Euro 2016

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Jogos de abertura: Os melhores, os piores e o Portugal-Grécia

Desde resultados carregados de golos a derrotas improváveis, a história dos jogos de abertura dos Europeus é repleta de drama e conta mesmo com moedas ao ar. Não acredita? Faça uma viagem pelos desafios de abertura mais marcantes no dia do arranque do Euro 2016

Tiago Oliveira

Quem quiser entrar, ponha o braço no ar. Shearer marcou o golo inaugural no Euro-96 só que depois....

Foto Shaun Botterill/Getty

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Euro 1960 França 4 - Jugoslávia 5

O primeiro jogo da primeira fase final do primeiro europeu não podia ter sido mais épico. Tal como hoje, os franceses jogavam em casa e após terem ficado em desvantagem logo aos 11 minutos, rapidamente deram a volta. Aos 62 minutos o resultado cifrava-se em 4-2 para os gauleses, mas, numa reviravolta para a história, os jugoslavos marcaram três golos entre os 75 e os 78 minutos e garantiram uma vitória que deixou a Europa de boca aberta. Um início auspicioso.

Euro 1968 Itália 0 - União Soviética 0

O resultado pode não indiciar um jogo especialmente marcante, mas a forma como foi decidido só lhe pode dar entrada direta nesta lista. Como? Porque numa altura em que a fase final se disputava entre quarto equipas e começava logo pelas meias finais, este desafio foi decidido por moeda ao ar. Sim, leu bem. O desempate por grande penalidades só seria introduzido dois anos mais tarde e, após 120 minutos sem golos em Roma, os oficiais da UEFA viram-se obrigados a escolher o vencedor por este método. Houve discussão quanto à moeda a utilizar (peseta, rublo e dólar foram rejeitados) e chegou-se a um consenso: um florim holandês. O capitão soviético Albert Shesternyov escolheu cara e, para gáudio dos italianos, foi infeliz na aposta. Uma pequenina curiosidade: segundo a lenda, a moeda lançada ao ar foi a segunda, porque a primeira ter-se-á perdido no esgoto.

Euro 1976 Checoslováquia 3 - Holanda 1

Num jogo em que todos os golos foram marcados por checoslovacos, foi preciso um prolongamento para decidir o vencedor numa noite chuvosa em Zagreb. Anton Ondruš marcou em cada uma das balizas e deixou as equipas em igualdade no final dos 90 minutos. Igualdade que se verificava também nas expulsões, uma para cada lado. No tempo extra, os holandeses ficaram reduzidos a nove e dois tentos nos últimos minutos garantiram o triunfo aos eventuais vencedores do torneio. Que contavam entre si com o talentoso Antonin Panenka, prestes a ganhar estatuto de lenda na final com um certo e determinado penálti…

Euro 1996 Inglaterra 1 - Suiça 1

Tal como dizia a famosa música, o futebol estava de volta a casa e a antecipação era febril por parte dos sempre entusiasmados ingleses. O velho estádio de Wembley estava engalanado para uma grande vitória de abertura perante uma seleção aparentemente mais débil. Alan Shearer ainda marcou o primeiro golo mas do outro lado estava o Rei Artur, o nosso velho conhecido Artur Jorge, que consegui frustrar o ímpeto inglês. A pressão resultou numa grande penalidade, convertida por Kübilay Türkyilmaz, e num início de festa amargo para os anfitriões.

Euro 2004 Portugal 1 - Grécia 2

No nosso Europeu, a derrota na final com a Grécia domina a psique coletiva mas convém recordar que Portugal consegui perder duas vezes com os helénicos. A primeira foi logo no jogo de abertura, em pleno Estádio do Dragão, num jogo que funcionou como primeira amostra dos vencedores mais improváveis de sempre. Após um período de pressão portuguesa, os gregos marcaram primeiro por Karagounis (que chegou a jogar no Benfica) e aumentaram a vantagem enquanto corríamos atrás do prejuízo. Nota curiosa: consegue dizer quem marcou o golo português? O então mais jovem português de sempre a participar num Euro, Cristiano Ronaldo (um recorde que pode ser quebrado por Renato Sanches), naquele que foi o seu primeiro de muitos golos pela seleção nacional.

Euro 2012 Polónia 1 - Grécia 1

No ultimo Europeu, os gregos voltaram a mostrar credenciais como “estraga festas” e negaram aos polacos o início que mais queriam. Sob a batuta do nosso atual selecionador nacional, Fernando Santos, ainda sofreram o primeiro golo pelo inevitável Lewandowski mas, mais uma vez contra todas as expectativas e já a jogar com dez, conseguiram chegar ao empate através de Salpingidis para depois aguentarem todas os ataques contrários. Os polacos também viriam a ficar com menos um elemento e não perderam graças a Przemysław Tytoń, que defendeu uma grande penalidade com o seu primeiro toque na bola. E hoje, como vai ser?