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Paulo Madeira e um senhor chamado Cristiano : "Pontapés de bicicleta como o do Ronaldo nem nos treinos"

A seleção joga contra a Hungri, hoje (19h45, RTP1), em Budapeste, e aproveitámos a ocasião para falar com alguém que lá jogou da primeira vez que os portugueses visitaram os húngaros para jogarem futebol. Paulo Madeira esteve lá, em 1998, e hoje fala sobre o que é preciso fazer e o que Ronaldo fez, há dias, contra as Ilhas Faroé

Diogo Pombo

Getty Images

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A pergunta do costume, o que acha que vai acontecer hoje?
Acho que vamos ganhar. É sempre bom o que aconteceu ontem [quinta-feira], em que Portugal ganhou às Ilhas Faroé, no primeiro jogo da época para a seleção e conseguiu ganhar por uma margem grande. Estamos numa fase em que temos de ganhar todos os jogos para conseguirmos o objetivo e acho que a equipa está boa, está coesa. Mantém-se há quatro ou cinco anos sempre com os mesmos jogadores e estou convencido que, com maior ou menor esforço, vamos sair de lá com uma vitória.

Mas este não terá nada a ver com a goleada às Ilhas Faroé.
Pois, vai ser fora de casa, perante os adeptos húngaros, e não sei como vão estar as condições climatéricas. Certamente será diferente do que tem estado aqui em Portugal. Mas esta seleção está habituada à adversidade e a todo o tipo de condições.

Após o Portugal-Hungria, a seleção ainda joga contra a Andorra (7 de outubro) e a Suíça (10 de outubro).
Pois, está tudo bem encaminhado. Agora é esperar que as coisas corram bem na Hungria.

Será que os húngaros ainda estão a pensar no 3-3 do Europeu?
Acho que sim, mas são situações diferentes. Portugal tem jogadores com qualidade superior, tem uma seleção campeã europeia e, mais uma vez, tenho de referir que tem um senhor chamado Cristiano Ronaldo. Quer queiramos, quer não, e muita gente critica estupidamente, Ronaldo é Ronaldo e quando é preciso ele aparece.

Até chegou aos 78 golos e ultrapassou Pelé nos golos marcados pela seleção.
Pois, e neste jogo pode fazer a diferença. Cada vez que a seleção precisa, ele está lá. O jogo contra as Ilhas Faroé também serviu para lhe dar moral, está castigado e não joga pelo Real Madrid há algum tempo. Ainda por cima marcou um golo e, diz ele, estava à procura de um golo daqueles há muito tempo.

O golo de bicicleta.
Viu-se a alegria dele na conferência de imprensa, não é muito normal. É bom sinal, é sinal que está contente por estar na seleção.

Porque acha que ficou assim?
Primeiro, representar o país é sempre um orgulho. É talvez a frustração pelo que lhe têm feito em Espanha, nos últimos tempos, em relação à vida privada dele. Depois, foi reencontrar os colegas com quem não jogava há algum tempo. Tudo isso junto faz com que se sinta bem cá em Portugal, é português e sente na pele a nossa bandeira.

O pontapé de bicicleta ajudou a reforçar tudo isso?
Exatamente. Se me lembrar de conferências de imprensa ou de flash-interviews a que ele tenha ido, já não o via a rir e sentia contente há muito tempo. Tinha acabado de jogar contra as Ilhas Faroé, que não são um adversário difícil, e podia ter dito que foi mais um jogo e mais uma vitória contra uma equipa abaixo do nosso nível, o que é óbvio. Mas via-se que ele estava feliz pelo que tinha feito. Claro que, agora, contra a Hungria, não podemos facilitar. Nem nos jogos que faltam.

O Paulo lembra-se de alguma vez ter marcado de bicicleta?
[Solta uma gargalhada] Não, não. Não é fácil!

Em nenhum treino?
Nós brincávamos um bocado, sim, mas mesmo a brincar, ou com os outros jogadores a facilitarem, não é nada fácil fazer um golo daqueles. Ainda por cima com a potência com que Ronaldo o fez. A bola passou na direção do guarda-redes, mas ia com tanta força que ele não teve reação. Além da execução brilhante foi a força do remate. Só um jogador como ele consegue fazer este tipo de golos. Mesmo ele a marcar livres é diferente da maior parte dos jogadores. Ele marca sempre em força, como o Roberto Carlos fazia, só que com o pé contrário.

E Ronaldo já tem 32 anos e continua a fazer estas coisas.
Não há muitos jogadores a fazerem isto. Temos que o apreciar e valorizar. Faz-me um bocado confusão como é que ainda põem em causa o valor, a disponibilidade e o patriotismo dele. Temos todos que lhe fazer uma vénia e tirar-lhe o chapéu porque, realmente, é um jogador de eleição e leva o nome de Portugal pelo mundo inteiro.