língua interessava. Ele estava sempre pronto para ajudar. Havia outros dois brasileiros com quem tinha uma relação próxima: o César Prates, que depois viria a jogar no Sporting; e com o Iarley, que, curiosamente, veio a ganhar uma Taça Intercontinental pelo Boca Juniors. Jogávamos na equipa B e na C. Na altura, não havia isto em Portugal, mas era o espaço que eles criavam para os miúdos competirem.

E mais?
Tive umas histórias com o Samuel Eto’o. É um ano mais novo, ele tinha 15 e eu 16. Recordo-me do dia em que chegou lá, muito tímido e africano, e eu, que não sou muito forte a francês, tentava traduzir algumas palavras do francês para o espanhol. Mas pronto, foi alguém com quem criei uns laços fortes de amizade.

Os miúdos dessa idade viviam juntos?
Sim, estávamos juntos. O Real Madrid tinha um protocolo com um hotel. Havia o Rivera, que fez carreira na liga espanhola, no Bétis e no Deportivo da Corunha. Outro, que chegou na mesma altura que eu, aliás, no mesmo dia, foi o Cambiasso. Ainda tinha cabelo. Chegou com o irmão, que era guarda-redes. Cruzei-me com uma série de malta, assim as histórias começam a vir à cabeça.

Força.
Uma vez vinha a sair de um treino da equipa principal, aquilo completamente cheio de gente. Havia lá umas moças a desmaiarem quando virem o Redondo. Vinha a falar um bocadinho com ele, depois do treino, e quando elas o viram, uma delas desmaiou. Foi curiosa a atitude dele, que chegou lá, muito preocupado, pegou na moça e levou-a lá para dentro para ser assistida pelos médicos. O Redondo era um personagem que apelava a isso. Além da própria imagem, ele tinha um nível diferente.

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Quem o impressionava mais nos treinos?
Epá, o Raúl, sem dúvida. Para mim, era o melhor jogador do mundo na altura. No jogo, no treino, em todo o lado. Era fabuloso. O Raúl González era incrível.

Achava que ia falar do Redondo, por acaso.
O Redondo era muito bom. Mas esta conversa é difícil, porque depois havia o Seedorf, que também era muito bom. Os dois da frente eram fabulosos, o Suker e o Mijatovic. Tecnicamente, o Mijatovic [faz uma pausa e suspira] acho que foi dos melhores que vi. Era incrível. Só que o Raúl, pelo trabalho que tinha, pelo que corria, e pelo que jogava, enchia-me as medidas. E pela humildade.

Era um homem da casa, não é?
Ele andava lá nos meandros do clube. Se fosse preciso ir à secretaria e estar lá com aquela malta, ele estava. Até ajudava a tirar uma fotocópia. Tinha uma humildade e, ao mesmo tempo, jogava tanto… Ninguém lhe tirava a bola nos treinos. Identificava-me mais com ele. Claro que havia outros que achavam que o melhor era o Redondo. Mas, naquele ano, o Raúl era quem me chamava mais a atenção, pelo que dava à equipa.

Ainda havia outros, como o Hierro, o Panucci, o Sanchís...
Exato! Ainda apanho duas grandes referências do tempo da Quinta del Buitre: o Paco Buyo [guarda-redes] e o Sanchís, o grande central e um grande profissional. Eu tinho 16 ou 17 anos, e o Buyo já devia ter mais de 40.

O Butragueño já tinha ido para o México.
Sim, sim. Depois havia o Hierro e o Alcorta. O Casillas estava nos juniores, nos sub-19. O Guti tinha subido para a equipa principal nesse ano. Também jogava muito.

Ele não era avançado, nessa altura?
Era um médio vagabundo, era mais ou menos a posição dele. Não era bem um avançado. Aquilo foi estar ali um ano a desfrutar de uma série de figuras.

O Real Madrid já tinha a cultura de viver em prol da Liga dos Campeões?
Sim, quando vou para lá, a equipa principal tinha tido o pior ano da história - que foi não se apurar para qualquer competição europeia [acabou em 6º no campeonato]. E, nesse ano, conseguem ser campeões. Recordo-me bem do jogo do título, que, curiosamente, foi um Real Madrid-Atlético de Madrid. O Raúl marca dois golos e ganham esse jogo por 3-1.

No Santiago Bernabéu.
Nunca tinha visto uma festa daquelas. Para já, o estádio parecia que ia abaixo. Até estava com algum receio. O Bernabéu abanava! Estava tudo aos saltos, 100 mil pessoas. Foi estrondoso, achava mesmo que o estádio ia cair. E o mais incrível foi o banho de multidão. Demorei quase duas horas a chegar depois ao hotel, que era praticamente ao lado do estádio. Não conseguia andar nas ruas de Madrid, fui tudo festejar. Inacreditável.

Sentiram que ia voltar à Champions, se calhar.
Havia essa grande vontade de se prepararem para o que era, realmente, a grandeza do clube. Voltarem a jogar na Liga dos Campeões. A partir de 1998, o ano em que a voltam a ganhar, com o golo do Mijatovic, acho que é aí o arranque que projeta o grande Real Madrid que, neste momento, pode eventualmente vencer a 12ª Champions.

