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“Em Itália, eu e a Carolina Mendes ficámos sem metade do ordenado por andar numa mota de 50cc, sem documentos, numa autoestrada”

Se pudesse dar um conselho ao selecionador nacional sobre o jogo de hoje frente à Itália (17h, RTP1), dizia-lhe: "Põe a Capeta a jogar se as coisas ficarem difíceis". Raquel Infante tem 27 anos, começou a jogar futebol aos nove e aos 20 partiu para a Espanha (e depois para Itália, Finlândia e França). Nessa altura percebeu que podia viver só do futebol, mas confessa à Tribuna Expresso que foi preciso estar parada seis meses, sem jogar, para dar outro valor à profissão. E convencer a mãe: "Cheguei a casa e disse: 'Acho que vou jogar para fora'. A minha mãe disse logo: 'Não vais nada'"

Alexandra Simões de Abreu

A internacional portuguesa Raquel Infante tem 27 anos e joga no Rodez, equipa francesa

JC

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Depois da goleada contra a Moldávia, hoje vai ser mais complicado vencer a Itália?
Sim, são jogos totalmente diferentes. Foi bom ganhar, ainda por cima por oito, mas acabou ali. Começámos logo a preparar o jogo com a Itália, que sabemos ser uma boa equipa. Mas nós também somos. E estamos muito confiantes.

Qual é o ponto forte da seleção italiana?
O ataque e o físico. Tecnicamente algumas delas são muito boas. Mas o ataque é o mais forte.

Acha que vamos conseguir o apuramento para o Mundial?
A esperança é a última morrer. Enquanto tivermos oportunidade vamos trabalhar para continuar a manter bem viva a hipótese de nos qualificarmos. Estamos confiantes. É um grupo que está muito coeso.

Se fosse chamada para dar um conselho ao selecionador nacional, o que lhe diria?
Ui... Sei lá, dizia-lhe tanta coisa [risos]. Se calhar dizia-lhe que devia continuar a ser sincero como até agora, porque acho que isso ajuda o grupo.

E se pudesse aconselhá-lo sobre o jogo de hoje?
Dizia-lhe para meter a Capeta, se estiver difícil [risos].

Raquel desde bebé que mostra paixão pela bola

Raquel desde bebé que mostra paixão pela bola

D.R.

Como surge o futebol na sua vida?
Os meus primos são todos rapazes, tinha só duas primas, que estavam em França. Eles jogavam sempre futebol e eu comecei a pedir para jogar com eles. Mas a minha mãe diz que já deve ter nascido comigo, porque sempre que eu via uma bola ia a correr.

Era traquina?
Um bocadinho, tinha a mania que mandava em todos. Na escola queria decidir quem ia à baliza, quem jogava, quem não jogava.

O que fazem os seus pais?
Neste momento têm duas mercearias na Amadora, mas quando nasci a minha mãe trabalhava numa ourivesaria e o meu pai trabalhava na GNR, como auxiliar de fisioterapia. Depois decidiram abrir as duas mercearias, uma na Venteira e outra na Amadora, ao pé da estação.

Tem irmãos?
Tenho o Gonçalo, que é mais velho três anos e também trabalha nas lojas dos meus pais.

Como e quando começa a jogar futebol num clube?
Uma vez fui com o meu pai levar o meu irmão a uma captação no Clube Futebol Benfica [também conhecido como Fofó], vi que estavam lá raparigas a treinar e pedi ao meu pai para ir também. Devia ter uns oito anos.

A jogadora com os pais

A jogadora com os pais

D.R.

Os seus pais aceitaram sempre bem essa vontade de praticar futebol?
Sim, o meu pai sempre me acompanhou para todo o lado.

Impuseram alguma contrapartida, como boas notas na escola, por exemplo?
Não era só a escola. Qualquer coisa que eu fizesse, qualquer castigo, ameaçavam sempre com o futebol. Mas a verdade é que em toda a minha vida só faltei uma vez a um jogo amigável porque me portei mal.

