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John John Florence: "Adorava ir a alguns eventos do circuito de veleiro"

O campeão mundial de surf está de volta ao sítio onde foi feliz. John John Florence venceu o título há um ano, em Peniche, e tem hipótese de o revalidar nas ondas de Supertubos, onde a etapa portuguesa do circuito mundial decorre até 31 de outubro. Em entrevista à Tribuna Expresso, o havaiano mostrou-se tranquilo e relaxado, como sempre

Diogo Pombo

FRANCISCO LEONG

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Pareces ser o tipo mais relaxado do circuito mundial. É verdade?
Yeah, não sei. Acho que simplesmente adoro surf, é isso. Não ando nisto só para competir. Adoro a competição, é super divertido aprender enquanto competes, mas estou aqui pelo surf. Desfruto de cada momento. Não encaro o ganhar ou perder como uma situação de vida ou de morte, para mim é tudo diversão.

Essa abordagem faz com que não fiques stressado?
Claro que não, porque tudo está virado para isso. Ficas nervoso e ansioso, mas isso vem no pacote, é um dos lados fixes da competição, pois é nessas situações que mais aprendes sobre ti próprio e sobre os teus adversários. É porreiro descobrir como lidas com os momentos de pressão e como aprendes com eles, para te melhorares para a próxima vez. Faz com que tudo seja divertido.

Mudou algo de especial na tua vida desde que te tornaste campeão mundial?
Hum, sinto que agora sou mais esperto.

Esperto?
Sim, em termos de aprender sobre mim próprio e sobre a minha vida. O caminho tem sido uma aprendizagem e estes momentos de pressão, como te disse, são tudo, tal como tinha sido o ano passado. Fazer com que estes momentos não te superem e façam com que a tua cabeça fique louca.

Qual foi a melhor e a pior parte de ganhares o título mundial?
Não há uma parte má, de todo! [ri-se] É, sim, um pouco triste, quando te apercebes que foi um ano incrível e que já acabou. Mas faz com que fiques entusiasmado em relação ao próximo ano. Acho que vencer o título mundial é como atingir um objetivo ideal, quase um sonho, que está bem cá em cima [ergue a mão, para lá da altura da cabeça], e depois ficas ‘ó, e agora?’. Depois pensas sobre isso e sobre como farei melhor no ano seguinte.

É difícil continuares a desafiar-te a ti próprio?
Primeiro pensei que seria, não sabia como voltaria a fazer isto. Mas, depois, tem sido fácil puxar por mim. Há taaanta coisa ainda por descobrir. Este ano até já sinto que aprendi muito mais do que no ano passado. Cada vez que perco, ou cometo um erro, penso que posso consertá-lo. Penso que isso é o melhor do surf: a competir consegues ir sempre melhorando, não há limites para o quão bom podes vir a ser. Adoro trabalhar em função de algo melhor.

WSL / Poullenot

E agora estás em Portugal mais ou menos como estavas o ano passado: com hipótese de garantir aqui o título. Aprendeste alguma coisa?
Sim, claro! O ano passado nem sabia que tinha hipótese de vencer o título até à conferência de imprensa de apresentação do evento, quando alguém me disse. Fiquei tão nervoso. Agora estou com uma abordagem muito mais relaxada, sabendo que já estive nesta situação e que sei o que é. Não estou nem remotamente nervoso, em comparação com o ano passado. Estou é muito mais confiante e preparado.

Não seria melhor adiar e vencê-lo em casa, no Havai?
Adorava, mas se o posso ganhar aqui, quero ganhá-lo aqui, o mais rapidamente possível [sorri um pouco].

Fizeste 24 anos ontem [quinta-feira]. Como o celebraste?
T
ive um bom dia de praia, a surfar e a fazer bodysurf com alguns amigos que estão cá. Depois tive um bom jantar e pronto, basicamente foi isso: fazer o que faço todos os dias.

O que costumas fazer além do surf?
Muitas coisas. Gosto muito de fotografia e de barcos. Gosto mesmo muito de velejar, tem sido uma grande parte da minha vida no último par de anos. É outra coisa na qual tenho de melhorar, é divertido porque há tanta coisa com que te tens de preocupar ao mesmo tempo, quando estás num veleiro.

Li algures que queres, um dia, velejar à volta do mundo.
Yeah, adorava até ir a alguns eventos do circuito de veleiro. Quem sabe? Não há limites para as possibilidades de descobrir ondas novas e surfá-las sozinho.

Se alguém te perguntasse, agora, e fosses obrigado a escolher: ganhar outro título mundial ou partir já nessa viagem de veleiro?
Provavelmente faria essa viagem. É o sonho da minha vida, sabes? É isso que quero fazer eventualmente, portanto, escolheria fazê-la, no matter what.

E claro que poderias ir surfando ao longo da viagem.
Exatamente! Poderia surfar e divertir-me. Como te disse, o surf para mim não é só competir, é tudo o que há no surf. É por isso que o aprecio tanto.

  • Se lhe apetecer, isto vai repetir-se mais vezes que o nome dele

    Surf

    John John Florence venceu em Peniche e, pela primeira vez, é campeão mundial de surf. A frase "era uma questão de tempo" nunca fez tanto sentido: aprendeu a nadar aos dois anos, começou a surfar com cinco, aos oito já se enfiava em Pipeline, onda havaiana e, com 13, foi convidado para o Triple Crown. Ele faz aéreos e sobrevive a tubos com a mesma facilidade com que encara o surf. "Já me disseram que tenho um estilo preguiçoso", admitiu, em tempos. Mas o talento é tanto que só não ganhará mais títulos se não quiser