Euro 2016

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UEFA obriga Portugal a cancelar treino aberto

Recuperamos aqui uma notícia de sábado no Expresso: organização considera que a nossa seleção faz parte daquelas cuja segurança poderá estar em risco. FPF “incomodada” com a decisão

Pedro Candeias

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O medo chegou ao futebol. “Portugal foi considerado uma seleção de risco pela organização”, diz fonte oficial ao Expresso. O que isto quer dizer é que a UEFA pôs Portugal no lote onde estão Inglaterra, França e Alemanha, nações sobre as quais recairá uma vigilância mais apertada durante o Campeonato da Europa de futebol. Fernando Santos já falara disto à RTP, mas agora chegaram as consequências, e a primeira é o cancelamento do treino aberto aos adeptos que estava agendado para 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas... e do arranque do Euro.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) foi informada de que esse treino teria de ser antecipado para dia 9 e realizado num outro estádio, com uma capacidade muito inferior ao do recinto que estava originalmente no programa. “O Stade Robert Bobin, em Boundoufle, tem 20 mil lugares. Onde iremos fazer agora o treino aberto é no nosso centro de estágios, em Marcoussis, que tem uma pequena bancada para cerca de 1000 pessoas”, diz ao Expresso uma fonte oficial próxima deste processo. De nada valeram os contactos federativos com embaixadas e consulados, porque a decisão da organização do torneio é irreversível, deixando Fernando Gomes e os seus pares “incomodados” e “desconfortáveis”.

É fácil perceber porquê: no Mundial da Alemanha e no Euro-2008, Portugal abriu treinos aos adeptos, que lotaram os recintos como se de um jogo a sério se tratasse. A política de aproximação da equipa aos adeptos fica comprometida e milhares de pessoas vão ser privadas de ver Cristiano Ronaldo ao vivo. Aliás, uma das razões para que a UEFA exija um maior controlo sobre a seleção portuguesa está relacionada com a presença de CR7, o futebolista mais mediático deste campeonato.

Na quinta-feira, a PSP anunciou que a delegação policial no Euro-2016 será constituída por oito elementos (seis da PSP e dois da GNR), sob a chefia do superintendente Luís Simões, diretor do Departamento de Operações da PSP. Estes oito agentes irão zelar pela segurança da seleção nacional e acompanharão os adeptos portugueses que assistem aos jogos. Além disso, os membros da FPF terão consigo seis a sete elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP.

Sem Ronaldo

Mas, enquanto o Euro não arranca, há jogos particulares por disputar, e os particulares têm as suas particularidades. Uma delas é serem amigáveis, porque não contam para nada — a não ser para Bruno Alves, que foi expulso contra a Inglaterra por dar um pinote de kung-fu em Harry Kane. Portugal ficou reduzido a 10 jogadores desde o minuto 35, e isso obrigou Fernando Santos a rever a estratégia, fazendo recuar a equipa e apostando apenas no contra-ataque.

Duas conclusões: Portugal sabe defender bem em bloco (sofreu um golo, no final), mas o ataque não funciona. “Ofensivamente, não gostei”, disse o selecionador. Mas há atenuantes — duas — para o jogo menos conseguido de Portugal: Cristiano Ronaldo e Pepe, titulares indiscutíveis, ainda gozam férias, pelo que se torna difícil concluir quanto vale esta seleção neste momento. É que Ronaldo e Pepe, sobretudo o primeiro, mudam o contexto de um jogo, e ambos serão apenas integrados na seleção amanhã. É provável que disputem o Portugal-Estónia na quarta-feira (19h45, Estádio da Luz), o último dos encontros a feijões antes do arranque oficial do Europeu (10 de junho, sexta-feira, França-Roménia). Um torneio que Fernando Santos diz e rediz querer ganhar, contrariando todos os discursos de anteriores selecionadores, cujo lema era: “Primeiro passar a fase de grupos e depois é jogo a jogo.”

*Texto publicado na edição de 4 de junho no jornal Expresso