Euro 2016

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Luka, I am your father

Modríc, num remate incrível, fez o único golo de uma partida numa guerra das estrelas croatas contra os turcos

Pedro Candeias

Foto BULENT KILIC/Getty

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O Turquia-Croácia podia ter sido um grande jogo, partindo do princípo que equipas com bons jogadores resultam em bons jogos. Mas não foi. Apesar de Modríc, Rakitic, Perisic, Mandzukic (os croatas), Turan ou Calhanoglu (os turcos), o Turquia-Croácia foi um encontro duro, de cotovelo no ar e uma cabeça aberta (Corluka), entradas às pernas, agarrões e discussões. Obviamente, a tendência é culpar os turcos, que fazem das emoções a sua estratégia, mas os croatas também não são deixam ficar, até porque a rivalidade entre ambos existe e é grande.

Mas também não foi um grande jogo porque os selecionadores foram cautelosos, carregando o meio campo de gente, para prevenir que as estrelas do outro lado pudessem ter aquele espaço vazio, entre as linhas, em que a criatividade e o génio faz a diferença. O treinador da Croácia, por exemplo, preferiu Brozovic, que é um box-to-box, ao habilidoso Pjaca para tentar pôr Arda Turan na linha. E o treinador da Turquia, por outro lado, deixou o talentoso Emre Mor no banco para dar mais consistência e impedir que Perisic fizesse das dele. Compreende-se. No primeiro jogo de um Europeu convém sempre pontuar, ainda que neste Europeu de 24 equipas quase todas as equipas tenham a sua chance de se apurar para os oitavos de final. Provavelmente, até com três pontos isso pode suceder.

Na primeira parte, a Turquia tentou o jogo direto e a Croácia idem, passando por cima da defesa diretamente para o ataque, porque naquela zona central havia uma rixa em curso, com tíbias e braços e joelhos a chocarem uns contra os outros. Seria um lance individual de Modríc, num remate tão improvável quanto incrível, a mexer no marcador. Luka, como um cavaleiro Jedi, vê coisas que os outros não enxergam.

Na segunda parte, à medida que o tempo foi avançado e as pernas cedendo e as substituições acontecendo, o encontro tornou-se mais partido, tu cá, tu lá, com as melhores ocasiões sempre a cair para o lado da Croácia: uma bola ao poste num livre de Srna; lances perigosos perdidos na cara do guarda-redes. A Turquia, menos talentosa mas sempre generosa e combativa, lutou contra as evidências até ao último minuto, até ao último segundo.

Mas na guerra das estrelas croatas contra os brigões turcos, ganharam os primeiros.

INFOGRAFIA PAULO ALVES/GOTV/GOALPOINT/OPTA

INFOGRAFIA PAULO ALVES/GOTV/GOALPOINT/OPTA