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Ricardinho: “Quero voltar a conquistar o título de melhor do mundo porque só o consegui quatro vezes”

No primeiro dia de trabalho no Benfica esperou que toda a gente se sentasse para ver que lugar sobrava para ele. Mas já aí sabia que queria ser o melhor da modalidade. Este domingo (19h, CMTV), Ricardinho volta a reencontrar o antigo clube. Há dois anos, emocionou-se depois de marcar três golos aos encarnados. Este ano, não faz promessas. A fome de somar títulos continua

Filipa Silva

Ricardinho é o melhor jogador de futsal de Portugal. E do mundo?

STR

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A entrada no Masters Cup, que decorre em Portimão, não foi auspiciosa para o Movistar Inter de Ricardinho, que acabou derrotado pelo Sporting (4-3). Nada que preocupe o internacional português, para quem a atual equipa ainda tem muito para melhorar mas também tempo para o fazer.

A partir das 19h00 deste domingo, é a vez de Ricardinho voltar a defrontar o Benfica, o antigo clube que carrega no coração.

À boleia do reencontro, que acabou de forma emocionada há dois anos na primeira edição do torneio, a Tribuna Expresso esteve à conversa com Ricardinho a perspectivar a época que está prestes a arrancar.

Depois da goleada na final da UEFA Futsal Cup, foi a vez do Sporting derrotar o Inter. Que lições há a tirar do jogo de ontem?
Não muitas. É um jogo de pré-temporada, é o nosso terceiro jogo de preparação para uma temporada que vai ser longa, com vários títulos em disputa. E este era apenas um para provar e ver a qualidade dos nossos reforços. Houve jogadores que não jogaram, porque tinham algumas dores, porque a temporada tem sido muito apertada para nós, mas como disse o Sporting já vinha com um adianto, com seis ou sete jogos de preparação, não teve muitas alterações, nós tivemos cinco alterações na equipa, mas o mais importante é conseguirmos aumentar o nosso rendimento e ritmo competitivo para o que aí vem, porque aí é que os títulos são a contar. Agora ainda não é a contar.

Vem aí o Benfica. Já disse que este ano vem mais racional e menos sentimental. Aconteça o que acontecer, não haverá lágrimas no fim?
São coisas que eu não posso prometer nem controlar. O sentimento vem quando tem que vir. Disse estou mais racional porque acho que com a idade vais percebendo as coisas e tão pouco quero alimentar muito o futuro. Prefiro estar no presente. Acho que vai ser um bom jogo, uma boa promoção para a modalidade. Vou rever amigos. Vou rever um clube onde fui muito feliz, mas agora estou focado no presente.

O primeiro grande desafio do Inter é a Supertaça espanhola. Como é que sente a equipa este ano e que época está à espera de fazer?
Neste momento temos muito que melhorar. Acho que os reforços ainda precisam de mais tempo. Temos tido muitos treinos, mas treinos físicos não tanto táticos e está-lhes a custar um pouco aprender a maneira como jogamos. Temos cinco mudanças, como disse, mas a estrutura, a base da equipa mantém-se, por isso, o nosso objetivo é tentar alcançar o máximo de títulos possível. O ano passado conquistamos três, a Taça de Espanha, a UEFA e a Liga. Este ano vamos tentar começar já por um que perdemos o ano passado, que é a Supertaça, contra um grande rival que é o El Pozo, mas o objetivo é sempre ganhar.

O que é que lhe falta conquistar?
Um título pela seleção, que ainda não consegui e que vejo com mais dificuldade porque as seleções são muito fortes. A nossa equipa está a melhorar cada vez mais, mas custa-nos dar esse passo importante de ambição. E quero voltar a conquistar o título de melhor do mundo porque só consegui quatro vezes, não consegui cinco e é uma boa oportunidade (risos).

Com tantos troféus, já pensou abrir um museu?
Já tenho um pequeno museu em casa. Não está é aberto ao público. Mas isto dos troféus é bonito recebê-los, tê-los em casa, mas são coisas que vão ficar marcadas na história, nos registos estatísticos, e isso é que conta.

Ricardinho conquistou na última época a segunda UEFA Futsal Cup da carreira. A primeira foi ao serviço do Benfica.

Ricardinho conquistou na última época a segunda UEFA Futsal Cup da carreira. A primeira foi ao serviço do Benfica.

DR

Onde é que o Ricardinho se imagina daqui a 10 anos?
Não tenho ideia. Imagino-me ligado a esta modalidade. Espero ser um embaixador da modalidade mas sinceramente não tenho nada claro para daqui a 10 anos.

Sente pena de nunca ter tido uma oportunidade no futebol de 11?
Era uma boa aventura. Uma boa experiência, porque era um sonho que tinha desde pequeno mas que infelizmente não se concretizou, por vários aspetos, um deles o ser baixinho, não sei se foi desculpa ou não, o que é certo é que me privou de um sonho que tinha. Mas encontrar a modalidade do futsal foi o melhor que me aconteceu, por ter chegado a este patamar. Se calhar era só mais um se tivesse chegado a outra modalidade e nesta sou a referência, sou o número 1 e é assim que espero ser.

Ainda tem fintas novas para mostrar ao público?
(risos) Há sempre coisas novas para fazer. É preciso é aparecer o timing porque esse não podemos escolher. Mas sim, tenho melhorado outras coisas que se calhar não tinha, tenho uma armas escondidas, mas no futuro sairão.

Ainda se lembra quando se estreou nos seniores do Miramar?
Perfeitamente. Tinha 15 anos. Foi um jogo contra o Famalicense. Tinham sido expulsos dois jogadores da equipa principal e por isso chamaram-me para complementar a equipa. Lembro-me que estávamos a perder 1-0 ou estava 1-1 e o treinador chamou-me. Eu não estava nada à espera. Pensava que me ia chamar só se estivéssemos a ganhar. Entrei muito nervoso mas as coisas correram bem. Marquei três golos, ganhamos 4-1, foi uma estreia de sonho, foi fantástico e vou levar para sempre essa recordação na cabeça.

E o primeiro dia de trabalho no Benfica com 17 anos?
Lembro-me de estar muito nervoso também. Não me sentei enquanto não se sentaram todos os jogadores para ver qual era o espaço que sobrava para mim. Mas depois o guarda-redes Zé Carlos e o André Lima começaram a incorporar-me na equipa. Mas lembro-me que estava muito nervoso e que queria mostrar desde o início que queria ser uma referência na modalidade.

Os nervos ainda o assaltam?
Quando são jogos muito importantes, de representar a seleção ou em finais, por exemplo, os nervos vêm sempre um pouquinho, mas na hora do jogo passa tudo.