Tribuna Expresso

Perfil

Entrevistas Tribuna

“Quando chegar aos Jogos de 2020, com 36 anos, se estiver como estou hoje, vou lá para ganhar a medalha de ouro”

Ele já era ouro olímpico e tinha muitas medalhas e vitórias quando foi atrás da excelência. Acabou com uma perna partida e quase amputada e um caminho para começar do zero. Nélson Évora fez esse caminho até aos Mundiais de atletismo, onde ganhou o bronze no triplo salto. Pode estar velho, mas, como disse em entrevista ao Expresso que será publicada amanhã, não está gasto

Diogo Pombo e André de Atayde

Partilhar

Nélson Évora não gosta de falar pelos outros, não o pode fazer, mas sabe que como ele - um atleta de elite, caçador incessante pela excelência, um humano que trabalha mais do que vive e com a cabeça em medalhas e vitórias e recordes - devem haver muitos para quem, numa competição, o que vai dentro da cabeça tem um grande peso. Não pode estar ansioso ou preocupado. Não quer falar. Quer tudo a correr bem, quer estar em paz, quer estar motivado, focado, concentrado quando está prestes a saltar a triplicar e a pedir às pernas que suportem quase uma tonelada de força em cima delas.

É quase como se entrasse num transe, diz, em que se prepara “para dar o melhor e fazer o que nunca” fez.

Lá estava ele imerso quando há semanas, em Londres, saltou 17,19 metros para regressar medalhado do Mundial de atletismo. Ficou com o bronze entre atletas mais novos que cresceram a vê-lo saltar, o trintão, mas que passavam cremes pelos joelhos e sentiam os pés doridos enquanto ele, o mais velho, olhava para o cenário e pensava: “Se eu sou o veterano, vocês estão muito mal. Quando chegarem à minha idade estão lixados”.

Nélson Évora está com 33 anos e acabou de ganhar a quarta medalha em Campeonatos do Mundo de atletismo. Já partiu uma perna que quase lhe foi amputada, já sentiu dor que não deseja a ninguém, o tipo de dores que o tiram desse transe, mas não hesitou quando, há quase um ano, se separou de quem o treinou durante 25 anos.

Em entrevista ao Expresso, que será publicada na edição impressa de amanhã, 2 de setembro, o campeão olímpico português fala sobre João Ganço, a vida em Espanha com Iván Pedroso, o novo treinador, a troca do Benfica pelo Sporting, as razões por não ter falado aos jornalistas durante o Mundial e o porquê de nunca, mas nunca, hesitar.