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Miguel Oliveira: “Festejar o 125.º grande prémio já no MotoGP? Talvez, talvez possa ser”

Piloto português da KTM fez no GP Catalunha o 100.º grande prémio da carreira. Queria festejar com um pódio e não conseguiu por pouco. Foi 4.º, o mesmo lugar que ocupa no Mundial. Falámos com ele sobre o melhor e o pior desta história de seis anos entre os melhores das duas rodas

Lídia Paralta Gomes

Mirco Lazzari gp/Getty

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Parece que foi ontem, mas já passaram 100 grandes prémios. Aos 22 anos, Miguel Oliveira comemorou no GP Catalunha o seu centenário na alta roda do motociclismo. O primeiro foi em 2011, no Qatar.

Seis anos passaram e estamos mais coisa, menos coisa a meio da temporada de 2017 do Moto2. Depois de um ano de estreia complicado na categoria intermédia, marcado por uma moto pouco competitiva e por uma queda feia que o obrigou a parar durante quase mês e meio, o piloto de Almada voltou à estrutura da KTM, moto com a qual se sagrou vice-campeão mundial de Moto3 em 2013, regressando também aos bons resultados. Já com dois pódios nas primeiras sete corridas, é 4.º classificado do Mundial de pilotos, com 83 pontos e quer nas próximas duas temporadas consolidar a sua posição no Moto2. E depois sim, dar o tão desejado salto para o MotoGP.

Terminaste o GP Catalunha no 4.º lugar e apesar de não teres conseguido voltar ao pódio achas que a moto já está mais próxima daquilo que queres dela?
Esta corrida foi um bocado atípica porque ninguém teve muita aderência com os pneus. O que quer que fosse que fizéssemos com a moto tínhamos o mesmo problema e por isso foi um bocado frustrante. Ainda assim dentro das más condições que tínhamos, terminar em 4.º e próximo do pódio não é mau e é um lugar que ficou mais ou menos dentro das expectativas que tínhamos para a corrida. Acabou por ser um fim de semana positivo.

E foi uma prova especial já que chegaste ao 100.º GP da tua carreira.É verdade, é verdade. Eu esperava comemorar com um pódio, mas foi difícil. Ainda cheguei perto, mas era complicado.

Se pudesses falar hoje com o Miguel de há seis anos, o Miguel do Grande Prémio número 1, o que lhe dirias para não fazer?
Ui, há tantas coisas. Mas acho que faz parte da evolução natural. A vida no paddock e nas corridas ensina-nos muitas coisas e é precisamente o tempo que nos ensina. Era estar em vantagem em relação aos outros se eu dissesse ao Miguel da 1.ª corrida o que fazer! A tentação é tentar dar um passo maior do que a perna e deixarmo-nos levar por um resultado bom e pensar que somos os maiores e depois na corrida seguinte não trabalhamos tanto ou da mesma forma. Talvez seja essa pressa de querer crescer que às vezes leva grandes pilotos no início de carreira a não conseguirem utilizar o seu potencial todo. Eu acredito que tenho ainda muito potencial guardado e que falta juntarem-se algumas coisas para poder expor tudo aquilo que tenho cá dentro, mas estou num bom sítio para o fazer.

E a melhor e pior recordação destes 100 GPs?
A pior de certeza que foi o ano passado quando parti a clavícula [no GP Aragão], não só pelas dores mas também porque numa época tão complicada como a que estava a ter, ter uma lesão e falhar quatro corridas não veio nada a calhar. Deixou-me muito em baixo. A melhor talvez seja na Malásia em 2015, quando consegui a vitória e, na penúltima corrida, consegui manter o campeonato vivo por 24 pontos.

Achas que já vais festejar o 125.º no MotoGP?
Talvez, talvez possa ser. A minha previsão é, fazendo uma boa época no próximo ano na Moto2, ter um lugar bom numa equipa de MotoGP mas é algo que não está na minha mente neste momento. O meu foco está totalmente virado para a Moto2 e é aí que eu tenho de singrar ainda e chegar às vitórias.

Estamos quase a meio da temporada. Neste momento ainda olhas para a classificação ou o objetivo passa por conseguir vitórias?
Está a aproximar-se o momento em que para manter esta posição no campeonato face aos nossos adversários precisamos de pontuar em grande. Logicamente há sempre um que pode fazer uma má corrida, mas neste momento o 5.º classificado, o Pasini, está a fazer muitos pódios, o Alex Marquez não está a falhar muito, o Morbidelli parece que baixou agora um bocadinho de forma, mas isso não quer dizer nada, pode ser que na próxima corrida inverta isso e baralhe tudo.

Este ano voltaste à estrutura da KTM, uma estrutura que conheces bem e em que passaste provavelmente os melhores momentos da tua carreira. Isso deixa-te mais confiante e mais à vontade face ao teu ano de estreia na Moto2?
Face ao ano passado muito mais, além que estou numa estrutura campeã duas vezes nesta categoria, o que me dá uma confiança tremenda na equipa. Acredito plenamente naquilo que me fazem na moto e confio nos meus técnicos a 200% e acho que isso é essencial para haver harmonia na equipa. Concentro-me apenas em conduzir, em melhorar e o resto sei que está bem entregue. Não podia estar num sítio melhor.

David Ramos

E estamos a falar de uma estrutura que agora também tem uma equipa no MotoGP. A ideia é continuar e evoluir dentro do programa?Sim, o programa, como é lógico, tem seguimento nas três categorias. Daí que terminando os contratos no final do próximo ano a ideia seria dar seguimento a um piloto da categoria intermédia. Será dada mais atenção aquele que está na estrutura do que um de fora, mas tudo pode acontecer.

O Bradley Smith [piloto da equipa da KTM no MotoGP] caiu em Barcelona e poderá não estar no próximo Grande Prémio. Se te chamassem para o substituir...
Não, não me vão chamar [risos]! Porque eu estou inscrito no Moto2 e é impossível. Não dá, não dá.

Mas era bom, não era?
Não que eu me importasse, mas é impossível.

Sentes-te preparado para pegar naquela máquina?
Eu sim! Logicamente que para fazer um campeonato bem, não estou, agora para dar umas voltas, claro que sim.

Portanto, e voltando um bocadinho atrás, esta temporada é para conhecer melhor a moto nova e na próxima é para atacar a sério.
Sim, até porque ainda não temos informações em todos os circuitos. Essa é a nossa maior dificuldade, não conseguirmos prever nada das corridas que se seguem porque não testámos em lado nenhum. E essa falta de informação acaba por travar um bocadinho o nosso trabalho. Vamos uma bocadinho à descoberta. Logicamente que há coisas que de ano para ano variam, as condições da pista, a temperatura, as condições em que a corrida se realiza, mas falta-nos aprimorar alguns detalhes muito importantes para fazer a diferença aqui na categoria.

E que falta afinar para os resultados serem mais consistentes?
Acho que nos falta encontrar algumas coisas que ainda não conseguimos encontrar porque não temos muito tempo para testar em fins de semana de corrida. Daí os dois dias de testes em Barcelona a seguir ao GP. Falta-nos experimentar coisas diferentes com a moto para ver a reação. Falta-nos, por exemplom em dias de calor como os de Barcelona, em que a pista não tem muita aderência - e nós temos pneus muito duros - ter um bocadinho mais de controlo sobre a roda traseira.