Euro 2016

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“Cristiano é mais importante em Portugal do que em Madrid”. Palavra de Fernando, selecionador

Em entrevista à “Marca”, Fernando Santos revela que com os jogadores que Portugal teve e tem já merecia um título europeu. Prudente, distribui o favoritismo em França entre espanhóis, alemães e a seleção da casa

Isabel Paulo

Inácio Rosa / Lusa

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O cargo de selecionador nacional de Portugal está a fazer bem a Fernando Santos. Em entrevista ao jornal “Marca”, o outrora sisudo treinador revela-se mais descontraído do que é costume, convicto de que agora que Cristiano Ronaldo e Pepe se juntaram aos colegas a seleção receberá um impulso extra de confiança: “Tanto mais que chegam com a moral nas nuvens depois da final de Milão”.

A derrota contra Inglaterra, em Wembley, e o atraso da dupla de madridistas não provocaram, ao que parece, dores de cabeça ao selecionador, que refere ter sido importante para os dois jogadores terem tido férias nesta altura, mesmo chegando atrasados ao estágio. “É melhor para eles e para todos que venham felizes”, diz, confirmando que Cristiano Ronaldo é o líder indiscutível do balneário.

Apesar de se recusar a quantificar o peso percentual de CR7 na equipa nacional, Fernando Santos não esconde que o êxito ou fracasso da seleção no Euro 2016 dependem “em grande medida” dele. “Se em Madrid é tão importante, pense em Portugal. Será igual, ou mais. Quando se tem jogadores que fazem 50 ou 60 golos por época, têm uma importância vital. É impossível de quantificar [o seu contributo], até porque ninguém pode ganhar sozinho. Precisa de ajuda de todos, mas é segurante mais importante [na seleção] do que no Real Madrid”.

Após a má experiência no Mundial do Brasil, onde Ronaldo chegou lesionado, a equipa médica da seleção avaliou a sua condição física de forma a planificar tanto os dias de repouso como o regresso ao trabalho. Uma questão que Fernando Santos relativiza ao garantir que quando se diz que todos os jogadores têm de chegar a 100% nunca é o que acontece: “Em futebol, não é verdade. Há sempre exceções. Nunca deixaria de convocar Cristiano a 80%. Teríamos muita atenção na sua preparação para que não se desgastasse mais”, refere o técnico, admitindo, no entanto, que não o convocaria em caso de lesão.

Depois da final perdida para a Grécia no Euro 2004 e das meias finais de 2012 em que Espanha levou a melhor nos penáltis, o selecionador considera que já é tempo de Portugal ganhar um título. “Com os jogadores que temos tido já podíamos ter conquistado um Europeu, mas isso não funciona assim”, diz, lembrando as excecionais gerações espanholas que ficaram em branco até serem campeões várias vezes consecutivas.

“Reparem na Grécia: jamais alguém pensou que seriam campeões”, conclui.

Portugal joga esta quarta-feira contra a Estónia, no Estádio da Luz, o último encontro particular antes de partir para França.