Euro 2016

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Está tudo a pensar no mesmo, e não é na bola - é na segurança

A conferência de imprensa de apresentação do Euro-2016 foi dominada por um tema: segurança. Haverá um perímetro duplo de revistas antes da entrada nos estádios e nas fan zones. Ah, e não haverá Platini

KENZO TRIBOUILLARD

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A coisa até começou ligeira, com David Guetta a entrar sorridente, ladeado pela mascote Super Vitor. "Vejo muitas semelhanças entre a música e o futebol, porque o que faço é tentar criar emoções e fazer com que todos sejam um, sem diferenças de raça, orientação sexual, religião", disse o DJ francês que atuará amanhã na zona da Torre Eiffel, antes de protagonizar a cerimónia de inauguração do Europeu no dia seguinte. "Quando era novo vi o Johnny Hallyday, um grande ídolo francês, a atuar ali e nunca pensei que iria conseguir o mesmo. É um dos melhores momentos da minha vida".

Foi bonito e engraçado - especialmente quando Guetta revelou que tirou uma selfie com Pierluigi Collina porque o filho lhe pediu -, só que, a partir daí, o tom foi sempre outro: grave. Porque novembro não foi assim há tanto tempo e não há quem não olhe por cima do ombro quando vai a passar em zonas relacionadas com o Euro, sejam estádios ou fan zones. "Todos estão perfeitamente conscientes da situação que se vive atualmente em França, no que diz respeito à segurança", começou por dizer Jacques Lambert, presidente da prova, questionado sobre o assunto. "O nosso objetivo será sempre o mesmo: fazer o melhor Euro possível, tentando que a prova sofra o menos possível devido a este contexto negativo", acrescentou.

O presidente do Euro-2016 alertou os adeptos para as medidas de segurança redobradas, que obrigarão a um tempo de espera mais longo para entrar não só nos estádios, mas também nas fan zones nas dez cidades que acolhem o torneio. "A segurança será organizada da mesma forma em ambos os sítios. Haverá um perímetro duplo de segurança, isto é, as pessoas serão revistadas duas vezes, em duas zonas diferentes, e em certos sítios haverá detetores de metal", explicou. "Os procedimentos serão mais longos do que o habitual, mas as portas abrem três horas antes dos jogos começarem, por isso as pessoas devem chegar cedo".

"Quando chega esta altura já estamos todos impacientes, mas já está tudo preparado para a bola começar a rolar", disse Theodore Theodoridis, que é secretário-geral interino da UEFA, dada a suspensão de Michel Platini do cargo. E, por falar em Platini, onde andará o ex-presidente da UEFA - e ex-jogador que decidiu o Euro-84? "Acho que não estará presente no França-Roménia. Mas posso revelar que recebemos uma carta do Comité de Ética a esclarecer que ele pode estar presente nos jogos, desde que não esteja a desempenhar qualquer função oficial", explicou. "Não é uma situação ideal para a UEFA, mas temos de viver com ela. Temos aguentado bem, porque temos uma organização bem estruturada, e agora temos é de nos focar no futebol".