Euro 2016

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A surpresa é se a Bélgica for surpresa frente à Itália

O talento da Bélgica entra hoje no Euro-2016 contra a experiência da Itália, naquele que será provavelmente o melhor jogo da prova até agora, ainda que belgas e italianos desconfiem das próprias equipas

Claudio Villa

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Eden Hazard, Kevin De Bruyne , Axel Witsel, Thibault Courtois, Radja Nainggolan, Yannick Ferreira-Carrasco, Romelu Lukaku e a lista ainda continua. Como não esperar que esta Bélgica se assuma finalmente como a potência de talento que é? “O que esperam de nós é fantástico, porque quando temos uma equipa assim, que conseguiu os resultados que conseguiu nos últimos quatro anos, é normal que as pessoas tenham esperança”, disse Marc Wilmots na antevisão do jogo de hoje frente à Itália (20h), em Lyon.

“Devolvemos as cores à Bélgica. Prefiro essa pressão do que não ter ninguém a ver-nos e vamos precisar do 12º jogador amanhã, porque o jogo terá momentos que não são fáceis”, acrescentou. É que a Itália é sempre a Itália e a Bélgica já esteve bem melhor do que agora, explica ao Expresso um jornalista belga. “Os belgas estão algo céticos com a seleção neste momento, especialmente porque a nossa defesa está muito enfraquecida”, diz David Van der Broeck, do jornal “Het Nieuwsblad”. “O Kompany não está, Engels e Boyata, apesar de serem mais reservas, também não, e o Lombaerts também não. O selecionador foi criticado porque deixou Lombaerts de fora, porque ainida estava a recuperar de lesão, mas ele agora já está bom e era alguém que seria titular”.

Com tantas ausências, a linha defensiva será composta por um quarteto pouco rodado: Ciman, Alderweireld, Vermaelen e Vertonghen. “A única coisa boa é que Alderweireld volta a defesa central como no Tottenham. Porque na seleção ele costumava jogar a lateral direito, mas a liderança dele no meio é necessária”, explica David Van der Broeck. “A defesa é claramente o ponto mais fraco da equipa”.

Bem melhor é o ataque, onde Lukaku deverá ser o avançado escolhido. A dúvida está nos restantes parceiros. “A outra discussão na Bélgica atualmente é sobre as nossas duas estrelas, Hazard e De Bruyne. No início da preparação para o Euro, Wilmots disse que o De Bruyne seria o nosso número 10 e Hazard jogaria pela esquerda, como no Chelsea”, conta.

“Mas o que pode acontecer contra a Itália é Hazard jogar na esquerda e De Bruyne na direita, jogando a número dez o Fellaini (e mais atrás Witsel e Nainggolan), porque Wilmots gosta muito da presença física dele, da sua força, altura e capacidade de chegar à área para atacar a baliza. Mas é pena porque todos na Bélgica sabem que quando jogamos com Fellaini naquele papel, o futebol não é tão rápido, técnico e bonito. Mas se correr bem vamos festejar na mesma, claro”, graceja o jornalista belga.

Também em Itália há alguma descrença sobre a seleção de Antonio Conte, que já foi nomeada pelos jornais italianos como “a mais fraca dos últimos 20 anos”. Mas Marc Wilmots não vai na conversa. “É o adversário mais difícil e com mais prestígio que poderíamos ter na estreia. Eles ainda são mais perigosos quando estão encostados à parede, como agora. Têm um dos melhores campeonatos do mundo, jogadores de alto nível e um treinador que os preparou bem, especialmente fisicamente”.

Claudio Villa

E, ao contrário da Bélgica, o ponto forte da Itália é mesmo a defesa, que é toda Juventus: Buffon na baliza e Barzagli, Bonucci e Chiellini como os três defesas. “Conhecemos bem a qualidade da defesa deles, da Juventus, e temos de arranjar soluções para conseguir marcar”, disse Eden Hazard aos jornalistas, desvalorizando a falta de estrelas italianas atualmente. “Têm o Buffon, que é um jogador com uma carreira magnífica, e todos os jogadores pensam um dia chegar ao nível dele”.

A última vez que Bélgica e Itália se defrontaram num Europeu, em 2000, Marc Wilmots e Antonio Conte estavam em campo, como jogadores, e viram os italianos, favoritos, vencer por 2-0. Aliás, a Bélgica não vence a Itália desde 1972, em jogos oficiais. Mas, afinal de contas, o favoritismo pouco conta no relvado. “Para ser honesto, podemos estar menos bem, mas se viste Inglaterra e França jogar, também não foi grande coisa”, graceja David Van der Broeck. “Mesmo céticos, podemos conseguir.”