Euro 2016

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Os que foram e ficaram no banco

"Na Gaveta" de hoje faz as contas às convocatórias e chega à conclusão de que se podiam fazer equipas competitivas com jogadores que nunca foram utilizados em Europeus

Adriano Nobre

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Estar presente numa fase final de um Campeonato da Europa ou de um Campeonato do Mundo é um ponto inevitavelmente alto na carreira de qualquer jogador de futebol. A convocatória, o estágio, a viagem, o ambiente em torno da competição, aquele momento em que entram no estádio e pisam o terreno de jogo, tudo isso são, dizem eles, fragmentos de memórias inesquecíveis que nem precisam de um troféu ou de medalha na vitrina. Ficam sempre lá.

Mas há também quem embarque nestas aventuras e regresse delas com alguma sensação de desalento. Não por terem perdido ou empatado, por terem jogado mal ou falhado um golo, mas simplesmente porque foram convocados, estiveram lá e não foram opção do treinador. E se Coubertin defendia, a propósito dos Jogos Olímpicos, que o importante não é vencer, mas sim participar, falta ainda quem crie um lema para os casos em que a participação se resume a vestir o equipamento.

Nos seis Europeus em que Portugal participou, os registos da UEFA indicam que o número de futebolistas portugueses que nunca saíram do banco durante um torneio inteiro davam para uma convocatória quase completa: 22 jogadores. Mas ligeiramente desequilibrada: 10 deles são guarda-redes.

Ainda assim, com imaginação até seria possível montar um 11 minimamente competitivo entre convocados que ficaram com a folha em branco em Europeus passados. Arrisquemos, por exemplo, numa tática de 4x4x2: Damas (1984); Miguel Lopes (2012), Beto (2004), Paulo Madeira (1996) e Eduardo Luís (1984); Tiago (2004), Ruben Micael (2012), Hugo Viana (2012) e Vítor Paneira (1996); Vermelhinho (1984) e Quaresma (2012).

A estes nomes somam-se ainda os dos defesas Bastos Lopes em 1984 e Ricardo Costa em 2012, mais os guarda-redes Jorge Martins em 1984, Rui Correia e Alfredo em 1996, Quim e Moreira em 2004, Nuno e Patrício em 2008 e Eduardo e Beto em 2012.

O Europeu em que mais jogadores portugueses tiveram direito a este ingrato bilhete para assistir aos jogos a partir do banco de suplentes foi precisamente o último, em 2012, onde Paulo Bento não utilizou sete dos 23 futebolistas que convocou. Eduardo, Beto, Quaresma, Ricardo Costa, Ruben Micael, Miguel Lopes e Hugo Viana fizeram apenas grupo, numa prova em que Portugal apresentou o 11 base mais fixo de sempre, com três suplentes-tipo usados mais regularmente: Custódio, Nélson Oliveira e Silvestre Varela.

No plano oposto, a participação no Euro2000 foi a única até ao momento que permitiu ao então selecionador, Humberto Coelho, usar todos os jogadores convocados. Fruto de duas vitórias nos primeiros dois jogos da fase de grupos (3-2 à Inglaterra e 1-0 à Roménia), a equipa já estava automaticamente qualificada antes do terceiro jogo frente à Alemanha, o que deu basicamente para tudo: até os dois guarda-redes suplentes de Vítor Baía (Quim e Pedro Espinha) foram a jogo na noite em que Sérgio Conceição presenteou os germânicos com um hat-trick e garantiu a Portugal o único apuramento da sua história nas fases de grupos de Europeus apenas com vitórias.