O que aconteceu?
Acho que foi por altura dos meus 17/18 anos, a minha mãe disse que eu tinha de chegar a uma certa hora, eu cheguei depois e tinha jogo no dia a seguir. Não fui jogar. Mas, de resto, mesmo quando às vezes tinha más notas, levava uma pressãozinha, mas eles nunca me tiraram nenhum treino.

Gostava da escola?
Sinceramente não. Só comecei a gostar quando fui para a universidade e não tem nada a ver com as festas. Gostei porque estava a estudar uma coisa que eu gostava, marketing.

Raquel com o irmão Gonçalo, três anos mais velho

Raquel com o irmão Gonçalo, três anos mais velho

D.R.

Começou a jogar no Fofó com nove anos. Ficou lá até quando?
Fiquei lá até aos 12 anos. Só treinava, não podia jogar, porque na altura não se podia jogar com os rapazes. E para começar a jogar como júnior tinha que ter 12 anos. Fiquei a treinar, sem jogar, mas não faltava a nenhum treino.

Chateava-a não poder jogar?
O primeiro ano não me custou muito porque não tinha bem a noção do que era estar numa equipa. Depois comecei a jogar, em juniores. Quando o Fofó acabou com os juniores, aí custou-me, porque pensava que ia deixar de jogar futebol.

Porquê?
Na altura não é como agora, que há mais equipas. Eu vivia na Damaia, tinha o 1º Dezembro, que era em Sintra. Como é que eu ia para Sintra? Era miúda, tinha uns 13 anos.

Mas acabou por ir para o Ponte Frielas.
Sim o treinador falou comigo e disse aos meus pais que podia ir buscar-me e levar a casa. E vou. Foi a melhor coisa que me aconteceu.

Antes de ser jogadora de futebol não sonhou ser outra coisa?
Sim, sonhava ser médica, mas a minha mãe sempre que me disse que era muito difícil porque para ser médica é preciso estudar muito.

Acho que não seria capaz...
Pois.

Houve uma altura que saltitou entre o Ponte Frielas e o 1º Dezembro...
Já nem me lembro. Sei que aos 18 anos fui para a Covilhã estudar marketing. Porque não sei o que é me deu em vez de colocar Setúbal como primeira opção [risos].

Esteve na Covilhã quanto tempo?
Nem sequer acabei o ano.

Como é que fazia para jogar nessa altura?
Treinava à sexta-feira. Era menos mal porque estava no Ponte Frielas e ali eu chegava e jogava na mesma. Mas via que o futebol não estava a evoluir. Decidi ir para Setúbal e é aí que volto ao 1º Dezembro.

Raquel, à direita, com a colega de seleção e amiga Carolina Mendes

Raquel, à direita, com a colega de seleção e amiga Carolina Mendes

D.R.

Aos 20 anos vai para Espanha, para o UE L'Estartit. Como surge esse convite?
A Carolina Mendes e a Mónica Gonçalves já tinham contrato para ir para lá. Na altura eles precisavam de uma central e uma delas disse que ia dar o meu nome. Eu disse-lhe que sim, mas sem me passar pela cabeça que fosse mesmo chamada.

Mas foi.
Sim. Cheguei a casa e disse: "Acho que vou jogar para fora". A minha mãe disse logo: "Não vais nada. Primeiro tens que acabar o curso e depois é que vais". Eu disse que ia pedir para fazer Erasmus. E fui. Fizemos 16 horas de carro.

Quem?
Eu e a Carolina Mendes no carro dela, um Lupo, que já não era novo. Daqui a Estartit, que é quase em França. Quando lá chegamos e as nossas colegas viram em que carro fomos para lá, fartaram-se de gozar: "Mas vocês vieram nisto de Portugal até aqui?!" [risos].

Foram viver para onde?
Fomos viver com a Mónica e outra portuguesa, acho que se chamava Vânia, que já lá estavam. Éramos quatro portuguesas.

