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Courtney Conlogue a surfar em Cascais: mais um ano, mais uma vitória?

Mais um ano, mais um título para perseguir bem lá em cima no ranking. A surfista americana, de 25 anos, já ganhou o Cascais Women's Pro duas vezes (2015 e 2016), a etapa do circuito mundial feminino que arranca esta terça-feira. Courtney Conlogue está a 300 pontos da liderança do tour e diz à Tribuna Expresso que há qualquer coisa em Portugal que sempre a empurra para as vitórias

Diogo Pombo

Sean Rowland

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Vem aí a terceira vitória aqui em Cascais?
Claro que isso seria incrível para a luta pelo título. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para o tentar repetir. Tenho muito trabalho pela frente, parece que temos um grande swell em perspetiva, o que é entusiasmante para nós.

Sim, muito melhor do que o ano passado.
Sem dúvida. Aliás, o ano passado até fomos abençoadas por boas ondas. O vento até esteve muito glassy [ou seja, praticamente não soprava] algumas vezes. Mas sim, estou muito entusiasmada, vamos ver como corre. Gosto muito de Portugal, sinto-me sempre feliz quando estou cá e acho que isso contribui para ter bons resultados.

Porquê?
Gosto muito das pessoas, da comida e do ambiente. Faz-me lembrar muito a Califórnia. Obviamente que aqui não se fala inglês [ri-se], mas gosto sempre da energia que recebo quando aqui estou. A cada ano que passa que me sinto mais em casa e este já é o oitavo ano em que aqui estou. Estive no QS e depois no CT, sabes. É um dos meus lugares preferidos.

Do primeiro ano em que cá estiveste, para este, notas algo que esteja muito diferente?
Hum, antes eram provas do circuito de qualificação, portanto, as ondas não eram muito boas. Agora, temos tido a sorte do que quer que a mãe natureza nos dê e temos também um maior peso de decisão no call [se a prova se realiza, ou não, em determinado dia], o que é divertido. E, sei lá, hoje tenho mais conhecimento e estou mais familiarizada com o país, já tenho os meus spots preferidos para ir. O que é bom.

Notas diferença nas pessoas?
Sem dúvida que se veem mais surfistas. Há alguns anos não havia tantos. Em Carcavelos nota-se e, no Guincho, há muito mais pessoas. Fiquei surpreendida ontem e hoje [domingo e segunda-feira], porque não havia muita gente na água, talvez porque o mar estava bastante grande. Não era fácil. Mas sim, o número de pessoas na água multiplicou-se nos últimos anos. A ideia que tenho é que os portugueses adoram surf e desfrutam genuinamente da modalidade.

Isso dá-vos mais energia para competir em certos sítios ou é-vos indiferente?
Dá-nos entusiasmo, porque queremos que estejam a assistir pessoas que gostem de surf, que desfrutem. Alimentamo-nos disso.

És mais reconhecida hoje em dia aqui nas ruas e nas praias?
Provavelmente sim, mas acontece mais em França. Aqui noto que acontece mais dentro do mar e pronto, aí há muita gente que me reconhece, sim.

Estás no segundo lugar do ranking, apenas a 300 pontos da Sally Fitzgibbons. Sentes mais pressão do que no ano passado?
Não, porque em 2016 era mesmo perder ou ganhar, porque o título podia ficar decidido aqui. Havia muito mais coisas em jogo. Mas, sabes, acho que continuam a estar, porque um bom resultado é sempre um bom resultado, quer seja no primeiro ou no último evento. Qualquer altura em que possa obter um resultado ou chegar a uma final, é a melhor coisa que há. A corrida para o título está boa e entusiasmante e gosto sempre quando é assim. É divertido e faz com que todas nós queiramos produzir melhores prestações.

Mais ansiosa este ano?
Naaaa, já é sempre o mesmo. Tento ter a mesma abordagem, tem de ser.