É o único clube que se dá ao luxo de tratar a competição pelo número de taças que já tem.
Sim, e na altura em que sou apresentado, o museu foi um dos sítios aos quais me levaram. Recordo-me de ter um espaço sagrado, onde me levaram imediatamente: entrei no museu, olhei para o lado direito e vi uma luz, como uma luz ao fundo do túnel, e, quando chego lá, estavam a seis Taças dos Clubes Campeões Europeus.

Hoje estão lá quase o dobro.
[Ri-se] Pois, por isso é que sinto que foi um marco importante terem conseguido a Sétima em 1998.

João Carlos Santos/Expresso

Há pouco tempo li uma entrevista em que se dizia que, em Valdebebas, há fotografias nos corredores das equipas que conquistaram a Liga dos Campeões, e não das que venceram campeonatos. É mesmo assim?
Sim. Sentia era que faziam questão de deixar claro que a Liga dos Campeões era aquilo que mais veneravam, mais sentiam e mais pretendiam. Era muito evidente. De vez em quando até ia lá visitar as taças, outra vez. Quando amigos me visitavam também fazia questão de os levar lá. Aquelas taças todas, realmente, eram imponentes. Era uma espécie de local sagrado. O arranque do grande Real Madrid começa em 1998 e hoje estão fartos de chegar a finais.

Já começa a perder a piada, não?
[Ri-se] Eles tiveram ali um tempo em que chegavam muito às meias-finais, até com o Mourinho. Agora voltaram a conseguir chegar às finais. Mas pronto, foi espetacular o ano que lá passei. Tinha mais dois anos de contrato, mas apareceu a possibilidade de ir para o Vitória de Setúbal, ainda com idade de júnior, para jogar na primeira liga. Nem todos têm a possibilidade de passar da equipa B para a principal do Real Madrid. Eu não era um jogador extraterrestre [volta a rir-se], ali só joga mesmo quem é um top dos tops. Na altura, eles queriam-me emprestar ao Leganés.

Ainda por cima com a política de dos galáticos e do vender camisolas, que estava a uns anos de distância.
Volta e meia a afición, apesar de tudo, dá algum valor aos talentos da casa e tenta projetar um ou outro. Mas é muito difícil. Estou-me a lembrar do Morata, por exemplo. Teve que ir para a Juventus, o Real gastou não sei quantos milhões para o trazer de volta e ele continua sem jogar. O Real Madrid até forma muitos jogadores que, depois, conseguem singrar, como o Mata ou o Javi García. Podem não ir para patamar muitos elevados, mas consegue formá-lo. Se o Real Madrid não tivesse esta loucura com a constelação de estrelas, se calhar até os aproveitava melhor. Por isso é que estes miúdos acabam sempre por sair.

No seu tempo havia muitas promessas?
Havia muita qualidade. Às vezes digo que não fui um grande jogador, e a carreira acabou por confirmar que não fui top [ri-se], mas acho que tinha de ter algum jeito. Caso contrário, não tinha chegado ao Real Madrid. Eram todos muito bons jogadores. Recordo-me de irmos a alguns torneio lá fora, na Holanda ou na Suíça, com os da minha idade, e, epá, dávamos um chocolate em todas as outras equipas. Não havia hipótese. A diferença era muito grande. Às vezes aparecia o Ajax, e nós “epá, o Ajax, grande escola”, e chegávamos lá e ganhávamos por três ou quatro. Eles nem tocavam na bola. Era muita qualidade. O Real Madrid é top.

Então na equipa principal devia ser assombroso.
Era qualquer coisa.

Aí talvez fosse o Filipe a não tocar na bola.
Não, apesar de tudo, sentia que até era mais fácil. Lá recebíamos, verdadeiramente, uma bola. Ela vinha redondinha. Depois tínhamos constantemente linhas de passe. Eles eram jogadores fabulosos, entendiam o jogo, tecnicamente eram fantásticos e tinham uma disponibilidade incrível para o próprio treino. Aquilo tornava-se mais fácil do que jogar a um nível mais baixo.

Dava para alguém se achar melhor jogador só por estar ali?
Sem dúvida alguma. Portanto, se eu me evidenciava menos, era por aquele inibição de ser puto. Tinha chegado ali vindo da equipa B e, de repente, estava a treinar com aquela malta. Não era de forma muito regular, mas fui muitas vezes chamado.

Ia lá treinar todas as semanas?
Sim, praticamente. Quando era treino de recuperação, para terem um maior número de jogadores, recorriam a mim ou a outro colega que costumava ir. Olhando para trás, não trocava esta experiência por anda deste mundo. Sei que, em alguns momentos, isso me pode ter prejudicado a carreira em alguns momentos. O facto de ter passado pelo Real Madrid fazia com que algumas pessoas achassem que eu pegava na bola e tinha que ser como o Maradona, a fintar tudo e mais alguma coisa. As expetativas foram demasiado elevadas. Mas posso dizer que joguei no Real Madrid.

E há muito pouca gente que pode dizer o mesmo.
Houve ali um momento em que acreditei que podia ser chamado para a equipa principal. Recordo-me disso. “Mais um bocadinho, se a coisa correr bem…”.