Então foi fácil a adaptação.
Nos primeiros meses foi horrível porque eu não percebia nada de espanhol e como era miúda quis voltar. Tinha saudades de casa. Foi um misto de sentimentos, estava feliz por estar lá, por causa do futebol, mas depois sentia saudades.

Chorou muitas vezes?
Então não chorei! Ainda hoje a Carolina goza comigo, porque eu ia para a varanda ouvir o "Home" do Michael Bublé, e quando chegava àquela parte do "go home...", que era a única parte que eu entendia, porque não percebia nada inglês, começava a chorar [risos].

Do que é que tinha mais saudades?
Nos primeiros meses, era mais dos meus amigos, de sair, de ir ao café. Porque ali a minha vida começou a ser treino/casa e acabava por não ter divertimento nenhum. Estava com elas, mas era diferente.

Em Londres, num fim de semana livre com as colegas do Levante

Em Londres, num fim de semana livre com as colegas do Levante

D.R.

Chegou a estudar em Espanha?
Fiz uma cadeira do curso e recebi a bolsa que era o que eu queria, para os meus pais não mandarem vir comigo.

Já recebia dinheiro do clube?
Sim. Cerca de 500 euros.

Foi o primeiro ordenado?
No 1º Dezembro já recebia algum apoio financeiro. Mas este foi o primeiro contrato mais a sério. Além do ordenado pagavam-me a comida.

O que fazia ao dinheiro?
Juntava. E nos dias livres, como éramos quatro, íamos passear. Na altura eu não estava na seleção, mas a Carolina e a Mónica já eram chamadas e a Vânia trabalhava lá em Espanha. Não gostava nada de ficar sozinha o dia todo, ainda por cima não sabia espanhol.

Esteve uma época no Estartit e depois vai para Badajoz, para o Llanos Olivenza.
Sim, falaram comigo ou com a Carolina, já não me lembro.

Porque decidiram mudar?
A minha decisão teve como base o facto de ser mais perto de Portugal. Assim dava para acabar o curso porque conseguia ir de vez em quando a Setúbal.

Em termos futebolísticos a diferença de Portugal para Espanha foi muito grande?
Foi. Quando cheguei à I divisão espanhola, nunca tinha feito ginásio na minha vida. Cheguei ao treino e tinha um circuito com elásticos e bolas pesadas, coisas que nunca tinha visto e feito. Ou íamos correr para a praia e fazer preparação na praia. Vi logo que não tinha nada a ver com o que estava habituada em Portugal. Em termos de futebol, percebi que eram equipas parecidas com aquelas que jogávamos na Liga dos Campeões, no 1º Dezembro, sendo que nunca tinhamos passado à fase seguinte. Aí é que comecei a perceber o porquê delas chegarem fisicamente melhor do que nós.

Dessa época em Badajoz houve algum episódio marcante?
Foi lá que tive pela primeira vez uma lesão, no joelho. Foi no terceiro treino. Fiz uma rutura parcial do ligamento cruzado interno e estive parada uns três meses. Meteram-me celulas de crescimento para do joelho.

Raquel com o irmão e a mãe

Raquel com o irmão e a mãe

D.R.

Como surge a ida para o ASD Riviera de Itália, em 2013/14?
Através de um agente espanhol que nos viu jogar e contactou-nos. Tinhamos percebido que ali em Badajoz já não passávamos do mesmo. Acho que ele nos contactou pelo Facebook. Disse que havia uma equipa em Itália que precisava de defesas e de ponta de lanças, e fomos. Eu e a Carolina. Sim, porque eu dizia sempre que não ia para lado nenhum se não fosse com a Carolina.

Porquê?
Porque sozinha, a viver fora de Portugal… Se fosse eu sozinha, nunca tinha saído de Portugal. Agora é diferente. Mas na altura não tinha saído, porque eu gostava de estar sempre com um amigo/a e com a Carolina estava à vontade. Se eu tivesse algum problema, ela falava por mim.

