Tribuna Expresso

Perfil

Entrevistas Tribuna

“O pioneiro do terrorismo comunicacional é João Gabriel, que continua no Benfica na clandestinidade” – entrevista exclusiva a Nuno Saraiva

Há uma nova figura no futebol português a ocupar o espaço central da discussão. Não joga, treina, preside ou apita, apenas decide o que se fala e, sobretudo, como se fala. Chama-se diretor de comunicação. Cada clube tem o seu, mas é entre os responsáveis de FC Porto, Benfica e Sporting que a atenção mediática se divide. Há quem diga que o protagonismo é excessivo. Há quem os culpe pela agressividade. Eles dizem que não é bem assim e explicam porque é que não se calam na defesa dos interesses dos seus clubes. Falámos com os três e estas são as suas respostas. Esta quarta-feira publicamos as de Nuno Saraiva

Pedro Candeias

Partilhar

1. Um diretor de comunicação deve dar entrevistas a jornais? 
Se sim, porquê?
Deve, sempre que esteja em causa a defesa dos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal.

2. Dado o seu passado profissional, o diretor de comunicação representa um papel, ou melhor, é forçado a representar um papel público quando assume funções para chegar aos seus adeptos?
Nada do que digo ou como digo na defesa do clube é forçado. O Sporting sempre foi a minha casa. E, como afirmei quando comecei a trabalhar no Sporting CP, esta é a minha cadeira de sonho. Se me perguntam se, fora do espaço público, sou igual ao Nuno Saraiva, diretor de comunicação do Sporting CP, a resposta é simples: sou como estou no clube que é o meu.

3. Ainda consegue 
retirar prazer ao ver 
um jogo de futebol?
Adoro futebol. Mas é fundamental que, para que este não morra, sejam dados passos ainda mais claros no sentido da promoção da verdade desportiva. A introdução do VAR e das novas tecnologias é fundamental, até para que os árbitros sejam protegidos. Os relatórios passarem a ser públicos também foi fundamental para que houvesse mais transparência. E tenho um orgulho imenso em que tenha sido o Sporting CP o principal impulsionador ao nível dos clubes destas medidas.

4. Assume alguma responsabilidade nesta escalada verbal que se assiste em alguns programas de TV?
Nenhuma. Quem é o responsável por este clima é quem patrocina e promove cartilhas organizadas que têm por único objetivo denegrir a imagem de clubes e presidentes, bem como de outros agentes desportivos, como os árbitros. Esses, sim, que fazem entrar narrativas caluniosas e de pós-verdade pela janela é que são os verdadeiros culpados. E convém lembrar aos mais distraídos quem foi o pioneiro deste tipo de estratégias de terrorismo comunicacional: foi João Gabriel, que, pelos vistos, continua a ser o diretor de comunicação do Benfica mas na clandestinidade.

5. Qual o envolvimento 
dos presidentes na elaboração destas estratégias de comunicação?
Tudo é discutido em equipa e nada é feito sem o aval do presidente.

6. Os treinadores estão 
a par e/ou são chamados a envolverem-se?
O treinador está em sintonia absoluta com aquilo que fazemos, tal como estamos todos absolutamente alinhados nos objetivos.

7. Porquê a existência 
de programas de televisão como “Chama Imensa” 
e “Universo Porto da Bancada”?
Tem de fazer essa pergunta aos responsáveis do Benfica e do FC Porto.

8. Programas como estes fazem parte de uma estratégia comunicacional? 
Com que objetivo? E que dividendos se retiram daqui?
Na SportingTV temos um programa chamado “Verde no Branco” em que, basicamente, procuramos passar a nossa mensagem e refletir sobre os reais problemas do futebol português, mas também para nos defendermos daquilo que são ataques inqualificáveis à nossa honra e à nossa dignidade enquanto clube com mais de 111 anos de história.

9. Tem noção que a agressividade deste tipo de comunicação está a prejudicar o futebol português?
Esta pergunta é muito interessante, porque, ao contrário do que muitas vezes ouvimos dizer, não são as intervenções mais ou menos acaloradas dos presidentes que incendeiam e crispam o ambiente à volta do futebol. São esses programas em todos os canais que deveriam merecer a intervenção do Estado através da ERC para lhes pôr fim.

10. Qual o papel que os diretores de comunicação devem tomar para contribuir para a pacificação do atual estado?
Estarei sempre disponível para contribuir para essa pacificação. Mas não me peçam para ser uma espécie de Madre Teresa de Calcutá ou de Jesus Cristo e dar a outra face. Esse é um tempo a que não podemos voltar. Aquilo que se diz sobre o Sporting e o seu presidente, aquilo que é o clima de impunidade de que alguns beneficiam com a conivência das mais diversas entidades, é absolutamente intolerável e não pode deixar de ser denunciado.

11. Já foi retirado algum patrocínio ao clube face ao tipo de comunicação que está a ser praticada? Por outro lado, algum patrocinador já se manifestou incomodado com este tipo de estratégia?
Nunca!

12. Os presidentes 
da Liga e da Federação Portuguesa de Futebol 
já falaram consigo 
ou recomendaram algum tipo de atitude?
Nunca!

13. As intervenções nas redes sociais por parte dos diretores de comunicação contribuem também para alimentar o clima de crispação do futebol português?
Vivemos na era digital, e as redes sociais são fundamentais para que as nossas mensagens cheguem mais rapidamente e sem filtros ou truncagens aos destinatários. Agora, tudo depende da forma como são usadas. Nós damos a cara; outros há que se escondem cobardemente atrás dos teclados e insultam tudo e todos.

14. Se nos anos 80 e 90 os clubes tivessem as suas próprias televisões 
e as redes sociais já existissem, 
o que hoje se passa, 
passar-se-ia nessa altura?
Quando o ‘Apito Dourado’ apareceu, o impacto também foi brutal. As pessoas é que têm memória curta.

15. Os diretores de comunicação dos clubes falam com os comentadores desportivos para os preparar antes dos debates?
Conheço todos os comentadores que se assumem como sportinguistas. Se me fizerem perguntas e eu puder responder, claro que os esclareço.

  • “Enquanto vigorou o nacional benfiquismo, a questão da escalada verbal não se punha” – entrevista exclusiva a Francisco J. Marques

    Entrevistas Tribuna

    Há uma nova figura no futebol português a ocupar o espaço central da discussão. Não joga, treina, preside ou apita, apenas decide o que se fala e, sobretudo, como se fala. Chama-se diretor de comunicação. Cada clube tem o seu, mas é entre os responsáveis de FC Porto, Benfica e Sporting que a atenção mediática se divide. Há quem diga que o protagonismo é excessivo. Há quem os culpe pela agressividade. Eles dizem que não é bem assim e explicam porque é que não se calam na defesa dos interesses dos seus clubes. Falámos com os três e estas são as suas respostas. Esta terça-feira publicamos as de Francisco J. Marques