Mas o Fabio Capello chegou a dizer-lhe alguma coisa?
Nada de especial. Apenas para trabalhar o melhor possível e para me descontrair ao máximo, isto logo ao início. Ele era muito exigente. Não era um treinador que estava constantemente a comunicar com os jogadores, mas era muito disciplinador. Era um bocadinho reservado, mas muito exigente. Ele tinha regras muito próprias. Tínhamos que estar lá 1h30 antes. E tínhamos que estar equipados e preparados meia hora antes de começar do treino começar. Não permitia que lêssemos o jornal antes do treino, já na altura achava que aquilo pudesse mexer negativamente com cabeça dos jogadores. Ele dizia que o jogador de futebol não era para estar sentado à mesa.

Clive Mason

Como assim?
Em estágio, nas refeições, demorávamos para aí uma hora, ou uma hora e um quarto, a sermos servidos, porque éramos muitos. E ele dizia que tínhamos 30 minutos para comer. Aquilo era contado quase ao segundo. Era um treino físico para os empregados, tinham que andar sempre muito rápido para nos servirem. Já nem vou falar a nível financeiro, era outra realidade.

Mas até tinha uma boa base de comparação, que era o Sporting.
Nos juniores, tinha acabado de ser campeão de sub-19, ainda com idade de juvenil, e lembro-me de lá no Sporting haver sempre uma guerra por causa do tape [fita adesiva]. Aquele branco, para segurar as caneleiras. Aquilo era caro na altura, nos anos 90, e às tantas só havia um castanho, que era muito feio. Isto é um pormenor estúpido, mas revela um bocadinho a diferença até entre os próprios clubes. Quando chego ao Real, havia caixotes de tape. No Sporting, o pessoal chorava para ter só um pouco, para segurar a caneleira e para o estilo, porque os jogadores gostam disso e tal. Até levava alguns quando ia a Portugal, para alguns colegas. Depois, outro pormenor que diz bem da mentalidade do futebol espanhol até mais do que o Real Madrid, era o facto de em Portugal, por normal, os treinadores exigirem que os jogadores usem caneleiras nos treinos. Lá era precisamente o contrário.

Então?
Eles nem nos davam meias altas. Davam-nos meias curtas, brancas, com um símbolo do Real Madrid. Alguns até pareciam ir sem mais para o treino. Lembro-me de chegar ao balneário, ver o meu cesto e pensar como ia pôr as caneleiras. Fui ter com o roupeiro e nem sabia dizer meias em espanhol. Lá nos entendemos quando fui buscar as caneleiras e lhas mostrei. Ele, assim a abanar o dedo, disse: “Aqui não se usa isso. Mas tu queres magoar alguém? A gente quer é jogar”.

Havia mais diferenças?
Outro pormenor. No Sporting, desde muito cedo, um enfermeiro ensinava-nos a ligar os pés, com ligaduras, antes dos treinos. Por acaso até é algo contra-indicado, porque há estudos que, hoje em dia, comprovaram que ligar os pés pode enfraquecer a tibiotársica. Quando cheguei ao Real Madrid perguntei ao roupeiro por ligaduras, e foi outra carga de trabalho explicar-se o que era uma ligadura, porque não sabia dizer em espanhol [ri-se]. E não existiam ligaduras lá. Fui ao posto médico, pedi ligaduras e perguntaram-me se tinha alguma entorse. Eu disse que não, mas que era normal ligar os pés. Mas disseram-me que me tinha de habituar a treinar sem nada. Eles só ligam os pés com tape e só em casos de recuperação de entorse.

E no estilo de jogo, no ritmo e no campo?
Nem por isso, porque, no Sporting, também já tínhamos uma qualidade acima da média. Ali, a ideia que queria para o jogo era semelhante. Os intérpretes é que acabavam por ser melhores. E pronto, era isto. Fiquei com alguma pena porque acabei por ser dos poucos que, por vontade própria, se desvinculou do Real Madrid. Assinei por dois anos com o Vitória de Setúbal e estreei-me na primeira liga. Mas o convívio com o Vicente del Bosque foi muito positivo, o meu primeiro treinador lá até foi o Toni Grande, que viria a ser o adjunto do Bel Bosque. Eram excelentes pessoas. Foi uma experiência única.

É para contar aos netos.
Sem dúvida. Até há outra história. O César Jiménez Jiménez, que era meu colega e um grande amigo meu, depois foi jogar para o Saragoça e foi o jogador a quem o Figo partiu a perna. O Figo parte a perna a alguém e tinha de ser logo um amigo meu. A lesão até o impossibilitou de continuar a jogar futebol. Pronto, este meio tem sempre algumas curiosidades. No fim da carreira, até fui com o Sindicato de Jogadores participar num torneio na Holanda, da FIFpro, e encontrei, na seleção espanhola deles, um rapaz chamado Manu, que jogou muitos anos no Málaga, que era um médio que vivia no mesmo hotel que eu. Éramos muito amigos e nunca mais nos tínhamos visto. Passado estes anos todos, encontrámo-nos assim.