Desses tempos de Itália tem alguma história engraçada que possa contar?
Tenho. Uma vez o senhor que tratava do relvado do Riviera, emprestou-nos, a mim e à Carolina, uma mota porque queriamos dar uma volta. Nós fomos para autoestrada com a mota, que era uma 50cc. Às tantas a mota parou num túnel, veio a polícia e apanhamos uma multa porque a mota não podia circular na autoestrada, não tinhamos documentos da mota e era só para uma pessoa... Resumindo, metade do nosso ordenado ficou logo ali [risos].

Raquel, de muletas à direita, enquanto recuperava da lesão no joelho aproveitava para estar com familiares

Raquel, de muletas à direita, enquanto recuperava da lesão no joelho aproveitava para estar com familiares

D.R.

Entretanto, volta a lesionar-se.
Depois da primeira época em Itália a Carolina vai para a Rússia e eu lesionei-me. Tinha tido uma proposta para fazer testes no Potsdam da Alemanha, mas lesiono-me na seleção. Depois de recuperar da lesão, fui para outro clube italiano, o Zaccaria.

Porque mudou de clube?
Porque o Riviera queria dar-me condições abaixo do que tínhamos planeado.

Essa lesão foi no mesmo joelho que já tinha magoado?
Foi. Menisco e ligamento cruzado. Fui operada e foram seis meses fora. Mas há coisas que vêm por bem. Se não fosse essa lesão se calhar eu não era a jogadora que sou hoje.

Porquê?
Porque não dava valor nem a metade das coisas... Antes disso acontecer, se me dessem duas opções, ir beber copos ou ir treinar, eu ia logo beber copos. Se fosse hoje, ia treinar. Comecei a dar muito mais valor ao não poder jogar. Ao querer jogar e não poder. São seis meses parada. Eu já gostava muito de futebol, sempre adorei, mas não me comportava como profissional.

O que é que isso quer dizer?
Não comia bem, estava a lixar-me para as horas a que ia dormir... era miúda. Houve uma evolução natural porque hoje comporto-me de outra maneira. Aqueles seis meses deram para pensar em tudo. Hoje faço tudo para chegar ao treino e aos jogos nas melhores condições. Mudei mesmo. Ouvi muitos comentários, que já não ia voltar a mesma coisa, fiquei com receio e... mudei.

Nessa altura já tinha acabado o curso de marketing?
Já. Na altura em que estava cá a recuperar da lesão, trabalhava nas mercearias dos meus pais.

Gostava?
Gosto. Vejo-me lá no futuro. É um trabalho que não é monótono. Falo com os clientes, brinco com eles, vendo, gosto deste contacto com as pessoas.

Raquel, no centro, com as colegas Patricia, Laura, Carolina e Tatiana, durante um passeio pelo Porto

Raquel, no centro, com as colegas Patricia, Laura, Carolina e Tatiana, durante um passeio pelo Porto

D.R.

Vai para o Zaccaria sozinha, sem a Carolina?
Sim. Custou, mas foi a maneira de aprender italiano mais rápido [risos].

Segue-se o Alland United, da Finlândia.
Sim. No início correu muito mal. Eu não falava nada de inglês [risos], não percebia nada. Em casa as minhas colegas diziam que o treino eras 15h45 e eu percebia que era às 15h15 ou vice-versa; ou diziam para ir para a esquerda e eu ia para a direita [risos]. Não percebia mesmo nada! No meu primeiro jogo, um amigável, ao intervalo tive de pedir autorização ao treinador para usar o tradutor do telemóvel para conseguir explicar o que se estava a passar no campo. Era de tal maneira que no final da época, em que já havia uma ligação mais forte com as jogadoras, elas acabaram por me dizer que perguntavam porquê que me tinham ido buscar se eu não percebia nada de nada [risos].

Só ficou uma época porquê?
Era um campeonato bom, mas era muito físico e eu queria mudar para um mais técnico. A minha ideia era ir para a Suécia.

Não foi porquê?
Porque mal tinha acabado a época recebo a proposta do Levante, de Espanha. Resolvi arriscar. Mas as coisas não correram bem e nem acabei a época.

