Euro 2016

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Quem será o melhor marcador do Euro? Éder... ri-se

Não há dúvida de que Éder está bem mais confiante do que naqueles tempos em que o selecionador pediu que o avançado não fosse tratado como o “patinho feio” da seleção. Tanto que até já goza com ele próprio

MIGUEL A. LOPES / EPA

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Há conferências de imprensa e depois há conferências de imprensa, e a conferência de imprensa desta manhã em Marcoussis, com Éder, foi tudo menos uma conferência de imprensa banal. O avançado que tem sido o “patinho feio” da seleção, pela falta de golos - foram três em 26 jogos -, foi o mais questionado dos jogadores portugueses que têm passado pela sala de imprensa do Centro Nacional de Râguebi, onde a seleção está instalada, e correspondeu na perfeição.

“Não é fácil [ser tratado como “patinho feio”], mas trabalho da melhor forma possível para ultrapassar as adversidades. Já o faço desde criança”, disse o avançado do Lille, cuja presença na convocatória chegou a ser questionada. “Foi uma experiência importante para mim. Não quero calar ninguém. Sei que há muita gente desejosa de dar uma opinião. Neste momento sinto-me muito confiante”.

A confiança de que fala Éder – também aumentada pelo golo que marcou na semana passada na vitória de 7-0 perante a Estónia – nota-se também nas palavras do internacional de 28 anos, que não teve problemas em brincar quando questionado sobre quem achava que iria ser o melhor marcador do Euro-2016. Riu-se muito e… “Não sei… Eu”, respondeu, quase em forma de pergunta e novamente entre sorrisos, antes de ficar mais sério: “Há muitos avançados bons. O Ronaldo, Lewandowski… Não quero apostar nisso”.

“É sempre difícil ser avançado, porque é uma posição que exige muito, temos de estar bem em todos os aspectos para podermos marcar golos”, explicou o único ponta de lança de raiz da selecção. “A responsabilidade existe sempre, não é por ser o único. Os colegas e o seleccionador têm-me dado muita confiança”.

Ainda assim, Éder não gostava de estar na posição de Fernando Santos, porque não sabe quem tirava da equipa para ser titular na frente de ataque. “Ah, isso é complicado. Não me quero colocar nessa posição”, respondeu, antes de explicar por que razão começou a festejar os golos mostrando uma luva branca. “Como já disse, tem a ver com as adversidades que já passei na minha vida. É para dar ânimo para atingir os objectivos”.

Éder está no Lille desde Janeiro e é precisamente em França que a vida lhe corre melhor: em 14 jogos com o 5º classificado da Liga francesa marcou seis golos. “A mudança para o futebol francês, para uma liga difícil como esta, deu-me oportunidade de demonstrar muitas das minhas qualidades, algumas delas até adormecidas”.

O avançado do Lille até já sabe bem o que é marcar no estádio do Saint-Étienne, onde Portugal defronta a Islândia na terça-feira. Foi precisamente ali que Éder marcou o último golo na Liga francesa, a 14 de Maio. “Já ter marcado em Saint-Étienne é motivante. Gostaria de poder voltar a marcar lá e usar a luva branca”, gracejou.

Antes disso, terá de vestir o fato e a gravata, porque a comitiva portuguesa vai receber logo à noite, às 20h, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, para um jantar em Marcoussis.