Porquê?
Porque a determinada altura parecia que o treinador estava a gozar. Estavamos a perder aos 85 minutos e ele punha-me a ponta de lança. Foi a única experiência negativa que tive até hoje.

Está agora em França, no Rodez...
Estou a adorar. Estou a aprender muito e o campeonato é muito exigente. Gosto muito das pessoas, confesso que não estava à espera que os franceses fossem tão abertos e tão acolhedores, tinha uma ideia diferente.

E o francês?
Isso é que é um bocadinho mais difícil [risos]. Perceber já vou percebendo, o pior é falar. Mas estou a ter aulas duas vezes por semana.

Vive sozinha?
Vivo numa academia, com mais colegas. Estou a gostar muito porque pelo menos tenho sempre companhia. Também estão lá os rapazes da seleção. É excelente, é diferente.

Num jogo da seleção nacional

Num jogo da seleção nacional

Getty Images

Até agora qual foi o treinador que mais a marcou?
É um bocado difícil dizer porque aprendi com todos. Mas posso falar do italiano que me treinou na Finlândia, o Giovanni Costantino. Foi aquele com quem tive maior ligação fora de campo porque ele também não tinha ninguém na Finlândia e passavamos muito tempo a ver vídeos e a falar sobre futebol. Não quer dizer que seja o melhor, foi o que me marcou mais pela experiência que foi.

Começou a ser chamada para seleção com quantos anos?
Tinha 15 anos. Foi para a seleção de sub-19, com o selecionador Zé Augusto. Depois estive afastada durante a época da professora Mónica Jorge.

Porquê?
Porque eu às vezes portava-me mal. Era reguila.

O que quer dizer com portar mal?
Infringir as regras. Diziam “às 23h no quarto” e eu trocava-lhes as voltas. Não respeitava os horários. Só depois da lesão é que comecei a valorizar mais as coisas, antes queria brincar e distrair-me, não levava as coisas a sério.

Volta a ser chamada quando?
Com o Violante. Nos jogos amigáveis contra a Suíça, estava eu já em Itália. Depois entrou o professor Francisco e comecei a vir sempre.

É diferente jogar na seleção?
É um sentimento diferente. Estamos a representar o nosso país. Mas é no clube que passamos a maior parte do tempo. É ali que temos de sentir-nos confortáveis, porque é ali que trabalhamos diariamente. Se no clube não estivermos bem vai ser difícil chegar à seleção. Mas claro que o sentimento é totalmente diferente. É diferente vestir a camisola da seleção, tenho muito mais orgulho em jogar pela seleção do que por um clube.

Com a avó, à esquerda, os pais e o irmão

Com a avó, à esquerda, os pais e o irmão

D.R.

Consegue viver confortavelmente só do futebol?
Nesta altura sim. Desde o primeiro ano que fui para fora que percebi que dava para viver do futebol. Claro que no início não tinha a qualidade de vida que tenho neste momento, mas dava para as minhas necessidades. Nunca tive de pedir dinheiro aos meus pais desde que fui jogar para fora.

Mudou muitas vezes de clube. Porquê?
Por um lado porque alguns clubes fizeram contratos curtos e por outro porque eu gosto de mudar. Gosto de ter um estímulo diferente todos os anos e de não me sentir acomodada.

Há algum clube onde sonhe jogar?
No Lyon.

Já pensou no final da carreira?
Quando começar a ver que há muita gente superior a mim, arrumo as botas.

Quer ter filhos?
Quero ter um menino e uma menina. Primeiro o rapaz, para poder ensinar alguma coisa de futebol.

Não pode ensinar futebol à rapariga?!
É diferente, porque quando elas crescem, se elas não gostam... os rapazes normalmente gostam de futebol.

Namora?
Não. Também é um bocado difícil estando lá fora. Não sou muito apologista das relações à distância.

Qual a coisa de que mais se orgulha em termos profissionais?
Ter conseguido recuperar da lesão no joelho e voltar forte, a um bom nível. Claro que gosto de tudo o que tenho conseguido conquistar, mas para mim essa foi a minha maior vitória.